(Henri Matisse, "A Cortina Amarela", 1914-15)
quarta-feira, junho 17, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
domingo, junho 14, 2009
quinta-feira, junho 11, 2009
(Sentir-me-ia mal com a minha consciência caso não deixasse uma palavra de apreço para a terceira personagem da peça: um ponto vestido de ave que parecia saída da Rua Sésamo. A sua dança silenciosa arrancou algumas das mais sonoras gargalhadas da noite.)
segunda-feira, junho 01, 2009
terça-feira, maio 26, 2009
domingo, maio 24, 2009
quarta-feira, maio 20, 2009
domingo, maio 17, 2009
terça-feira, maio 12, 2009
segunda-feira, maio 04, 2009
quinta-feira, abril 30, 2009
domingo, abril 26, 2009
segunda-feira, abril 20, 2009
"La Mujer sin Cabeza" é um filme magnífico. Gostei ainda mais dele do que de "La Ciénaga" e "La Niña Santa". Poucos realizadores contemporâneos correm de forma tão decidida o risco de filmar o invisível e o indizível. Martel aposta desassombradamente numa via abstractizante, mas servindo-se para isso da dimensão plástica, dos corpos e dos movimentos de câmara. Numa situação narrativa em que o colapso e a desagregação mental são uma ameaça permanente, o cinema e as suas improváveis lógicas aparecem, paradoxalmente, como a única hipótese de manter um símile de coerência. É essa a tensão que atravessa este filme, é essa a tensão que Martel não resolve nem liberta, até ao final.
A maneira de filmar de "La Mujer sin Cabeza" pode ser vista como um amadurecimento do estilo que estava já presente nos filmes anteriores. Eu não chamo a isto "repetir-se". Chamo a isto perseverança, busca, fidelidade às ideias.
- a imagem de funcionários de ministério arquitectando estratégias para converter alunos das escolas 2+3 em debochados?
- a alacridade com que o autor, depois de acusar o ministério de estar a impor ao país a sua ideologia, vem falar em nome de Portugal inteiro ("o pudor é uma atitude natural e civilizada")?
- a singeleza com que proclama que "em todo o mundo as juras de amor continuam a ser eternas", enganando-se não só no século, como no planeta?
- o gambito final, em que logra associar o puritano Salazar e o ascético Cunhal a uma diatribe contra a lascívia ensinada a petizes?
Perante isto, parece-me ocioso recomendar que não percam o "Destak" das quintas-feiras. Este jornal gratuito é distribuído em estações de metro, aglomerações, estabelecimentos comerciais e semáforos. É certo que as crónicas estão também disponíveis online, mas não é a mesma coisa, não, não é a mesma coisa.
quarta-feira, abril 15, 2009
terça-feira, abril 07, 2009
domingo, abril 05, 2009
terça-feira, março 31, 2009
terça-feira, março 24, 2009
sexta-feira, março 20, 2009
terça-feira, março 17, 2009
- Os críticos dizem sempre mal dos filmes populares.
Existem muitas outras, como por exemplo (um autêntico campeão de vendas):
- Os ateus também são crentes, porque crêem na não existência de Deus.
Tudo isto teria reduzida importância se não se desse o caso de estas guerras de alecrim e manjerona ocuparem o espaço e o tempo que poderia ser empregue a discutir questões, essas sim, essenciais. Por exemplo: quais as condições, na imprensa escrita portuguesa actual, para o desenvolvimento de um discurso crítico sério sobre cinema, continuado, não espartilhado pelas contingências do calendário de estreias?
quarta-feira, março 11, 2009
segunda-feira, março 09, 2009
domingo, março 08, 2009
quinta-feira, março 05, 2009
quarta-feira, março 04, 2009
- "Awakenings" foi a rampa de lançamento de Robert De Niro.
- "Oficial e Cavalheiro" é um filme que agarra realmente as audiências e levanta os espíritos de todos.
- "Chinatown" é considerado por muitos o melhor roteiro [sic] da história do cinema.
- Em "La Dolce Vita", Fellini critica a estrutura de classes.
- Fellini realizou um filme intitulado "Dois Ursos de Prata".
- Antonioni tirava o máximo partido da composição e da cor. (Esta afirmação não é, por si, disparatada, mas surge num texto descritivo a propósito de uma caixa de 4 filmes que são todos a preto e branco: "La Signora Senza Camelie", "I Vinti", "Le Amiche" e "Il Grido".)
