Termino com uma mensagem subliminar: ide todos ao King ver o filme de Garrel! (E depois ao Porto, quando ele estrear lá.)
(Ver ainda este artigo de João Lopes sobre a exposição Godard no Centro Pompidou.)
quarta-feira, agosto 23, 2006
Termino com uma mensagem subliminar: ide todos ao King ver o filme de Garrel! (E depois ao Porto, quando ele estrear lá.)
(Ver ainda este artigo de João Lopes sobre a exposição Godard no Centro Pompidou.)
segunda-feira, agosto 21, 2006
sábado, agosto 19, 2006
- À minha pergunta ("seria legítimo/aceitável que uma nação respondesse a uma escaramuça de fronteira (acto de guerra) com um bombardeamento maciço (outro acto de guerra) que dizimasse, digamos, 10 % da população da nação agressora?"), respondeu que sim. Registo. Eu acho que não. Tenho para mim que uma discussão entre duas pessoas razoáveis deve idealmente conduzir ou a uma convergência de pontos de vista ou a uma incompatibilidade de princípios insanável. Parece-me verificar-se este último caso. (Quanto ao resto, nomeadamente esse tremendo disparate de eu ver o Hezbollah como "uma organização preocupadíssima com os libaneses, com as mulheres e as crianças", sugiro-lhe que tenha mais cuidado antes de desvirtuar as palavras alheias. A ligeireza estival não justifica tudo.)
- Diz que "os crimes de guerra são julgados sempre pelos vencedores e têm muito que se lhe diga". É um argumento que tem pernas para andar. Mas que está longe de ter alcance universal. Para citar apenas um exemplo: antes de morrer, Slobodan Milosevic estava a ser julgado pelo Tribunal Internacional para a Antiga Jugoslávia, um organismo da ONU independente, como é óbvio, de qualquer um dos contendores da guerra dos Balcãs. O que me parece indiscutível é que, contrariando a tese da arbitrariedade e desproporcionalidade intrínsecas da guerra (que repete, como credo pessoal, em vez de a fundamentar), o conceito de crime de guerra tem ganho raízes, nas altas instâncias internacionais assim como na opinião pública. E se isso sucede, é porque há muita gente que não pensa como você (ver ponto 1, supra). E ainda bem, acrescento eu.
Concluído este refrescante intercâmbio de opiniões, despeço-me. Faz-se tarde, e gostaria de acresecentar algumas estrofes à minha cantata em louvor a Che Guevara, antes da hora de jantar.
sexta-feira, agosto 18, 2006
(Nossa Senhora e o menino com dois anjos)
...Cranach, não sei se o velho ou o jovem, Waterhouse e novamente Freud), Dan Franck (Soutine), Bernard Kouchner (Uccello e Cézanne), Eddy Mitchell (Norman Rockwell e um certo "Remington" que presumo tratar-se de Frederic Sackrider Remington). A escolha de Emir Kusturica é, no mínimo, óbvia: Marc Chagall. André Glucksmann e Jean-Claude Carrière denunciam tendências primitivistas, ao citar os pintores das cavernas (Glucksmann especifica "os de Lascaux"). Sylvie Testud, sem particularizar, demonstra preferência pelos fauvistas. Aprecio sobremaneira a referência a Vuillard feita por Philippe Noiret.

(L'Armoire à Linge, c. 1894-95)
A resposta mais desconcertante é a de Petula Clark. A cançonetista, para além do Picasso "de início de carreira", menciona Kandinsky "a meio da carreira" e a sua segunda filha Kate Wolf, que eu não faço a mínima ideia de quem seja. Custou-me verificar que, das respostas que consultei (não foram todas), apenas a actriz Elsa Zylberstein e a cantora lírica Barbara Hendricks referiram Edgar Degas, talvez o meu pintor preferido de todos os tempos.
