terça-feira, dezembro 16, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008
terça-feira, novembro 18, 2008
domingo, novembro 02, 2008
Foto Eugeny Atarov, retirada daqui.
Viswanathan Anand (Índia) manteve o título de campeão mundial de xadrez. Vladimir Kramnik (Rússia) precisava de vencer as duas últimas partidas para forçar os desempates, mas ficou-se por um empate na 11ª e penúltima. Anand mais uma vez surpreendeu o adversário na abertura, ao sair com peão de rei (o seu lance mais habitual, mas de que abdicara ao longo deste encontro em favor de 1.d4, peão de dama). Confrontado com a necessidade de vencer com negras, e sabendo que as suas respostas mais habituais ao peão de rei (como a defesa Russa) são quase inofensivas, Kramnik optou por uma Siciliana Najdorf. Porém, a sua falta de familiaridade com esta abertura levou a que Anand anulasse as tentativas negras de complicar o jogo, sem dificuldades de maior. Foi o próprio Kramnik quem propôs o empate, apesar de isso significar a sua derrota no encontro. Na posição final, havia até ligeira vantagem para Anand.
Não li um único comentário em que o triunfo de Anand não fosse considerado amplamente merecido. O indiano dominou claramente a primeira metade do encontro, alcançando duas vitórias brilhantes, com negras, na mesma variante (Merano) do Gambito de Dama, pondo em evidência a superioridade da sua preparação teórica. Seguiu-se uma vitória com brancas, numa Nimzo-Índia. Na segunda metade do encontro, Kramnik conseguiu reequilibrar a balança, e obteve uma vitória (também com uma Nimzo-Índia) notável, bem ao seu estilo posicional e subtil. Mas era tarde demais.
Pela primeira vez desde 1993 existe um campeão mundial de xadrez incontestado. Para mim, e para quase todos, não existiam já dúvidas de que Anand era o campeão, depois da sua vitória num torneio realizado no México, realizado pelo único organismo que reúne legitimidade para atribuir o título (Federação Internacional de Xadrez, FIDE). Com este triunfo em Bona, ele satisfez os irredutíveis (e ruidosos) adeptos que defendem o match (sequência de um número pré-definido de partidas entre dois jogadores) como o único meio aceitável para determinar o campeão do mundo.
Aqueles que, durante anos, se digladiaram em blogs, fóruns, listas de difusão e (presumo eu) cafés, autocarros e jardins públicos para determinar quem era o verdadeiro campeão do mundo, entretêm-se agora a debater, em retrospectiva, quem foi o campeão do mundo durante o período do cisma (iniciado em 1993, e apenas agora definitivamente encerrado). Vale a pena espreitar estas trocas de mimos para se perceber a que extremos de rudeza e virulência podem chegar estas discussões sobre temas completamente ignorados por 99,99... % da população mundial.
terça-feira, outubro 28, 2008
sexta-feira, outubro 24, 2008
quarta-feira, outubro 22, 2008
Anand está à esquerda, na figura, promovendo o seu peão "g" a Dama no final da 6ª partida.
A história recente do campeonato do mundo de xadrez tem sido tão complexa, tão convoluída, tão recheada de peripécias mirabolantes e cisões acrimoniosas, que é um alívio poder garantir a quem esteja menos dentro do assunto que, desta vez, irá sai deste encontro um campeão do mundo incontroverso e reconhecido universalmente. Para mim, e para 95 % dos aficionados, Anand já é campeão do mundo desde 2007, altura em que triunfou num torneio fechado, realizado na Cidade do México, destinado à atribuição do título, e reconhecido universalmente como tal. Porém, muitos apoiantes de Kramnik continuaram a ver neste o único herdeiro do título "clássico", último de uma linhagem cuja origem remonta a 1886, quando Wilhelm Steinitz bateu Johannes Zukertort (e o próprio Kramnik, em entrevistas, defendeu esta teoria com frequência). Chegou agora o momento do tira-teimas decisivo. Só uma obstinação patológica poderá levar alguém a negar que o vencedor do encontro de Bona é o campeão mundial de xadrez. (O leitor interessado encontrará aqui informação histórica bastante exaustiva sobre este assunto.)
