domingo, março 21, 2010
terça-feira, março 16, 2010
quarta-feira, março 10, 2010
sábado, março 06, 2010
quarta-feira, março 03, 2010
segunda-feira, março 01, 2010
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
Estou a tentar pensar num comentário sobre este livro que seja ao mesmo tempo mordaz, sofisticado, irónico e profundo, mas o meu gato não me deixa em paz e é impossível concentrar-me.
(Como não dar razão, perante isto, a José Manuel Fernandes?)
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Há uns dias cometi uma proeza. Numa só noite, revi o magnífico filme "La Chinoise", de Godard, e não vi "A Bela e o Paparazzo", de António-Pedro Vasconcelos, auto-proclamado dissidente do cinema europeu. Mas seria ir longe demais reivindicar que decidi ler um romance de François Mauriac por ele ser avô de uma das actrizes do filme (Anne Wiazemsky). Os motivos foram outros: o livro estava a 1 euro nos últimos saldos da Buchholz, e tenho um fraco por romances que se passam no meio moralmente corrupto e hipócrita de uma certa burguesia francesa.
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Nada disto seria relevante, nem digno de especial admiração, se a sensibilidade do homem por detrás da câmara fosse medíocre, se a sua ambição fosse mesquinha. Mas a ambição de Rohmer era desmesurada, a sua sensibilidade era aguda e poderosa. Rohmer nunca deixou de se situar na delicadíssima encruzilhada da vontade, do desejo e do comportamento social e moral. Todas as suas personagens atravessam essa zona, tão misteriosa e paradoxal como a que Tarkovsky sugeriu em "Stalker"; todas elas revelam o seu lado absurdo e profundamente humano no preciso instante em que o livre arbítrio, o acaso e uma versão profana e corriqueira do destino se equivalem e determinam o desfecho. Foi essa a maior de todas as ousadias: em vez de se conformar com receitas e aproximações, Rohmer mostrou-nos mulheres e homens que agem (com diferentes gradações de consciência dos próprios actos) e que sofrem, sozinhos no mundo nesse momento da decisão, que tanto pode ser activa como redundar num abandono à sorte e à concidência (Melvil Poupaud em "Conte d'Été", Charlotte Véry em "Conte d'Hiver", Marie Rivière em "Le Rayon Vert"...).
Acima de tudo, os filmes de Rohmer são obras dotadas de uma coerência e intensidade estéticas singulares. Rohmer filmou, ao longo das décadas, como se o amor, o desgosto, a solidão e o desejo fossem os únicos temas dignos. Filmou com a convicção de que o mundo, as paisagens, as ruas, os apartamentos eram cenário suficientemente nobre para conter a gravidade palavrosa dos seres humanos, e que a linguagem viva do cinema, que ele ajudou a criar, era um instrumento privilegiado para a transmitir. Todos lhe devemos muito. Cabe-nos a todos merecer os filmes de Rohmer, e nunca deixar esmorecer, por comodismo ou inércia, a urgência de os rever.
(Há cerca de 5 anos e meio, escrevi sobre Rohmer com a abundância própria de um proselitista com demasiado tempo livre entre mãos. O leitor ocioso poderá encontrar esses artigos aqui, aqui e aqui.)
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
quinta-feira, janeiro 14, 2010
quarta-feira, janeiro 13, 2010
Não sou eu o único a nutrir estas dúvidas cruéis, semelhantes a vermes em maçã Granny Smith.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
sexta-feira, janeiro 08, 2010
quarta-feira, janeiro 06, 2010
- Antigos Mestres (Thomas Bernhard)
- The Matisse Stories (A.S. Byatt)
- Dream of Fair to Middling Women (Samuel Beckett)
- Armance (Stendhal)
- Fanny Owen (Agustina Bessa-Luís)
- Dom Casmurro (Machado de Assis)
- Bleak House (Charles Dickens)
- La Princesse de Clèves (Madame de Lafayette)
- Anatomy of Restlessness (Bruce Chatwin)
- Les Plaisirs et les Jours (Marcel Proust)
- Jacobo e outras histórias (Teresa Veiga)
- El Cant dels Ocells (A. Serra)
- La Mujer Sin Cabeza (L. Martel) (talvez o melhor do ano)
- Les Plages d'Agnès (A. Varda)
- The Limits of Control (J. Jarmusch)
- 35 Rhums (C. Denis) (não vi este filme belíssimo em nenhum top anual, shame, shame)
- filmes de Angela Schanelec (Schöne Gelbe Farbe, Ich Bin den Sommer Über in Berlin Geblieben, Plätze in Städten)
- Quatre Nuits d'Un Rêveur (R. Bresson)
- I Clowns (F. Fellini)
- Ashes of Time Redux (Wong Kar-Wai)
- Comment Je Me Suis Disputé... (Ma Vie Sexuelle) (A. Desplechin)
- Die Marquise von O... (E. Rohmer)
- Ensayo de un Crimen (L. Buñuel)
- Shirin (A. Kiarostami)
- Partie de Campagne (J. Renoir)
- L'Annonce Faite à Marie (A. Cuny)
- Na Presença de Um Palhaço (I. Bergman)
terça-feira, dezembro 29, 2009
"Rayuela", de Julio Cortázar. Com uma introdução de Andrés Amorós mais longa do que certos romances que já li (por exemplo, "Os Três Seios de Novélia").
A capa da edição que estou a ler é ligeiramente diferente (quadro de Bonnard em vez do jogo da macaca).
O Natal é quando um homem quiser, ler a "Rayuela" é quando um homem quiser, e eu quis agora.
sábado, dezembro 26, 2009
Processo de folheamento já concluído, em boa verdade. É o quarto e penúltimo episódio da saga de Tom Ripley. O quinto já está comprado, e não é de esperar que acumule muito bolor na lista de espera.