quinta-feira, agosto 17, 2006
quarta-feira, agosto 16, 2006
terça-feira, agosto 15, 2006
- La Cicatrice Intérieure (1970)
- Les Hautes Solitudes (1974)
- Un Ange Passe (1975)
- Le Bleu des Origines (1978)
- Liberté la Nuit (1983)
- Elle A Passé Tant d'Heures Sous les Sunlights (1984)
- Les Baisers de Secours (1989)
- J'Entends Plus la Guitare (1991)
- Sauvage Innocence (2001)
sábado, agosto 12, 2006
quinta-feira, agosto 10, 2006
Não é claro se as telas de João Queiroz representam paisagens reais. O que é certo é que o observador não poderá deixar de nelas reconhecer arquétipos, facilmente identificáveis, de paisagens clássicas, directamente saídas da tradição ocidental. Contudo, esses "arquétipos", à base de pinceladas vigorosas e de superfícies claramente delimitadas, contêm detalhes, peculiaridades, acidentes (na dupla acepção que esta palavra admite). Estes pormenores individualizam cada tela, resgatam-na à condição de mero tributo ou evocação. Ao mesmo tempo, representam um
pormenor plausível de uma paisagem (escarpa, tufo de vegetação, depressão...) e significam esse mesmo pormenor, conferindo à obra um aspecto duplo de figuração e conceptualização, que se potenciam mutuamente de forma subtil.
Num ensaio notável que acompanha a exposição, Jorge Molder escreve: «Mas as paisagens de João Queiroz trazem consigo uma inegável fascinação, embora não saibamos de onde vêm ou mesmo se vêm de um sítio que de facto exista, embora desconheçamos a relação que o artista tem com a natureza e mesmo que a nossa relação com a natureza não seja um aspecto relevante para a visão do mundo com que aí nos deparamos.
Elas irradiam esse poder atractivo, mesmo que todos os pressupostos e hipóteses atrás arrolados possam ou não verificar-se.»
Chama-se isto pôr o dedo na ferida. Os quadros de João Queiroz provocam uma atracção e sedução poderosas, que não elidem, antes transmitem maior força e acutilância às questões que a abordagem do artista suscita. Dois ingredientes que não podem faltar à grande pintura são: um comprometimento artístico que se traduza num esforço consequente e sério, por um lado, e a exploração das ideias e aporias contemporâneas ao artista. O primeiro aspecto é frequentemente menosprezado por uma arte contemporânea demasiado intoxicada por inebriantes vapores conceptuais. João Queiroz demonstra aqui que a sua arte contém estas duas vertentes.
(No Centro de Arte Moderna, até 30 de Setembro.)
- Se, como insiste em dizer, a guerra é "em si desproporcionada", seria legítimo/aceitável que uma nação respondesse a uma escaramuça de fronteira (acto de guerra) com um bombardeamento maciço (outro acto de guerra) que dizimasse, digamos, 10 % da população da nação agressora?
- E se a guerra é "em si desproporcionada", como se explica que a noção de crime de guerra, em vez de ter caído na obsolescência, esteja hoje mais enraizada do que nunca na opinião pública e na legislação internacional?
Isto, claro, supondo que o objectivo aqui é a argumentação e a contra-argumentação. Caso contrário, sempre nos podemos rir um bocado com chistes sobre piscinas.
quarta-feira, agosto 09, 2006
terça-feira, agosto 08, 2006
segunda-feira, agosto 07, 2006
quinta-feira, agosto 03, 2006
terça-feira, agosto 01, 2006
A autora do blog Bomba Inteligente chama "bronco" e "animal" a Zinédine Zidane por este ter respondido com uma agressão física aos insultos de Marco Materazzi. Alguns posts mais tarde, indigna-se contra aqueles que falam em proporcionalidade para pôr em causa a amplitude da resposta israelita às provocações do Hezbollah, e que se sentem chocados por o rapto de dois soldados ter suscitado uma ofensiva que já causou centenas de mortos civis e muitas dezenas de milhares de deslocados.
Assinalo, e deixo ao soberano critério do leitor decidir se tal é relevante ou não. Dir-se-ia que a proporcionalidade é válida quando se trata de zaragatas num recinto desportivo, mas deixa de o ser quando vidas humanas estão envolvidas.
domingo, julho 30, 2006
(fotografia de Gabriele Grasso, retirada daqui)
Do lado português, à esquerda, vêem-se Luís Galego (em primeiro plano), Diogo Fernando e Sérgio Rocha (Rui Dâmaso está oculto ou ausente). Do lado francês, Étienne Bacrot, Andrei Sokolov, Laurent Fressinet e Maxime Vachier-Lagrave.
