terça-feira, janeiro 24, 2006
domingo, janeiro 22, 2006
Oskar Kokoschka, "Montana Landschaft" (1947).
quinta-feira, janeiro 19, 2006
quarta-feira, janeiro 18, 2006
terça-feira, janeiro 17, 2006
Tudo começou com a composição do seu executivo. Não sou adepto incondicional de quotas, mas formar um governo com igual representação de ambos os sexos, num país latino, tem algo de revolução tranquila que nunca é de mais saudar.
Cresceu a minha admiração com as numerosas medidas destinadas a contrariar a absurda posição dominante da igreja católica em Espanha, nomeadamente a abolição do carácter obrigatório da disciplina de Religião e Moral. Tais medidas, como seria de prever, levantaram ondas de indignação por parte da corporação em questão, mais um sintoma de que o premier espanhol se encontra no bom caminho. Conheço poucas credenciais mais abonatórias para um político do que ser alvo de manifestações de rua por parte dos sectores mais pacoviamente beatos e ultramontanos do país que dirige.
Surge agora a legislação contra o consumo de tabaco em locais públicos, que entrou recentemente em vigor no país vizinho. Também aqui, era inevitável um movimento de crispação por parte daqueles que, cronicamente dados à vitimização, se julgaram visados por aquilo que, no fundo, não passa de um conjunto de medidas impregnadas de bom senso, cujo fim principal é o de proteger os cidadãos da exposição à prepotência do fumo alheio.
A reacção de Francisco José Viegas é, deste ponto de, vista típica: mau grado o tom de conscienciosa moderação («Só fumo nos locais permitidos. Não violo a lei.», como se isso fosse proeza digna de louvor, e não o mais elementar dos deveres), consegue encapsular em poucas linhas os três principais lugares-comuns da contra-argumentação canónica dos tabagistas descontentes:
- o mito da "perseguição" (como se o maior prazer de um governo fosse, sadicamente, perseguir os fumadores)
- o espantalho do "moralismo" (como se a moral fosse tida ou achada para esta questão, que não sai do foro da saúde pública)
- a alusão a práticas fascistas (que eu me recuso a qualificar)
Senhor Rodríguez Zapatero, sugiro-lhe humildemente que traga à conversa estes assuntos aquando da próxima cimeira ibérica. Entre uma tapa e um pastel de bacalhau talvez consiga fazer do seu homólogo português um seu émulo, pelo menos no que as estas sadias e corajosas medidas diz respeito.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
- Vai começar amanhã o torneio de xadrez "Corus", em Wijk aan Zee, na Holanda.
- "Broken Flowers" (filme sobre a desagregação do sentido) e "Rois et Reine" (elogio oblíquo mas categórico da procura de um "sentido" na vida) não tão contraditórios como isso?
- Para uma ética e uma estética do gato perdido (entrevistas de rua na Grande Lisboa).
- Momentos kleistianos em "Jakob von Gunten", de Walser.
- Abertura ao público do Jardim Ponge.
- Citações republicanas.
- Bombons Mozart da Mirabell à venda no Continente do Colombo! Choque! Espanto!
- A francofobia é a doença do espírito mais disseminada do mundo hoje em dia.
- Novo CD da Fiona Apple é um portento.
- Quem anda com quem nos "Morangos": abordagem baseada na teoria dos grafos.
- Como criar um mito urbano, de uma semana para a outra, a partir de uma oficina de sapateiro no Bairro dos Actores.
- Momentos kleistianos em Stendhal.
terça-feira, janeiro 10, 2006
segunda-feira, janeiro 09, 2006
- a ideia da obra de Pirandello como um todo, indivisível, concretizado e ilustrado pelas instâncias (romances, contos e peças) que o servem; cada texto individual como uma janela que oferece ao leitor uma nova perspectiva sobre um imago mundi englobante que coincide com a própria razão de ser do artista Pirandello
- a elaboração da grande recolha "Novelle per un anno" (1922). No prefácio a esta magna antologia da sua ficção curta, o próprio Pirandello dá a entender que o seu propósito original era (respeitando o título escolhido) o de coligir 365 contos, repartidos em 12 volumes, e que só a obstinação em contrário do seu editor disso o teria demovido. Tal propósito colide frontalmente com este simples facto: até à data, Pirandello tinha escrito pouco mais de 200 contos. Parece haver, portanto, uma tentativa tongue in cheek de edificar uma micro-ficção pessoal, na qual o autor se encena como autor incompreendido. Como se o seu apetite pelo fingimento e a sua voracidade ficcional exigissem vários níveis concêntricos para se espraiar.
sexta-feira, janeiro 06, 2006
quinta-feira, janeiro 05, 2006
quarta-feira, janeiro 04, 2006
terça-feira, janeiro 03, 2006
sexta-feira, dezembro 30, 2005
quinta-feira, dezembro 29, 2005
quarta-feira, dezembro 28, 2005
terça-feira, dezembro 27, 2005
segunda-feira, dezembro 26, 2005
domingo, dezembro 25, 2005
quinta-feira, dezembro 22, 2005
quarta-feira, dezembro 21, 2005
sexta-feira, dezembro 16, 2005
quarta-feira, dezembro 14, 2005
ROIS ET REINE: Depois de "Pas de Repos pour les Braves", eis que estreou entre nós "Rois et Reine", de Arnaud Desplechin, mais um argumento para o arsenal daqueles, entre os quais me conto, que defendem ser o cinema francês o mais interessante da actualidade.
