sábado, março 01, 2008
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Grande venda de obras de arte.
Todas as peças a €20.
Fotografias, pinturas, ilustrações, pautas musicais originais, manuscritos, etc., etc.
Só autores famosos.
Inauguração no dia 1 de Março, pelas 16h00, na Galeria do JUP (Rua Miguel Bombarda, 187, R/C, no Porto).
O produto das vendas será aplicado na produção da revista "aguasfurtadas" 11.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
domingo, fevereiro 10, 2008
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
domingo, fevereiro 03, 2008
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Não celebrar não significa renegar. Sou contrário à ideia de que, de alguma forma, o regicídio macula moralmente a fundação da República. A discussão sobre a legitimidade moral do acto de Manuel Buíça e Alfredo Costa é, julgo, inconsequente. Faz tanto sentido como discutir se a aniquilação do Conde Andeiro foi um gesto reprovável. A História não se compadece com julgamentos de valor copiados e colados do nosso dia-a-dia.
Gosto de viver numa República. Gosto de viver num país cujo líder máximo usufrui da legitimidade do voto. Por mais contestável que esta possa ser, é infinitamente preferível à legitimidade do parentesco, essa ficção iníqua que, aqui e ali, continua a perdurar neste século XXI, como um sonho mau. Os avanços, recuos e arabescos laterais da História que transformaram Portugal naquilo que hoje é merecem, obviamente, estudo aprofundado, mas importam-me menos do que esta constatação: vivo num país cuja figura suprema, ao ser eleita pelos seus cidadãos, tem plena autoridade para os representar e actuar como garante das liberdades constitucionais, essa autoridade de que carece um monarca, bafejado apenas pelos arbítrios da hereditariedade e por uma sugestão, mais ou menos explícita, de Graça divina (o ingrediente mágico das monarquias).
quinta-feira, janeiro 31, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008
- Fejria Deliba e Benoît Régent em "La Bande des Quatre", de Jacques Rivette.
- Laure Marsac e Sandrine Bonnaire em "Secret Défense", de Jacques Rivette.
- Jerzy Radziwilowicz e Emmanuelle Béart em "Histoire de Marie et Julien", de Jacques Rivette.
Julgo recordar-me de uma outra cena, também em "Secret Défense", onde Jerzy Radziwilowicz persuade/força uma das personagens (mas qual delas?) a largar uma arma. Tenho o DVD ao alcance da mão. Assim a minha vida de observador da vida selvagem mo permita, tentarei localizar a cena em questão. Assim que tiver novidades, os leitores serão os primeiros a saber.
Fevereiro e Março serão meses euforicamente vividos sob o signo de Rivette, por ocasião dos 80 anos desse franzino filho de um farmacêutico de Rouen, e da retrospectiva que a Cinemateca lhe dedicará.
domingo, janeiro 27, 2008
O habitat destas simpáticas criaturas concentra-se nas zonas mais inóspitas e inacessíveis da região da East Anglia. Foi um colossal golpe de sorte deparar com uma em pleno centro de Cambridge, a dois passos do museu Fitzwilliam (aberto de terça a sábado das 10 da manhã às 5 da tarde, aos domingos do meio-dia às 5 da tarde, entrada livre).
A minha afinidade para com os esquilos tem já uma longa história. Por exemplo, certa vez um vivaço membro desta espécie atravessou-se à minha frente em pleno parque de Schönbrunn. A princípio, confundi a sua atitude, demasiado amigável, com um gesto de agressividade, quando afinal se tratava somente da natural manifestação de uma apurada vontade de socializar. Considerei a hipótese de o adoptar, mas receei que a mudança de Viena para Lisboa pudesse acarretar consequências negativas para a qualidade de vida do animalzito.
sábado, janeiro 26, 2008
segunda-feira, janeiro 21, 2008

Como xadrezista, foi um dos maiores talentos do século XX. Durante curtos períodos, exerceu um domínio avassalador sobre os seus pares, com poucos paralelos na história da modalidade. (Estou a pensar, em particular, no período que mediou entre o interzonal de Palma de Maiorca de 1970 e o match final do torneio dos candidatos contra Petrossian, em 1971.) A sua carreira foi mais curta e esparsa do que a de outros campeões do mundo, como Lasker, Capablanca, Alekhine, Karpov ou Kasparov, o que forçosamente condiciona qualquer comparação que se pretenda fazer entre eles. O seu estilo era enérgico, agressivo e pragmático.
