quarta-feira, junho 15, 2005

SETE ROTAÇÕES TERRESTRES MAIS TARDE: Após interrupção por ausência, retomemos este blog, fazendo por cumprir a sua vocação de pedrada na engrenagem e grão de areia no charco.

quarta-feira, junho 08, 2005

PONGE (4): «C'est en cela aussi que je suis en quelque façon surréaliste, c'est-à-dire que je laisse venir autant que possible, enfin tout, mais pourtant en sachant que je fais un livre. Aucune illusion sur l'écriture automatique. C'est-à-dire que je sais parfaitemente qu'on dégorge, quand on fait de l'écriture automatique, ce qu'on a lu la veille. (...) C'est en ce sens aussi que je suis profondément matérialiste, au sens où tout commence para la sensation.» (Francis Ponge, entrevista com Jean Ristat, 1978.) Com estas frases, afinal de contas bastante simples (mas plenas de nuances complexas), Ponge define muito do essencial da sua atitude perante a escrita. Por um lado, uma disponibilidade para receber do exterior. Receber as metáforas, as ideias, as imagens que se lhe impõem a propósito dos objectos ou situações que pretende descrever. (E poucos autores, no século XX, terão conseguido o feito de Ponge: praticar uma poesia predominantemente descritiva e materialista, sem abdicar de uma liberdade absoluta, que por vezes, erradamente, se julga inconciliável com esses atributos.) Receber, estar disponível, mas partindo do estímulo, da sensação. Recusar o mito da livre associação como expressão de uma autenticidade interior, que alguns surrealistas quiseram fazer passar como a liberdade suprema, mas que não passa de uma das mais detestáveis tiranias.
O LIVRUS DO MODUS: Alguma vez haveria de ser: comprei um livro baseado num blog. Mas não um blog qualquer: o Modus Vivendi, que eu sigo com enorme prazer desde o seu início, há mais de 2 anos. O lançamento decorreu hoje, no bar da "Barraca", e o José Mário Silva, na sua intervenção, resumiu com eficácia os principais aspectos que tornam este blog tão fascinante, e de onde destaco as suas reflexões e apontamentos sobre os afectos, sobre a exposição pública e o acto de se expor. Ao longo dos meses, com efeito, a Ana tem escrito de maneira extraordinariamente lúcida e penetrante sobre a importância da prática da escrita para a auto-definição do indivíduo nos planos moral e afectivo, e isto evitando os chilros lugares comuns que quase nunca deixam de acorrer à chamada quando tais temáticas são tratadas por mãos menos hábeis (ou menos exigentes consigo mesmas). E tudo isto recorrendo a uma erudição vasta e usada com a-propósito, ou seja, sem temer o excesso de citação, ponderada mas sem parcimónias engendradas pela falsa modéstia. Dos blogs que conheço, serão talvez três ou quatro dezenas aqueles cujos textos teriam qualidade suficiente para merecer edição. Destes, pelas suas características ou registo, menos de metade - creio - suportariam incólumes a passagem para livro. O Modus Vivendi é, sem dúvida, um deles, e a leitura apressada que fiz de alguns posts deste livro, "Pagar para Ver", que agora prolonga a sua existência sob forma de papel e tinta, confirmaram essa convicção.
A SEMANA DOS PRODÍGIOS: Ontem, uma senhora, descendo placidamente o Parque Eduardo VII, trazendo consigo, bem visíveis, um livro do Piggy-Wiggy e os "Estados Eróticos Imediatos de Sören Kierkegaard", de Agustina Bessa-Luís. Hoje, Luís Delgado, provavelmente num momento de fraqueza, permitiu-se uma retractação. E a semana ainda vai a meio. O que se seguirá? (Uma eventual refutação do teorema de Pitágoras não impressionaria ninguém. Demasiado visto.)