- F. Scott Fitzgerald (1896-1940) foi um dos escritores americanos mais célebres do século XIX.
Mas não quero ser demasiado severo: foi graças a este mesmo catálogo que fiquei a saber que Boris Kaufman (irmão de Dziga Vertov e autor da fotografia de todos os filmes de Jean Vigo) ganhou um óscar por "On the Waterfront", de Elia Kazan. Honestamente, não fazia ideia.
terça-feira, março 03, 2009
Oh Manchester, so much to answer for... (The Smiths)
segunda-feira, março 02, 2009
domingo, março 01, 2009
terça-feira, fevereiro 17, 2009
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
domingo, fevereiro 08, 2009
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
sábado, janeiro 31, 2009
segunda-feira, janeiro 26, 2009
domingo, janeiro 25, 2009
terça-feira, janeiro 20, 2009
domingo, janeiro 18, 2009
terça-feira, janeiro 13, 2009
- "L'Amour par Terre", de Jacques Rivette
- "The Scarlet Empress", de Josef von Sternberg
- "True Heart Susie", de D.W. Griffith
- "Distant Voices, Still Lives", de Terence Davies
- "The Wind", de Victor Sjöström
- "Paris Vu Par...", de Douchet, Rouch, Pollet, Rohmer, Godard e Chabrol
- "10 on Ten", de Abbas Kiarostami
- "Muriel ou le Temps d'Un Retour", de Alain Resnais
- "Le Genou d'Artemide"/"Itinéraire de Jean Bricard", de Straub e Huillet
- "Un Baiser s'il vous Plaît", de Emmanuel Mouret
- "L'Aimée", de Arnaud Desplechin
domingo, janeiro 11, 2009
- "Syndromes and a Century", de Apichatpong Weerasethakul (em Cambridge)
- "No Country for Old Men", dos irmãos Coen
- "Ne Touchez Pas la Hache", de Jacques Rivette (em Cambridge)
- "Three Times", de Hou Hsiao-Hsien
- "I'm Not There", de Todd Haynes
- "Nightwatching", de Peter Greenaway
- "Les Amours d'Astrée et de Céladon", de Éric Rohmer
- "Aquele Querido Mês de Agosto", de Miguel Gomes
- "Mal Nascida", de João Canijo
- "La Frontière de l'Aube", de Philippe Garrel
Seguir-se-á a lista dos filmes vistos na Cinemateca ou em festivais.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
- "Americana", de Don DeLillo
- "O Homem ou É Tonto ou É Mulher", de Gonçalo M. Tavares
- "Paisagem Sem Barcos", de Maria Judite de Carvalho
E ainda "Antigos Mestres", o meu primeiro Thomas Bernhard. Um dos melhores livros que me passou ultimamente pelas mãos. Espero escrever alguma coisa sobre ele, em breve.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
segunda-feira, janeiro 05, 2009
terça-feira, dezembro 16, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008
terça-feira, novembro 18, 2008
domingo, novembro 02, 2008
Foto Eugeny Atarov, retirada daqui.
Viswanathan Anand (Índia) manteve o título de campeão mundial de xadrez. Vladimir Kramnik (Rússia) precisava de vencer as duas últimas partidas para forçar os desempates, mas ficou-se por um empate na 11ª e penúltima. Anand mais uma vez surpreendeu o adversário na abertura, ao sair com peão de rei (o seu lance mais habitual, mas de que abdicara ao longo deste encontro em favor de 1.d4, peão de dama). Confrontado com a necessidade de vencer com negras, e sabendo que as suas respostas mais habituais ao peão de rei (como a defesa Russa) são quase inofensivas, Kramnik optou por uma Siciliana Najdorf. Porém, a sua falta de familiaridade com esta abertura levou a que Anand anulasse as tentativas negras de complicar o jogo, sem dificuldades de maior. Foi o próprio Kramnik quem propôs o empate, apesar de isso significar a sua derrota no encontro. Na posição final, havia até ligeira vantagem para Anand.