Como pessoa, era execrável. Durante a sua carreira profissional, era conhecido pelo egocentrismo, pela falta de urbanidade e pelos seus caprichos. Na fase final da sua vida, resvalou por uma arrepiante espiral descendente que o levou à paranóia, ao anti-semitismo e à mania da perseguição. Na sequência dos atentados de 11 de Setembro, declarou "This is all wonderful news". É interessante constatar como o seu enorme talento parece ter servido como atenuante para as suas acções e declarações deploráveis. Até ao seu desaparecimento, nunca faltaram os amigos e ex-amigos prontos a desculparem-no. O governo da Islândia achou por bem conceder-lhe cidadania honorária, o que lhe permitiu viver os seus últimos anos em tranquilidade e segurança.
Fischer foi possivelmente a figura que maior influência e impacto teve no xadrez, na era moderna. O mediatismo que rodeou a sua disputa com Boris Spassky em 1972, que o levou ao título do campeão do mundo, representou um pico de popularidade e visibilidade que o xadrez muito dificilmente voltará a alcançar. Ao morrer, Fischer não se transformou em lenda. Reduzido a uma caricatura de si próprio, era já como lenda que ele sobrevivia no imaginário dos que o admiravam. E ninguém que aprecie o xadrez pode deixar de admirar profundamente aquilo que Fischer nos legou de mais precioso: a sua paixão por este jogo sublime, e as suas partidas.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
quinta-feira, janeiro 10, 2008
terça-feira, janeiro 08, 2008
domingo, janeiro 06, 2008
quarta-feira, janeiro 02, 2008
- Provoca forte e duradoura impressão no espectador.
- Presta-se a que sobre ele se reflicta (o que exclui arrufos e meras reacções do foro visceral).
- Essa impressão interage com os (mais ou menos voláteis) estados de espírito que marcaram uma determinada fase da vida do espectador.
Passando à prática, é com prazer que respondo ao desafio lançado pelo Sérgio do Auto-Retrato (há mais de 2 meses, é certo, um tempo de reacção que faz jus às tradições deste blog):
- "L'Annonce Faite à Marie" (Alain Cuny)
- "Rumble Fish" (Francis Ford Coppola)
- "Shakespeare-Wallah" (James Ivory)
- "Signs & Wonders" (Jonathan Nossiter)
- "All the Vermeers In New York" (Jon Jost)
(5 de entre os 50 ou mais que poderia escolher. Demasiados filmes para tão pouca vida?)
quinta-feira, dezembro 20, 2007
- Perto de Christ's Pieces, um pai de família que devora uma salsicha no pão vê-me a comer uma banana, e comenta «Taken the healthy choice?».
- Um saxofonista interpreta um tema de Norah Jones, perto da entrada do Boots, ofuscando as mini-filarmónicas que povoam as ruas mais concorridas do centro da cidade.
- Na livraria Borders, uma mulher, ao telefone, pergunta «How much into architecture is he?». A resposta parece ter sido categórica, e a pessoa em questão (que espero não seja leitor deste blog) pode contar com um livro sobre as "Houses of Parliament" no sapatinho.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
sábado, dezembro 08, 2007
segunda-feira, dezembro 03, 2007
quinta-feira, novembro 29, 2007
quarta-feira, novembro 28, 2007
segunda-feira, novembro 26, 2007
terça-feira, novembro 20, 2007
quarta-feira, novembro 14, 2007
domingo, novembro 04, 2007
quinta-feira, novembro 01, 2007
- funcionários da Presidência República em greve de zelo devido à presença de figuras da hierarquia católica no protocolo do Estado;
- professores recusando-se a ensinar em salas de aulas enfeitadas com crucifixo;
- funcionários da RTP negando-se a colaborar em transmissões em directo da procissão das velas e na transmissão da mensagem de Natal do cardeal, aos gritos de "Serviço público sim, catequese não!";
- médicos e funcionários de hospitais públicos recusando-se a entrar em quartos onde estivesse presente, em clara violação do princípio da neutralidade religiosa, um capelão assalariado pelo Estado.
Pessoalmente, eu apoiaria todas estas acções.
E você, caro leitor, já praticou hoje algum acto de objecção de consciência?
sábado, outubro 27, 2007
quinta-feira, outubro 18, 2007
quinta-feira, outubro 11, 2007
terça-feira, outubro 09, 2007
O advogado de defesa afirma ter-se tratado de um acto de amor. A advogada da acusação, pouco impressionada, afirma que «en amour, il faut être deux et consentants», assim desqualificando sumariamente toda uma tradição de fetichismos e parafilias que, queira-se ou não, é parte integrante da cultura ocidental.