terça-feira, junho 07, 2005

SOBRE O MÉTODO: Existe um método para encenar Kleist que é o seguinte: esquecer as deixas, as indicações de cena e (muito importante) o sentido último da peça, e sair para as ruas de Lisboa, decorar toponímias, inscrever-se numa piscina municipal. Raramente falha.
FÓSSIL DE UM FÓSSIL: «Aquilo que, a meu ver, nunca se poderá escamotear é isto: a elaboração de qualquer texto literário, seja ele poético, ficcional, crítico ou de que género for, foi movida por um propósito inserido no mundo dos homens. Fosse esse propósito a expressão de uma paixão, a sobrevivência material, a denúncia, ele projectou, nesse momento, um desejo humano de aceitação pelos seus pares, de conformidade a um cânone, de ruptura (ou de uma combinação de mais do que uma destas componentes).» ...disse ela, consciente (sem o revelar) do que isso significava, e de como todos os seus esforços do último meio ano tinham sido completamente em vão. Restava-lhe, como última e bem pobre esperança, ir bater à porta do homem que restaurava móveis antigos por gosto e não por lucro; transida, pingando água da chuva, dormir à sua porta, se a isso a sua ausência a obrigasse.
A ORDEM NATURAL DAS COUSAS: De acordo com a teoria que muitos se apressaram a defender, logo após o conclave, Ratzinger teria tendência (quem sabe se por transubstanciação) a dar lugar a Bento XVI, um novo avatar que sublimaria o conservadorismo obtuso do ex-pitbull da fé. Parece, contudo, que o Cardeal Ratzinger deixou de ser Bento XVI para voltar a ser o cardeal Ratzinger. Desdenhando a máscara de ecumenista benigno (que nunca chegou a envergar com demasiada convicção), veio B16 agora zurzir na homossexualidade, no divórcio, nas uniões de facto e na procriação assistida, com a mesma generosa alacridade de que dava mostras nos seus tempos de guardião da fé. Somente, com muito maior atenção mediática. Entretanto, com a serena naturalidade de uma coisa evidente, os suíços votavam favoravelmente as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo. Para repulsa profunda, imagino, dos Césares das Neves helvéticos, para quem chegou a altura de começar a pensar em que recanto da Europa ainda se poderão considerar ao abrigo dos viciosos ventos de mudança. Entre um papa retrógrado e ortodoxo até ao tutano, por um lado, e um bom senso cívico dos países que vão legislando sobre estas matérias fazendo orelhas moucas aos ditames emanados do Vaticano, desconfio que o abismo tenderá a abrir-se cada vez mais. Tanto melhor. Quanto mais rapidamente a Igreja católica for forçada a admitir que os tempos do monopólio sobre as consciências já lá vão, melhor será. Para todos.
PONGE (3): «Pour qu'il n'y ait plus ce scandale qui consiste à faire croire qu'on peut passer du monde verbal au monde de la réalité. Pour qu'on en finisse avec cette imposture - comment dirais-je - cette prétention de la plupart des artistes de croire qu'il y a communication possible entre le monde extérieur et le monde verbal.» (Francis Ponge, entrevista a Jean Ristat, 1978.) Um fruto seco, um mineral, duas mãos perfeitas sobre fundo amarelo de folhas decadentes, merecem o paraíso da existência que estas palavras para os designar não conspurcam.