Existe um aspecto curioso nas reacções da crítica (mais ou menos especializada) a este filme. Poucas foram, de entre aquelas que li, as que omitiram essa coexistência entre registos antagónicos: o burlesco (de que o desventurado Mathieu Amalric assume a parte leonina) e o extremamente trágico.
Poucos são, no entanto, aqueles que aprofundam esta (inegável) natureza híbrida. Será que, só por si, fazer caber tanto o cómico como o pungente na mesma longa-metragem é façanha digna de encómio? Parece-me que não. O valor de um cineasta não se mede em função de acrobacias a que se entregue, nem meramente em função da amplitude da paleta de emoções que emprega.
Desplechin está longe de ser um vão malabarista de imagens e argumentos. E o registo heterogéneo e inconstante que adopta em "Rois et Reine" é perfeitamente coerente com a sua riquíssima obra passada, que lhe grangeou a aura de seguidor de um cineasta popular-inteligente como Truffaut, ou de um subtil agente subversor de géneros, como Resnais. Para Desplechin, categorias e géneros não são espartilhos nem cadernos de encargos, mas sim plataformas de apoio, dotadas de memória cinéfila que urge respeitar sem subserviência.
Defendo que a componente mais fascinante do cinema de Desplechin passa precisamente por uma ancoragem num cinema clássico, devedor da narrativa e da definição de personagens com espessura psicológica, uma ancoragem flexível quanto baste para permitir vastas latitudes de exploração celebratória das possibilidades do cinema. Sem vanguardismo explícito, Desplechin distingue-se da quase totalidade dos seus pares pela vontade (e talento) de tratar cada cena como um problema de cinema, equacionável e solúvel por meio de imagens em movimento, parte de um todo mas também dotada de uma energia própria.
"Rois et Reine" é um filme deslumbrante acima de tudo devido à reverberação de inventividade cinematográfica que acompanha o desenrolar da lógica do enredo, como se todo ele estivesse banhado numa vontade de expressão, transbordante mas disciplinada. Algumas das cenas mais belas são-no muito graças a esse "algo-mais" formal, que se assume quase como um segundo filme, ou como um making of em tempo real, comentário permanente aos próprios desafios que cada cena, cada nodo do enredo, foram colocando. Nesses momentos (estou a pensar na dança de Mathieu Amalric perante os outros internados, no sonho em que Emmanuelle Devos reencontra o seu falecido primeiro marido, ou na extraordinária sequência final no Museu do Homem), é a própria presença do cinema que (dir-se-ia) irradia, de onde não se esperaria que houvesse mais do que corpos, rostos e cenários, isentos de luz própria.
terça-feira, dezembro 13, 2005
(Via "The Daily Dirt Chess Blog", de Mig Greengard.)
terça-feira, dezembro 06, 2005
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Por isso, por este acto de coragem, José Nuno Martins passou a ter perante mim crédito infinito. Pode até suceder que ele venha a apresentar a "1ª Companhia" ao lado de um burro que fala. Para mim, isso nada pesará face ao facto de ter escolhido para filme da vida um filme como "L'Amour Fou", essa inquietante obra-prima em que os planos do teatro e da vida, talvez ainda mais do que em qualquer outra obra de Rivette, se dilaceram e potenciam mutuamente.
domingo, dezembro 04, 2005
quarta-feira, novembro 30, 2005
domingo, novembro 27, 2005
sexta-feira, novembro 25, 2005
quinta-feira, novembro 24, 2005
O filme de Desplechin suscitou uma rara quase-unanimidade entusiasta por parte da crítica especializada francesa. Isto, só por sim, nada quer dizer, e poderia até ser sinal preocupante. Neste caso, porém, julgo tratar-se do simples reflexo do modo como o autor do também genial "Esther Kahn" conjuga uma componente popular com um apelo cúmplice à inteligência e à ousadia do espectador.
Espero voltar a falar deste filme.
terça-feira, novembro 22, 2005
quinta-feira, novembro 17, 2005
terça-feira, novembro 15, 2005
sexta-feira, novembro 11, 2005
On a bed where the moon has been sweating,
in a cry filled with footsteps and sand
(Leonard Cohen)
quinta-feira, novembro 10, 2005
terça-feira, novembro 08, 2005
segunda-feira, novembro 07, 2005
quarta-feira, novembro 02, 2005
Para servir de comparação, eis agora um outro tabuleiro, numa posição errada. (Ignorem, por favor, o insólito tolkieniano das figuras.)
terça-feira, novembro 01, 2005

(Do filme "Passion", de Jean-Luc Godard, que foi visível na Cinemateca na passada segunda-feira. Frase proferida por Hanna Schygulla.)
(Fragmentos da "Virgem da Imaculada Conceição", de El Greco, e "3 de Maio de 1808. Execução dos Defensores de Madrid", de Goya.)
quinta-feira, outubro 27, 2005
terça-feira, outubro 25, 2005
Frans Hals, "Young Man Holding a Skull (Vanitas), 1626-8Escreveu Vincent van Gogh a propósito de Hals: «(...)heads too - eyes, nose, mouth done with a single stroke of the brush without any retouching whatever... To paint in one rush, as much as possible in one rush... I think a great lesson taught by the old Dutch masters is the following: to consider drawing and colour one.»
Não só concordo, não só aprovo, como considero que Van Gogh colocou aqui o dedo na ferida com uma típica acuidade. (Continua.)
*Título provisório.