Até agora, a contenda tem sido de sentido único. Anand levou a melhor em 3 das primeiras 6 partidas (de um total de 12), e lidera por 4,5-1,5. Anand tem-se superiorizado a Kramnik em todas as fases do jogo, em particular na preparação teórica ao nível das aberturas. A este nível, recuperar de uma desvantagem de 3 derrotas em 6 partidas é tarefa quase impossível. Pessoalmente, torço por Anand, por duas razões. Em primeiro lugar, o estilo do indiano, fluido e versátil (muitas vezes comparado ao do ex-campeão do mundo Boris Spassky), agrada-me mais do que o de Kramnik, mais posicional, pragmático e conservador. É certo que o meu jogador preferido de todos os tempos, Anatoly Karpov, possuía um estilo que também primava pelo pragmatismo e pelo sentido posicional, porém mais rico e menos unidimensional. Em segundo lugar, desagrada-me em Kramnik a sua atitude, nos limites do cinismo, e a forma calculista como tem gerido a sua carreira, desprezando os torneios e focalizando-se quase exclusivamente na manutenção de um título mundial cuja legitimidade nunca foi branca como a neve. O campeonato mundial de xadrez está a ser acompanhado pela vasta equipa de enviados especiais do 1bsk, que inclui numerosos grandes-mestres e mestres internacionais. (Mentira, sou só eu e estou em Telheiras.) Página oficial. Outros sites com cobertura do evento.sábado, outubro 18, 2008
domingo, outubro 12, 2008
sexta-feira, outubro 10, 2008
domingo, outubro 05, 2008
sexta-feira, outubro 03, 2008
- "Ce que Mes Yeux Ont Vu", de Laurent de Bartillat. O tema (uma estudante obcecada com os quadros de Watteau) tenta-me, e a presença de Sylvie Testud e de Jean-Pierre Marielle (o inesquecível Sainte-Colombe de "Tous les Matins du Monde") são argumentos a favor.
- "Paris", de Cédric Klapisch. Klapisch está longe de ser um realizador de peso, mas o título do filme e o elenco (Juliette Binoche, Romain Duris, Fabrice Luchini) pesam do lado certo da balança.
- "Le Silence de Lorna", de Jean-Pierre e Luc Dardenne. "Rosetta" não me convenceu completamente, mas sinto vontade de dar nova oportunidade aos dois irmãos belgas.
- "Un Baiser s'il Vous Plaît" e "Vénus et Fleur", de Emmanuel Mouret. De Mouret, conheço "Laissons Lucie Faire", filme cujo humor, na fronteira entre a ingenuidade e a palermice minimalista, funcionava contra todas as expectativas. A propósito deste último filme, no programa da Festa, fala-se na herança de Guitry, Rohmer e Woody Allen. Eu não iria tão longe, mas Mouret merece sem dúvida alguma atenção. Para além do próprio realizador, Virginie Ledoyen e Julie Gayet fazem parte do elenco de "Un Baiser...".
- "Bord de Mer", de Julie Lopes-Curval. Gostei do resumo. Entra Bulle Ogier.
- "Tout Est Pardonné", de Mia Hansen-Løve. A realizadora é uma ex-crítica dos "Cahiers", um dos melhores predicados que se pode apresentar (a linhagem vem de Rohmer, Godard, Truffaut e Rivette, e passa por Téchiné, Biette, Bonitzer...).
- "Le Voyage aux Pyrénées", de Jean-Marie e Arnaud Larrieu. Os irmãos Larrieu têm construído uma obra singular e digna de atenção. Gostei de "Fin d'Été", pequeno filme quase amador, mas que já evidenciava arrojo e desenvoltura. Quanto a "Peindre ou Faire l'Amour", embora não isento de aspectos discutíveis (e mau grado o irritante Sergi Lopez), agradou-me muito mais do que à generalidade da crítica. Quanto a este filme, o resumo não me entusiasma, mas está claro que perder uma oportunidade de ver a sempre excelente Sabine Azéma é acto equiparável a contra-ordenação grave.