segunda-feira, junho 06, 2005

LISBOA DÁ-LHE AS BOAS VINDAS!: Uma cidade de grandes dimensões não passa sem os seus mistérios, signos exibidos como uma frontaria de azulejo, segredos camuflados por ruas subtilmente falhas de ortogonalidade e por praças ditas "públicas". São múltiplas as razões que levam alguém a esforçar-se por penetrar nos mistérios de uma cidade. A curiosidade, o desejo de conhecer, podem não ser as mais potentes motivações: muitas vezes, o verdadeiro prémio é esse tecido de peripécias, enganos e reviravoltas que a urbe segrega. Uma história para cada investigador intrépido, um fio tenso que o conduza através dos dias. Não das trevas para a luz, mas segundo sucessivas tangentes a uma verdade grisalha e bastarda, provavelmente caduca.
COMBINAÇÃO DE TOPALOV:
É precisa uma grande dose de coragem para sacrificar material, ao décimo quarto lance, contra um dos melhores jogadores da actualidade. Aqui, Topalov jogou 14.Cxf7! sacrificando o cavalo face ao indiano Anand, que o aceitou. A tentação de inventar graçolas contendo referência ao cavalo de Tróia é grande; limitemo-nos a indicar que Anand aceitou o presente, perdão, o sacrifício, mas saiu derrotado ao fim de uma partida electrizante que durou 52 lances. (Diagrama extraído de Chessbase.)
XADREZ: O búlgaro Vesselin Topalov conquistou, de forma categórica, o primeiro lugar no fortíssimo torneio "M-Tel Masters", disputado recentemente em Sófia. Topalov demonstrou assim, mais uma vez, o seu magnífico momento de forma, depois de, há poucos meses, no torneio de Linares, só ter sido apeado de um merecido primeiro lugar do pódio devido a critérios de arbitragem francamente discutíveis, que favoreceram Garry Kasparov. Para além da eficácia do seu jogo, Topalov continua a alardear o estilo ofensivo, imaginativo e sem compromissos que fez dele um dos favoritos do público que verdadeiramente ama o xadrez. Desde que Kasparov anunciou a sua retirada (espero escrever mais, em breve, sobre o instrutivo episódio da despedida do sr. Garry Kimovich), que Vyswanathan Anand parece fraquejar depois de um ano de 2004 fulgurante, e que Vladimir Kramnik e Péter Lékó deixaram de convencer nas suas últimas actuações, Topalov assume-se como um candidato natural ao título oficioso de melhor jogador do mundo. É provável que figure em segundo lugar no próximo ranking, ou mesmo no primeiro (isto sem contar com Kasparov, que deverá ainda constar da lista mau grado a sua condição de reformado). O torneio de Sófia ficou ainda marcado por um novo regulamento que visava minimizar os empates sem luta, que têm vindo a envenenar o xadrez de competição ao mais alto nível. Depois de um começo pouco prometedor (e eu próprio exprimi o meu cepticismo a esse respeito), as últimas rondas do torneio foram marcadas por um xadrez excitante e combativo, bem longe das demonstrações entediantes com que os fãs têm sido supliciados nos últimos tempos, por culpa de grandes-mestres irresponsáveis e comodistas. Este torneio foi unanimemente considerado um êxito. A experiência foi positiva; há que tirar partido dela, continuando a privilegiar a competitividade e a verdade desportiva.

domingo, junho 05, 2005

EM FORMA:
Vesselin Topalov. 30 anos. Bulgária. Será este o melhor xadrezista do mundo da actualidade? (Foto retirada do site Chessbase.)
AS GAIVOTAS TAMBÉM ATACAM DE NOITE, MAMÃ?: No próximo dia 9, quinta-feira, a partir das 21h30, no Café Literário da Feira do Livro do Porto, estarão a conversar João Tordo, Valter Hugo Mãe e um indivíduo vagamente semelhante, na fisionomia e timbre vocal, ao autor destas linhas. A presença habitual, nas cercanias do Palácio de Cristal, de aves de grande porte e voracidade leva-me a desaconselhar a presença aos mais novos e aos mais impressionáveis.
CADA POEMA UM GESTO FOSSILIZADO: Pode-se negar a presença da personalidade do autor num texto; pode-se fazê-lo com a maior convicção, com a mais peremptória solenidade. É legítimo defender que a biografia de um autor é a mais falível e menos interessante fonte de informações para a interpretação de uma obra, e para a aferição do seu valor real. Cai bem, nestas ocasiões, mencionar um certo Proust e um certo Sainte-Beuve. Aquilo que, a meu ver, nunca se poderá escamotear é isto: a elaboração de qualquer texto literário, seja ele poético, ficcional, crítico ou de que género for, foi movida por um propósito inserido no mundo dos homens. Fosse esse propósito a expressão de uma paixão, a sobrevivência material, a denúncia, ele projectou, nesse momento, um desejo humano de aceitação pelos seus pares, de conformidade a um cânone, de ruptura (ou de uma combinação de mais do que uma destas componentes). Custa-me aceitar que a abordagem de uma qualquer obra faça tábua rasa desse âmago insubmisso, dessa aspiração de felicidade que - como seria possível de outra maneira? - é à medida do homem ou mulher que a viveu.
PONGE (2): A dada altura (1959), Francis Ponge fez menção de integrar o seu poema-em-progresso "La Figue (Sèche)" numa suposta recolha de poemas sobre frutos. Chegou a acrescentar glosas dedicadas à tâmara, à ameixa e ao figo fresco. Essa recolha nunca se concretizou. Ou, quem sabe, talvez nunca tivesse passado de mais uma fugaz estratégia para enquadrar a sua obra numa intenção mais vasta do que um simples e pobre poema em prosa dedicado ao figo seco, "pauvre gourde". Assim como o figo conserva na sua superfície o irredutível "bouton de sevrage", que assinala o ponto que o ligava à árvore, talvez Ponge tenha sentido a necessidade passageira de fazer figurar no poema os vestígios fictícios de um tentáculo de ligação com o universo dos modos e vícios da literatura.