No meu romance "Aqui Vem o Sol", um assaltante do Rijksmuseum roçava com os lábios um quadro de Odilon Redon, o "Retrato de Violette Heymann", e ficava sem a justa punição.

A arte e a vida imitam-se uma à outra com um desembaraço encantador.
sexta-feira, outubro 05, 2007
quarta-feira, outubro 03, 2007
terça-feira, setembro 25, 2007
sábado, setembro 22, 2007
domingo, setembro 16, 2007
- Donos de bar de compleição robusta e que nunca apertam os botões de cima da camisa (Fred, Xavier).
- Personagens que desaparecem para países longínquos (Eslováquia, Suécia, Austrália) quando expira o seu tempo de vida útil do ponto de vista da economia narrativa da série.
- Personagens sobre cujas cabeças pende ameaça de recambiamento para lugares inóspitos, longe dos amigos e dos Morang'Ices (Alentejo, e novamente a Eslováquia).
- Acções cometidas sob efeito de substâncias alienantes sub-repticiamente introduzidas num alimento de aspecto inocente (lembram-se das tostas de frango do bar do Fred?).
- Agentes da PSP que ajudam a salvar situações delicadas, mas que são sempre intepretados pelos piores actores.
- Casalinhos separados por um infeliz mal-entendido, que se esclarece poucos dias antes do lançamento da nova grelha da TVI.
Aproveito para sugerir que o Duarte poderia ter facilmente reconquistado a Laura se se prontificasse a cortar o cabelo e deixar de usar Crocs. É um erro crasso acreditar que o amor é cego, em vez de apenas um bocadinho hipermétrope.
segunda-feira, setembro 03, 2007
A fotografia publicada não era esta, mas o aspecto de John Updike é este:

Os deslizes acontecem. E há que admitir que não me pareceria de todo inadmissível que a fisionomia do jovem marujo Pynchon tivesse, ao envelhecer, convergido para a imagem da fotografia anterior. Com um pouco de fantasia e de fé, a coisa passa.

Mas a minha representação preferida de Pynchon é, sem qualquer dúvida, esta:
domingo, agosto 12, 2007
- son refus constant des distinctions officielles
- sa conviction qu'«un écrivain qui prend des positions politiques, sociales ou littéraires ne doit agir qu'avec les moyens qui sont les siens, c'est-à-dire la parole écrite [et que] toutes les distinctions qu'il peut recevoir exposent ses lecteurs à une pression [qui n'est] pas souhaitable»
- le constat selon lequel «dans la situation d'aujourd'hui, le prix Nobel se présente objectivement comme une distinction réservée aux écrivains de l'Ouest ou aux rebelles de l'Est».
Aproveito para acrescentar que a "madame Z." a quem é dedicada a obra "Les Mots" era Lena Zonina, intérprete durante a visita de Sartre à URSS.
domingo, agosto 05, 2007
Cette fille, pour qui je n'avais pu éprouver, au cours de l'année, qu'une espèce de pitié honteuse, nous réglait notre compte à tous sur la ligne d'arrivée, et nous réduisait au rang des gamins que nous étions. Coupable ou non, naïve ou rusée, après tout qu'importait? En me privant du droit de la plaindre, Suzanne s'assurait sa vraie revanche.

Se o narrador de "La Carrière de Suzanne" conhecesse a obra de Rohmer, saberia quão vã pode ser esta pergunta: "ingénua ou astuciosa"? Quase todos os filmes de Rohmer exploram situações em que a ambiguidade dos julgamentos morais é fruto de uma indefinição entre o acaso, a intenção e uma versão marcadamente laica e terrena da predestinação. Tal como o Gaspard de "Conte d'Été", como a Haydée de "La Collectionneuse", até como a Marquesa de O... na adaptação da obra de Kleist, Suzanne pode ser vista como uma estratega sagaz ou como uma personagem que se limita a viver os eventos que ocorrem, independentes da sua vontade. Culpada ou não? Responsável ou não? Este tipo de perguntas nunca perderão a sua pertinência na filmografia de Rohmer, embora raras vezes sejam colocadas de maneira tão explícita. Sobre toda a obra deste cineasta pairam as armadilhas conceptuais subjacentes à possibilidade de formular juízos de valor. Não há realizador que atribua tanta importância à moral, não há realizador menos prescriptivo.