- "Entr'acte", de René Clair. Curta-metragem histórica, de 1924, onde se assiste a uma partida de xadrez entre Marcel Duchamp e Man Ray.
- "La Traversée de Paris", de Claude Autant-Lara. Clássico (1956) de um cineasta, relegado ao esquecimento pela Nouvelle Vague, que, nos últimos anos da sua longa vida, derivou para as paragens mal frequentadas da extrema-direita francesa.
- "Monsieur Klein", de Joseph Losey. Há dias, em conversa, exprimi-me de forma muito negativa sobre o talento de Alain Delon, esquecendo-me de "Le Samouraï" de Melville, esquecendo-me de "Nouvelle Vague" de Godard. Ver este filme seria, espero, uma maneira de confirmar a injustiça dessa minha opinião leviana.
segunda-feira, setembro 29, 2008
Não faltará, a propósito da morte de Paul Newman, quem fale no "último dos clássicos", ou no "último dos grandes", ou no "último dos monstros sagrados". Estas expressões são frequentemente usadas em alusão a uma suposta idade de ouro do cinema, irremediavelmente pretérita, e que não admite comparações com os tempos de hoje. Mas a grandeza não pode ser refém de nostalgias preguiçosas. Paul Newman foi um dos maiores porque teve o talento e a coragem para, durante a sua longa carreira, impor a sua personalidade aos papéis que encarnou, estendendo um longo fio, indelevelmente humano, que atravessa a sua filmografia. Tal como outros seus parceiros na excelência (James Stewart, Cary Grant, e mais uns quantos), Paul Newman legou à posteridade a sua presença, uma resiliência que tem tanto de moral como de artístico, o hábito do tom justo, um virtuosismo discreto mas subtilmente enérgico, e tantas mais coisas que hão-de ser recordadas com saudade muito tempo depois de as tonitruantes acrobacias de um Daniel Day-Lewis terem caído no esquecimento.
sábado, setembro 27, 2008
domingo, setembro 21, 2008
quinta-feira, setembro 18, 2008
domingo, setembro 14, 2008
sábado, setembro 13, 2008
domingo, setembro 07, 2008
sábado, setembro 06, 2008
domingo, agosto 31, 2008
- Steeve Guénot (luta greco-romana, 66 kg)
- Alain Bernard (natação, 100m livres)
- Equipa masculina de sabre (esgrima)
- Equipa masculina de espada (esgrima)
- Anne-Caroline Chausson (ciclismo, BMX, individual)
- Julien Absalon (ciclismo, VTT, individual)
- Equipa masculina (andebol)
A França obteve um total de 40 medalhas (7 de ouro, 16 de prata, 17 de bronze). Isto representa, em comparação com o que sucedera há 4 anos, em Atenas, menos medalhas de ouro (7 contra 11) mas mais medalhas no total (40 contra 33). A França ganhou medalhas nas seguintes modalidades: ciclismo, esgrima, luta greco-romana, natação, andebol, atletismo, pugilismo, canoagem, ginástica, halterofilia, judo, vela, remo, taekwondo, tiro e tiro com arco, ou seja um notável total de dezasseis modalidades. Estes números ilustram bem o que foi a participação da equipa francesa nestes Jogos: um grande número de atletas de muito alto nível em diversas modalidades, uma dispersão muito considerável das medalhas por disciplinas diferentes, mas, ao mesmo tempo, a ausência de um grande campeão (Alain Bernard seria o único candidato) capaz de deixar a sua marca e de servir de rosto para o sucesso da delegação, como o fizeram, em tempos idos, atletas como David Douillet, Laure Manaudou ou Laura Flessel.
- Correr como barata tonta atrás dos atletas portugueses, atribuindo prioridade absoluta aos seus desempenhos e às suas reacções, tanto as que acabaram por entrar para o anedotário nacional como as que não entraram.
- Repetir as notícias e reportagens relativas aos portugueses vezes sem conta, até à náusea.