sábado, junho 04, 2005

PAS DE REPOS POUR LES BRAVES (6): A grandeza de um filme não é apenas função da riqueza de leituras possíveis que ele oferece; é certo. Pessoalmente, contudo, valorizo muito fortemente os filmes que se prestam a múltiplas abordagens, e que incitam o espectador a produzir os seus próprios discursos e esforços interpretativos, prolongando a experiência vivida durante o visionamento. Em "Pas de repos pour les braves", um dos múltiplos ângulos de aproximação consiste no problema da ocupação do tempo, motivo de elevada relevância para a nossa época, tanto na sua vertente positiva (o ócio) como negativa (o desemprego). Tanto este como os restantes filmes de Guiraudie (com a possível excepção de "Ce vieux rêve qui bouge") podem ser vistos como máquinas de ocupar o tempo, movidas pelo terror da lacuna narrativa. À falta de assunto propriamente dito (a personagem principal, Basile, parece ser o tipo de pessoa a quem nada sucede), recorre-se à efabulação, à vampirização do quotidiano (Basile começa por escutar na televisão a referência às "bolinhas vermelhas" antes de a transplantar para a sua história de tráfico e perseguição), à proliferação onírica. Trata-se de um filme de acção, sem que essa acção possua um móbil concreto: as personagens movem-se e evoluem, dir-se-ia, essencialmente porque a suspensão do movimento implicaria o desmoronamento da própria razão de ser do filme. Até mesmo nas cenas isentas de dinamismo físico (por exemplo, as que têm lugar no café) existe como que uma componente cinética dos diálogos, que são tensos, sincopados e repetitivos (a história do frigorífico e do secador de cabelo...). Quanto a dormir, bem entendido, isso está fora de questão: o medo-pânico que Basile sente do sono (por culpa do temível Faftao-Laoupo...) justfica-se porque só o estado de semi-vigília, povoado de sonhos mais ou menos fragmentários, lhe permite manter-se naquele estado equidistante da nulidade quotidiana e da inconsciência. Mas talvez tudo isto que eu acabo de escrever não passe de um arrazoado delirante. Talvez o filme, em vez disto, seja...
PAS DE REPOS POUR LES BRAVES (5): No "Público", tanto Luís Miguel Oliveira como Vasco Câmara atribuíram três estrelas (em cinco) a "Os Bravos Não Têm Descanso". (Os restantes críticos, creio, ainda não se pronunciaram.) Tendo em conta a bitola que o painel de críticos de cinema deste jornal habitualmente pratica, esta é uma excelente classificação. A meu ver, a função de crítico cinematográfico requer um certo comedimento na atribuição de classificações encomiásticas. O sistema das estrelinhas é contestável, mas qualquer credibilidade que possa ter desvanece-se caso as classificações máximas surjam demasiado amiúde. Penso que só os filmes verdadeiramente marcantes e excepcionais, susceptíveis de terem impacto na história desta arte, deveriam merecer as cinco estrelas. Entre os filmes que estreiam em salas portuguesas em cada ano, de quantos se pode dizer isto? Meia dúzia? Uma dezena? Estou a estimar por alto... (Neste ano, até agora, só me lembro de dois: "Saraband", obviamente, mas também, perdoem-me novo puxanço de brasa à sardinha, o próprio "Pas de repos pour les braves".)

