Este é um dos "quadros negros" de Goya, um dos catorze que ele pintou nos seus últimos anos, nas paredes da "Quinta del Sordo". Muito menos conhecido do que "Saturno devorando o seu filho", é, para mim, muito mais poderoso e impressionante. Tal como aos restantes "quadros negros", Goya não lhe atribuiu um título. Chamaram-lhe "Um cão lutando contra a corrente"; mais tarde, simplesmente, "Um cão". Encontra-se hoje no museu do Prado.
Daniel Arasse, no seu livro "Le Détail", defende que, neste quadro, Goya fez da virtualidade o próprio sentido da obra. E mais afirma:
«Ainsi conçu, le symbole énonce le sens comme une virtualité de l'image, force et puissance active dans cette image, qui échappe cependant à toute explicitation où s'abollirait la présence de l'image et où triompherait un discours dont l'image ne serait que l'équivalent visuel. Le sens intime d'Un chien pourrait bien être ainsi inhérent à l'œuvre elle-même, en être une «inhérence indéchirable» (...). Le sens de l'œuvre pourrait être l'œuvre elle-même, présence d'un objet signifiant, rendu énigmatique par l'opacité même de la peinture qui y fait signe.»
Olhando para este quadro, fico com a impressão de que quase tudo o que importa na história da pintura passa por aqui. (E talvez não só da pintura, e talvez à mistura com algo da ordem da paixão.)




