COMO ESCARPAS CONTUDO: Sem menosprezo algum pelos excelentes artistas nacionais representados na exposição "Entre Linhas" (Desenho na Colecção da Fundação Luso-Americana, Culturgest Lisboa, até 25/9), o que mais fortemente me chamou a atenção nela foram as obras do suíço (radicado em Portugal) Michael Biberstein.
As suas "aguarelas metafísicas", que evocam aproximações miniaturais a improváveis penhascos, gargantas ou massas nebulosas, possuem um encantamento desolado feito de minúcia e de concisão. O pendor abstractizante que a elas parece presidir pode ser encarado como uma reinvenção, temporalmente remota, da tradição paisagística romântica de Friedrich. Um prolongamento supérfluo, mas também, à sua maneira, urgente.
Infelizmente, não consegui aceder na Internet a obras desta série, mas escolhi uma outra que não é totalmente alheia ao espírito destas aguarelas.
(Grey accelerator, 1994)
Ao leitor que desejar conhecer um pouco mais da obra de Biberstein, recomendo que clique aqui ou aqui com o botão esquerdo do seu rato.
Da exposição "Entre Linhas", também apreciei as composições de Pedro Proença, jubilatórias justaposições de significado, conceito e travessura pictórica. Quanto a Helena Almeida e Lourdes Castro, duas artistas que admiro, os trabalhos expostos parecem-me escassamente representativos.