sexta-feira, junho 03, 2005

PONGE: Nas sucessivas reelaborações do seu poema "La Figue (Sèche)", ao longo dos anos, Francis Ponge experimentou, para além de numerosos elementos, imagens, módulos significadores, pelo menos duas "ficções legitimadoras" (chamemos-lhe assim) susceptíveis de o enquadrar. Numa primeira fase, colocou-se na posição de quem responde a um inquérito sobre a poesia. Posteriormente, optou por simular uma carta/saudação espiritual dirigida a Symmaque (ignoro a tradução deste nome em português), «...grand païen de Rome [qui] se moquait de l'empire devenu chrétien: "Il est impossible, disait-il, qu'un seul chemin mène à un mystère aussi sublime"». Seduz-me, esta preocupação quanto ao modo de fazer existir o poema no mundo. (As sucessivas aproximações a este poema estão publicadas sob o título "Comment une figue de paroles et pourquoi", GF Flammarion, 1997, edição de Jean-Marie Gleize. Leitura fascinante, e diferente de qualquer outra coisa que alguma vez me tenha passado pelas mãos.)
ABRAM OS DIQUES!: Na sua coluna de hoje, Luís Delgado, o gentleman-cronista cuja pena acerada faz tremer tudo e todos (não necessariamente de medo), escreve assim: «A Holanda é minúscula de mais e demasiadamente esotérica para causar mossa na União ela é sempre o contrário de tudo o resto. Se a droga é proibida na Europa, ela é permitida na Holanda; se a eutanásia é conflituosa nos nossos costumes, ela é uma prática regular naquele país, e por aí adiante. Não querem, não têm.» Luís Delgado tem o seu estilo, a sua maneira de escrever e de estar, mas do que ele não pode deixar de estar ciente, de maneira alguma, vivendo no planeta Terra e convivendo com as opiniões dos seus pares, é de que isto está próximo do grau zero do jornalismo de opinião: não passa de uma manta de retalhos de chavões ofensivos e inconsequentes, alinhavados com uma irresponsabilidade difícil de conceber, e enfermando de um simplismo que não se desculparia nem nos trabalhos de casa de um qualquer aluno de liceu, rabiscados em cima do joelho e com os olhos pregados numa Playstation.
DERRETEM-SE NA BOCA: Na sua crónica de sábado passado no "Público", Helena Matos, com imparável brio, fustiga os artistas, e em particular as estrelas de rock, que se permitem exigir mordomias impensavelmente extravagantes durante as digressões que efectuam. Um dos exemplos que avança (Marilyn Manson, que, entre outras tropelias, teria solicitado dezenas de caixas de smarties das quais teriam de ser retirados todos os castanhos) chamou-me a atenção por se assemelhar a uma das muitas lendas urbanas abordada pelo insubstituível site Snopes. A história, cuja leitura me parece valer amplamente a pena, passa-se com o grupo Van Halen, e envolve M&M's em vez de smarties (ah!, a cor local). Segundo aquilo que defende o vocalista David Lee Roth, a cláusula que exigia a taça de M&M's submetida à expurgação cromática era, mais do que capricho de estrela, uma maneira de se certificarem de que o contrato era lido até ao fim, e cumprido com escrúpulo e rigor pela organização local. Há aqui margem para especulação. Pessoalmente, pergunto-me se Manson imitou esta bela ideia, ou se tudo isto não passa de uma ramificação inocente de uma deliciosa lenda urbana. Do que não duvido é de que tudo isto, a começar - e quem sabe se a acabar - pelos M&M's castanhos, faz parte de uma conspiração dos fazedores de opinião bem-pensantes e politicamente correctos contra a liberdade de expressão. Pim.