A segunda mostra Margarida Coimbra, segundo tabuleiro da formação portuguesa:
Gosto muito do tema "Being Tyler", um instrumental dos Lambchop que abre o álbum "Awcmon". "Gostar", pensando bem, peca por inadequação. Muito mais do que "gostar", deixei-me (sem me rebelar) obcecar por este tema. Que é portador de significados pessoais, sem dúvida, mas que nunca se esquece de ladinamente brilhar com fulgor próprio, independente de circunstâncias do domínio privado.
quarta-feira, julho 26, 2006
quarta-feira, julho 19, 2006
domingo, julho 16, 2006
sexta-feira, julho 14, 2006
terça-feira, julho 11, 2006
- Em mais uma reportagem de um canal televisivo sobre o Mundial, o locutor, arfando improvisados lugares-comuns, declarou a páginas tantas que "Portugal tinha ganho respeito pelos alemães", querendo dizer (mas isto sou eu a supor, claro) que "Portugal tinha ganho o respeito dos alemães".
- Numa entrevista ao grande-mestre de xadrez norte-americano Maurice Ashley, menciona-se o Aikido como sendo uma "marital art".
sexta-feira, julho 07, 2006
segunda-feira, julho 03, 2006
Repare-se no olhar apreensivo de Tom Cruise. Ele teme pelo seu casamento, pela sua integridade física, e talvez pela sua sanidade mental. A aventura nocturna do Dr. Harford foi mais do que uma fantasia: aconteceu realmente, como o demonstram a máscara, o envelope que lhe é entregue através das grades do portão da mansão, e outros elementos. E, contudo, somos levados a pensar que aquela sucessão de peripécias grotescas e fantásticas (o encontro com a prostituta, a palavra de passe, a orgia mascarada) são demasiado típicas da imaginação perversa de um homem atormentado pelo ciúme e pela tentação do adultério para que possamos acreditar nelas. Com sobriedade, Kubrick coloca-nos num plano infinitamente mais subtil do que a simples dicotomia sonho/realidade. Talvez a angústia do Dr. Harford seja suficientemente potente para transtornar a narrativa que ele habita. Ao transformar uma simples visita à casa de um doente, acabado de falecer, numa rocambolesca e perigosa odisseia, a personagem subverte de dentro para fora a própria ficção que o envolve.
E o filme "mais não é" do que a crónica passiva dessa suprema subversão. Mas também pode ser muito mais do que isso. Não vale a pena é contar com indícios, dicas ou degraus. O que houver para descobrir não se encontra nas ruas daquela Greenwich Village de pacotilha, nem no semi-luxo doméstico da casa dos Harfords. Cabe ao espectador fazer a sua própria viagem até ao fim de alguma coisa. Ou então (sem dúvida mais cómodo), lembrar-se de que se trata "apenas de um filme" e regressar ao que interessa realmente (refiro-me à vida).
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domingo, junho 25, 2006
quarta-feira, junho 21, 2006
terça-feira, junho 20, 2006
- Um voyeur de leituras em lugares públicos é obrigado a apurar o seu sentido de observação, e não irá longe se não for capaz de reconhecer padrões e cores de capas e contracapas, fontes de letra, manchas gráficas, etc., e isto parecendo não querer a coisa, mas querendo a coisa (está bem de ver). Há dias, na linha amarela do metropolitano, o subtil verde das edições de bolso da Mondadori saltou-me à vista. Mal ousando crer na minha sorte, mantive a calma até estar em condições de identificar título e autor. Dino Buzzati, "Un Amore", precisamente o último romance deste autor, e em versão original! Se a isto juntarmos que a leitora estava de pé, e que, dentro de um saco de plástico transparente, guardava um livro de Montesquieu (que não pude identificar), ouso crer que 50 pontos de bónus são amplamente justificados.
- No aeroporto de Fiumicino, em Roma, um cavalheiro lia as "Pensées" de Pascal.
