NOTAS AVULSAS SOBRE A VISITA DO PAPA (3): Quem tomou a decisão de, dentro da Carris, do Pingo Doce, do Diário de Notícias, de outras empresas e serviços, manifestar apoio explícito à visita do papa, saudar Joseph Ratzinger por meio de bandeirolas, dizeres ou qualquer outro meio, julgou talvez estar a homenagear uma figura consensual, um paladino da paz e da concórdia, uma fonte de onde nada pode jorrar senão o Bem. Mas esta visão é ingénua. O papa representa uma religião, uma agenda, uma mundividência. A sua acção e as suas palavras não são universalmente justas nem imunes à contestação. A nenhuma das suas visitas, discursos, atitudes é alheio o objectivo supremo de servir a causa de uma confissão religiosa, e dos valores a esta associados. Concorde-se ou não com o que Joseph Ratzinger diz e faz, apoiá-lo e celebrar a sua presença de forma incondicional e acrítica, por vezes no limite da vassalagem, como o têm feito tantos e com tanto alarido nos últimos dias, implica
tomar partido. Haja consciência disso.