- Quando o número de repetições excedesse os padrões da pouca vergonha (já nem falo dos padrões do bom senso), mostrar o Michael Phelps: Michael Phelps a nadar, Michael Phelps a ouvir música antes de uma prova, Michael Phelps a celebrar, Michael Phelps a trautear "The Star-Spangled Banner", Michael Phelps a mostrar SMSs no seu telemóvel em plena conferência de imprensa.
- Quando já tudo tinha sido dito sobre Michael Phelps, mostrar mais Michael Phelps, ou mostrar cidadãos anónimos (Kobe quê???) a falar sobre Michael Phelps.
- Quando, por acaso ou por descuido, Michael Phelps e as soporíferas controvérsias derivadas das declarações de Marco Fortes ou Vicente de Moura cediam o tempo de antena a transmissões das modalidades, atribuir preferência àquelas modalidades que merecem destaque durante o resto do ano (futebol, ténis), evitando a todo o custo a divulgação de modalidades menos vistas.
Tudo isto na companhia de Laura Santos e de Paulo Catarro, dois exemplos instrutivos de falta de dinâmica e nula presença televisiva. Junte-se a isto a inexplicável decisão de repetir, diariamente, e quase palavra por palavra, no jornal olímpico da RTP2 o que fora dito no jornal olímpico da RTP1, meia hora antes (em benefício dos milhões de telespectadores que têm acesso ao segundo mas não ao primeiro canal); as inúmeras imprecisões na divulgação de resultados (uma das mais hilariantes consistiu no aparecimento de uma bandeira do Chile, em vez da China, no topo do quadro das medalhas); o desastroso sentido do timing (um exemplo entre muitos: interrupção da transmissão do atletismo nos momentos decisivos do lançamento do peso masculino, para passar publicidade institucional). A mensagem é clara: ou por falta de meios, ou por falta de hábito de lidar com as grandes competições desde o aparecimento da SporTV, não se pode contar com a televisão pública para cobrir com eficácia qualquer evento de maior envergadura do que uma supertaça de futsal, ou um concurso de saltos de cavalo no Campo Grande.
quinta-feira, agosto 28, 2008
domingo, agosto 24, 2008
sábado, agosto 23, 2008
quarta-feira, agosto 20, 2008
domingo, agosto 17, 2008
quarta-feira, agosto 13, 2008
sexta-feira, agosto 01, 2008
domingo, julho 27, 2008
sábado, julho 26, 2008
Serei eu o único a ver algo de ominoso e de inquietante neste final, na aparência supremamente feliz? Mais uma vez contrariando aquilo que MCF sugere, não me parece que a tempestade seja uma manifestação dos sentimentos da personagem de Gish. De entre todos os planos do filme, talvez seja este que mais se afasta dessa explicação romântica e psicologizante. Na sua comovente fragilidade, estes corpos enfrentam um poder exterior, independente de qualquer estado psicológico, vontade, verosimilhança ou sentido de justiça. O que se ergue contra as personagens é algo de mais inquietante do que o Mal: é a arbitrariedade da natureza, a sua colossal e imperturbável inumanidade. Pode ser que a fé, a coragem e o amor cheguem para vencer esse poder. Mas nada, nem o bom senso nem as convenções do cinema, nos permitem saber qual dos contendores, separados por uma imaterial soleira de porta, levará a melhor.
domingo, julho 20, 2008
quarta-feira, julho 16, 2008
(Citações retiradas de "Colour in art", John Gage, Thames & Hudson.)
terça-feira, julho 15, 2008
domingo, julho 13, 2008
sábado, julho 12, 2008
Para quem conhece a zona, não fica longe do café/restaurante da cadeia "Coffee & Pot", cuja tão badalada sanduíche "Enigma" (beringela, queijo de cabra e bifana) continua a dividir opiniões, e que veio oferecer uma interessante alternativa de restauração aos frequentadores da Cinemateca. Sim, porque o próprio restaurante da Cinemateca continua sem me convencer, seja ao nível da ementa, da eficiência do serviço ou da decoração (Marisol ao lado de Marguerite Duras???).
domingo, julho 06, 2008