A dada altura, Ripley está em Berlim, hospedado em casa de um indivíduo que se entrega ao tráfico de pedras preciosas. Sozinho no apartamento, Ripley decide inspeccionar aquilo que parecem ser as obras completas de Schiller, numa estante, convencido de que se trata de um esconderijo; afinal, são mesmo livros de Schiller. Um dos encantos do romance reside na maneira como a economia narrativa, as frases directas e isentas de ornamentação, o despojamento estilístico, coexistem com esporádicas incursões na irrelevância.
sábado, dezembro 19, 2009
segunda-feira, dezembro 14, 2009
sexta-feira, dezembro 11, 2009
terça-feira, dezembro 01, 2009
segunda-feira, novembro 30, 2009
Depois de "Jacobo e outras histórias", de Teresa Veiga, "Venâncio e outras histórias", de Joaquim Paço d'Arcos. É o segundo livro com um título da forma "[nome próprio masculino] e outras histórias" que eu leio num curto espaço de tempo. Alguém me saberá recomendar outro livro cujo título respeite este requisito formal?
segunda-feira, novembro 23, 2009
Não é de hoje o meu fascínio pelo matemático amador indiano Srinivasa Ramanujan, revelado ao Ocidente pelo ilustre G.H. Hardy. Fiquei contente ao saber que David Leavitt escrevera um romance baseado no encontro improvável entre estes dois homens. Comprei o livro, e agora estou a lê-lo. O facto de se passar em Cambridge é um bónus bem-vindo.
segunda-feira, novembro 09, 2009
sábado, novembro 07, 2009
segunda-feira, novembro 02, 2009
sexta-feira, outubro 09, 2009
quarta-feira, outubro 07, 2009
segunda-feira, outubro 05, 2009
- A República entra hoje no seu centésimo ano. (Deixemos, por agora, de lado o debate sobre se o Estado Novo merece a designação de "República".) Os 365 dias que se seguem devem ser de celebração, comemoração, informação e debate. Com sobriedade. Deixe-se o monopólio da pompa e da desmesura àquelas instituições mais comprometidas com a irracionalidade e com a suspensão do bom-senso (por exemplo, a monarquia, Fátima, o PC chinês).
- Frequentemente, escutam-se vozes preocupadas com a reduzida adesão popular ao feriado do 5 de Outubro. Não me conto entre os que vêem aqui motivo de ansiedade e de estados de alma. Se o 5 de Outubro não se comemora com fervor nem afã, isso deve-se acima de tudo ao facto de a República estar hoje solidamente instituída, a tal ponto que comemorá-la pode parecer uma redundância. (A ausência de multidões eufóricas nas ruas, no 1º de Dezembro, é razão para descrer do apego que os portugueses dedicam à independência do seu país?)
- Estes 365 dias não deixarão de trazer a dose fatal de provocações, acrobacias retóricas, e tentativas de fazer crer que existe hoje uma questão de regime em Portugal. Os jornais e televisões agradecem. Deixem a rapaziada da Causa Real, e demais facções (consta que não são poucas), entregar-se aos seus ruidosos e garridos rituais de iniciação, desde que não estraguem muita coisa, e de preferência antes das 2 da manhã, por causa do sono alheio.
- Viva a República!
sexta-feira, outubro 02, 2009
terça-feira, setembro 29, 2009
sábado, setembro 19, 2009
Entre (tantas) outras coisas, "The Limits of Control" é um festim para o fetichista cinéfilo. Desde que o vi, são inumeráveis as ocasiões em que tive de reprimir o desejo de pedir "two espressos in separate cups".
terça-feira, setembro 08, 2009
Fiquei estupefacto com a duração deste filme: com apenas 84 minutos, é a longa-metragem mais breve da extensa carreira de Rivette.
Esperemos que não venha a sofrer o mesmo triste destino de "Ne Touchez Pas la Hache": directamente para DVD sem passar pelas salas portuguesas, sem passar pela casa partida e sem receber 2000 escudos.
sexta-feira, agosto 14, 2009
MORANGOS COM AÇÚCAR - CELEBRAR A FESTA DA VIDA É SER RADICAL:
- O Lucas é o vilão menos convincente da história dos "Morangos". Volta, Guga, estás perdoado.
- O Vicente aplicou um gancho de direita ao Gonçalo, indignado por este nutrir sentimentos ternos pela sua (do Vicente) mãe, interpretada pela Sylvie Rocha. Sucede que o Gonçalo ficou com um lanho no sobrolho direito, o que me parece carecer cruelmente de verosimilhança.
- Todas as personagens que estão a curtir as férias em Portimão mudam de roupa todos os dias, e raras vezes repetem uma peça de vestuário. Como é isto possível?.
segunda-feira, julho 27, 2009
quinta-feira, julho 23, 2009
terça-feira, julho 14, 2009
Le 14 Juillet au Havre (Albert Marquet)
domingo, julho 12, 2009
quinta-feira, julho 09, 2009
domingo, junho 28, 2009
quarta-feira, junho 17, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
domingo, junho 14, 2009
quinta-feira, junho 11, 2009
(Sentir-me-ia mal com a minha consciência caso não deixasse uma palavra de apreço para a terceira personagem da peça: um ponto vestido de ave que parecia saída da Rua Sésamo. A sua dança silenciosa arrancou algumas das mais sonoras gargalhadas da noite.)
segunda-feira, junho 01, 2009
terça-feira, maio 26, 2009
domingo, maio 24, 2009










