segunda-feira, outubro 29, 2012

DESGRAÇA: João César das Neves é indubitavelmente uma criatura muito interessante, para não lhe chamar um case-study com pernas.

Numa das suas últimas crónicas, ele dá a entender que o Tribunal Constitucional "desgraçou o país" com a sua decisão de declarar inconstitucional o corte dos dois subsídios na Função Pública.

Para edificação das massas ignaras, JCN deveria ter explicado quais das demais instituições do Estado correm o risco de desgraçar o país como consequência do exercício normal e legítimo das respectivas funções.

Por exemplo, será de exigir ao Tribunal de Contas, à Procuradoria Geral ou à Autoridade da Concorrência comedimento ou auto-censura, para evitarem situações gravosas, a Bem da Nação?

Senhor João César das Neves, por favor esclareça-nos. As suas pepitas de sabedoria não cairão em saco roto. Não faltam por aí compradores para sugestões sobre como amordaçar instituições democráticas e órgãos de soberania.

A Constituição é um empecilho; isso já todas as pessoas de bem perceberam. Não nos fiquemos por aí.

sexta-feira, outubro 05, 2012

EFEMÉRIDE: Foi e continua a ser atacada e deturpada pela brigada de revisionistas contumazes ou de ocasião, profissionais ou amadores; secundarizada por políticos cegos, tacanhos e ignorantes da História; enxovalhada pela decisão estúpida e ultrajante de retirar ao dia 5 de Outubro o estatuto de feriado (a ver vamos, muita água vai ainda correr por debaixo da ponte nos próximos 365 dias); desprestigiada por incidentes e decisões lamentáveis por parte daqueles que tinham por obrigação honrar esta data (a cerimónia à porta fechada, o episódio pythoniano da bandeira ao contrário)...

Mas a República é muito maior do que tudo isto e resiste a tudo isto.

Viva a República! (A de hoje e a de 1910, muito mais moderna e inovadora do que lhe é reconhecido.)
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: No aeroporto de Heathrow, um leitor lia "A Farewell To Arms", de Ernest Hemingway.

terça-feira, outubro 02, 2012

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: O cavalheiro ruivo entrou na estação London Bridge (Jubilee Line). Sentou-se, extraiu um exemplar de "Paradise Lost", leu durante todo o percurso até à estação Westminster, onde saiu. É preciso tão pouco para encher de júbilo o meu coração!