- Na linha verde do metropolitano, uma senhora lia a "Utopia", na edição de bolso da Europa-América.
domingo, junho 18, 2006
- Um enorme enxame de abelhas que, em plena Piazza della Signoria, obrigou à intervenção da polícia e de um apicultor nessa zona de intensa concentração de turistas. De acordo com a minuciosa crónica de um periódico local, o enxame começou por se concentrar na base da estátua de Judite e Holofernes, tendo-se mais tarde deslocado para junto de uma das ninfas da fonte de Neptuno, antes de ser capturado.
- Uma pizzeria sem pizzas na ementa (mas com um excelente polvo salteado em vinho branco e tomate).
- Livrarias de fazer explodir de inveja qualquer português dado aos delicados prazeres da leitura.
- Insuportáveis bandos de estorninhos produzindo estridente algazarra.
- Uma partida de calcio storico que terminou em zaragata generalizada. O calcio storico é um antepassado do futebol, ressuscitado todos os anos sob a forma de um torneio quadrangular entre bairros florentinos, na praça junto à igreja de Santa Croce. A reputação de violência desta modalidade foi, este ano, confirmada para lá de todos os limites do razoável, obrigando à intervenção da polícia (mas não de um apicultor, ver ponto 1) e à suspensão da partida e do torneio. Foi para mim, de certa forma, um alívio saber que aquilo que se passou (e a que assisti parcialmente através da televisão) não era uma partida normal. Por momentos, cheguei a recear que o calcio storico fosse aquilo: uma refrega entre rufiões.
sexta-feira, junho 09, 2006
segunda-feira, junho 05, 2006
quinta-feira, junho 01, 2006
quarta-feira, maio 31, 2006
segunda-feira, maio 29, 2006
quinta-feira, maio 25, 2006
quarta-feira, maio 24, 2006
segunda-feira, maio 22, 2006
domingo, maio 21, 2006
quinta-feira, maio 18, 2006
quarta-feira, maio 17, 2006
terça-feira, maio 16, 2006
domingo, maio 14, 2006
O autor destas linhas faz parte do elenco, mas apressa-se a esclarecer, para alívio geral, que o seu papel é demasiado pequeno para que as probabilidades de arruinar por completo a peça sejam significativas.
(Barnett Newman, "Canto II", 1963)
sábado, abril 22, 2006
Correggio, "O Rapto de Ganimedes", c.1531-1532.
Melhores dias virão!
segunda-feira, abril 17, 2006
quinta-feira, abril 13, 2006
terça-feira, abril 11, 2006
- Durante anos, senti relutância em visitar a Itália, país que muito amo, e onde tive o privilégio de passar alguns meses da minha vida. E essa relutância devia-se a um único homem: Silvio Berlusconi, uma das mais repugnantes figuras da política europeia.
- Por um feliz acaso, Berlusconi perde as eleições legislativas algumas semanas antes de eu voltar a Itália, por motivos profissionais. Dificilmente eu poderia pedir uma situação mais saborosa.
- A meu ver, o repúdio que merece Berlusconi deveria transcender ideologias e clivagens esquerda-direita: é uma questão de mera decência rejeitar a sua herança de incompetência, prepotência, vulgaridade e arrogância, assim como a dos tristes figurões que o acompanharam nesta desventura.
- Berlusconi parece incapaz de reconhecer a derrota, e menciona o exemplo da Alemanha para sugerir uma grande coligação. Talvez, com efeito, a situação alemã seja um bom termo de comparação: se Berlusconi quer imitar Schröder, e, como ele, agarrar-se ao poder a todo o custo, e até aos limites da humilhação, que lhe faça bom proveito.
- Pelos vistos, a Itália está cheia de coglioni. Suficientes, embora à tangente, para dar maioria à coligação de Prodi no parlamento. Quanto ao Senado, acreditou-se durante muito tempo que nele ficariam em maioria os aplicados discípulos de "Sua Emittenza", mas eis que os votos dos italianos no estrangeiro fizeram pender a balança para o outro lado. Pelos vistos, os italianos que emigram são mais coglioni do que os ficam.
- Regozijo-me mais com a derrota de Berlusconi do que com a vitória de Prodi. Porém, acredito que Prodi, graças à sua experiência e prestígio, poderá reunir as melhores condições para congregar esforços e unir interesses diversos de modo a chefiar um governo durável e forte.
- E agora, deseja-se que não se faça esperar em demasia a estreia do último filme de Moretti!
terça-feira, abril 04, 2006