Uma das minhas cenas favoritas deste filme é uma cena que me parece totalmente gratuita (algo de pouco comum em Rohmer), em que as três personagens principais se entregam a uma pouco séria sessão de espiritismo. Trata-se de uma cena longa, na qual, à medida que a mensagem do "espírito de D. Giovanni" vai sendo decifrada, Rohmer intercala curtas imagens fixas de objectos do apartamento onde se desenrola a acção. Essas curtíssimas inserções, à maneira de vinhetas desinseridas de qualquer lógica de "raccord", podem talvez não ter outra função que não seja a de representar a própria duração temporal da cena, e a de sublinhar visualmente, de forma bem-humorada, a nula relevância da cena para a história. (Claro que tudo isto pode ser mero resultado da minha falta de perspicácia para detectar a função dessa cena e dessa opção de montagem.) Mais tarde, a gratuidade nos filmes de Rohmer haveria de se exprimir preferencialmente sob a forma de apontamentos de cariz etnográfico/turístico (a geografia urbana de Nevers em "Conte d'Hiver", os relatos sobre a pesca de alto mar em "Conte d'Été"...), deliciosamente supérfluos.
Para finalizar: gosto muito de uma coisa que António Rodrigues diz, na folha da Cinemateca dedicada à dupla sessão "La Boulangère de Monceau"/"La Carrière de Suzanne": «(...)como todo [o] classicista Rohmer tem a noção exacta das proporções», isto a propósito de todos os seus filmes terem a duração "certa". Sem dúvida que Rohmer é um classicista, e a sua obra arrebatadora surge como demonstração eloquente de que classicismo e liberdade criativa estão longe de ser inconciliáveis.
(Um classicista, um moderno e um criador livre? Mas isso são três desejos, não é possível...)
quinta-feira, agosto 02, 2007

Comparativamente a Bergman, a minha relação com o cinema de Antonioni era menos forte. Ou, pelo menos, é essa a minha convicção, facilmente abalável quando me recordo de obras tão poderosas como "La Notte", "Il Deserto Rosso", "Blow up", "L'avventura" e "Zabriskie Point" (estes últimos os meus três favoritos). Antonioni é um caso invulgar na história do cinema por se tratar de um realizador que, apesar de uma vida e uma carreira muito longas (passaram-se 61 anos entre "Gente del Po" e o episódio de "Eros"), tem as suas principais obras-primas concentradas numa só década, os anos 60. É claro que entra aqui uma importante dose de opinião pessoal: considero os seus filmes a partir de "Professione: Reporter" (inclusive) inferiores aos que acima citei.
Foi gratificante ler que Augusto M. Seabra considera "Zabriskie Point" uma das obras mais subestimadas da história do cinema. Vi este filme na adolescência, na RTP, e na altura marcou-me com intensidade. Faz parte daquele conjunto de filmes em relação aos quais, por uma questão de curiosidade algo mórbida, me pergunto se resistiriam a um segundo visionamento tanto tempo depois do primeiro. (Curiosamente, revi recentemente a cena da explosão no deserto que faz parte deste filme, numa conferência de Delfim Sardo.)
Um dos comentários mais oportunos que li sobre os desaparecimentos de Bergman e Antonioni foi da autoria de Fernando Lopes, que afirmou (cito de memória) tratar-se do fim de uma certa ideia de cinema. De facto, juntamente com Resnais (felizmente ainda vivo, mas para quando seu último filme em salas portuguesas?), Fellini, e mais um punhado de realizadores, Bergman e Antonioni personificavam um cinema de autor com impacto e significado ao nível do grande público, caixa de ressonância do mundo contemporâneo e das suas contradições. Aos seus sucessores (penso em Moretti, Wenders, von Trier, Almodóvar, entre outros cujo programa passa pela coexistência entre a exigência artística e a vontade de alcançar uma audiência significiativa) não falta necessariamente talento; falta, isso sim, o prestígio e a relevância que outras gerações atribuíram ao cinema. Não têm culpa da trivialização a que o cinema tem vindo a ser condenado, da sua subalternização relativamente a formas massificadas de distribuição de imagem em movimento.
Uma das razões pela qual o falecimento, no mesmo dia, destes dois cineastas foi uma amarga ironia do destino foi a maneira exemplar como cada um deles ilustra duas das principais correntes do cinema mundial das últimas décadas. Bergman pertence à linhagem daqueles, como Buñuel, Fellini, Lynch e (até certo ponto) Tarkovsky, que privilegiavam a transposição de fantasmas e obsessões pessoais para a tela, e a tradução pictórica do seu universo pessoal. Quanto a Antonioni, a sua abordagem analítica e impessoal aparenta-o a Godard, Resnais, Greenaway e Bresson. (Claro está que esta classificação se afigura problemática em muitos casos: de que lado da trincheira se poderiam colocar Pasolini, Fassbinder...?)
(Na imagem, David Hemmings em "Blow up".)