Não li um único comentário em que o triunfo de Anand não fosse considerado amplamente merecido. O indiano dominou claramente a primeira metade do encontro, alcançando duas vitórias brilhantes, com negras, na mesma variante (Merano) do Gambito de Dama, pondo em evidência a superioridade da sua preparação teórica. Seguiu-se uma vitória com brancas, numa Nimzo-Índia. Na segunda metade do encontro, Kramnik conseguiu reequilibrar a balança, e obteve uma vitória (também com uma Nimzo-Índia) notável, bem ao seu estilo posicional e subtil. Mas era tarde demais.
Pela primeira vez desde 1993 existe um campeão mundial de xadrez incontestado. Para mim, e para quase todos, não existiam já dúvidas de que Anand era o campeão, depois da sua vitória num torneio realizado no México, realizado pelo único organismo que reúne legitimidade para atribuir o título (Federação Internacional de Xadrez, FIDE). Com este triunfo em Bona, ele satisfez os irredutíveis (e ruidosos) adeptos que defendem o match (sequência de um número pré-definido de partidas entre dois jogadores) como o único meio aceitável para determinar o campeão do mundo.
Aqueles que, durante anos, se digladiaram em blogs, fóruns, listas de difusão e (presumo eu) cafés, autocarros e jardins públicos para determinar quem era o verdadeiro campeão do mundo, entretêm-se agora a debater, em retrospectiva, quem foi o campeão do mundo durante o período do cisma (iniciado em 1993, e apenas agora definitivamente encerrado). Vale a pena espreitar estas trocas de mimos para se perceber a que extremos de rudeza e virulência podem chegar estas discussões sobre temas completamente ignorados por 99,99... % da população mundial.
terça-feira, outubro 28, 2008
sexta-feira, outubro 24, 2008
quarta-feira, outubro 22, 2008
Anand está à esquerda, na figura, promovendo o seu peão "g" a Dama no final da 6ª partida.
A história recente do campeonato do mundo de xadrez tem sido tão complexa, tão convoluída, tão recheada de peripécias mirabolantes e cisões acrimoniosas, que é um alívio poder garantir a quem esteja menos dentro do assunto que, desta vez, irá sai deste encontro um campeão do mundo incontroverso e reconhecido universalmente. Para mim, e para 95 % dos aficionados, Anand já é campeão do mundo desde 2007, altura em que triunfou num torneio fechado, realizado na Cidade do México, destinado à atribuição do título, e reconhecido universalmente como tal. Porém, muitos apoiantes de Kramnik continuaram a ver neste o único herdeiro do título "clássico", último de uma linhagem cuja origem remonta a 1886, quando Wilhelm Steinitz bateu Johannes Zukertort (e o próprio Kramnik, em entrevistas, defendeu esta teoria com frequência). Chegou agora o momento do tira-teimas decisivo. Só uma obstinação patológica poderá levar alguém a negar que o vencedor do encontro de Bona é o campeão mundial de xadrez. (O leitor interessado encontrará aqui informação histórica bastante exaustiva sobre este assunto.)
Até agora, a contenda tem sido de sentido único. Anand levou a melhor em 3 das primeiras 6 partidas (de um total de 12), e lidera por 4,5-1,5. Anand tem-se superiorizado a Kramnik em todas as fases do jogo, em particular na preparação teórica ao nível das aberturas. A este nível, recuperar de uma desvantagem de 3 derrotas em 6 partidas é tarefa quase impossível. Pessoalmente, torço por Anand, por duas razões. Em primeiro lugar, o estilo do indiano, fluido e versátil (muitas vezes comparado ao do ex-campeão do mundo Boris Spassky), agrada-me mais do que o de Kramnik, mais posicional, pragmático e conservador. É certo que o meu jogador preferido de todos os tempos, Anatoly Karpov, possuía um estilo que também primava pelo pragmatismo e pelo sentido posicional, porém mais rico e menos unidimensional. Em segundo lugar, desagrada-me em Kramnik a sua atitude, nos limites do cinismo, e a forma calculista como tem gerido a sua carreira, desprezando os torneios e focalizando-se quase exclusivamente na manutenção de um título mundial cuja legitimidade nunca foi branca como a neve. O campeonato mundial de xadrez está a ser acompanhado pela vasta equipa de enviados especiais do 1bsk, que inclui numerosos grandes-mestres e mestres internacionais. (Mentira, sou só eu e estou em Telheiras.) Página oficial. Outros sites com cobertura do evento.





