quarta-feira, dezembro 08, 2010
domingo, dezembro 05, 2010
quinta-feira, novembro 25, 2010
terça-feira, novembro 23, 2010
quinta-feira, novembro 11, 2010
terça-feira, novembro 02, 2010
segunda-feira, novembro 01, 2010
Aquela que se pode designar como a personagem principal de "Le Mauvais Lieu", de Julien Green (1977), é Louise, uma órfã pré-adolescente que vive com a tia. Rapidamente se torna claro que Louise funciona como receptáculo e ecrã para os desejos, pulsões e frustrações dos que a rodeiam. Ao longo da totalidade do romance, assiste-se ao aniquilamento de Louise como personagem e à sua ascensão ao patamar de símbolo da inocência em risco de ser conspurcada, e neste processo o autor demonstra uma perversidade, no plano simbólico e subtextual, de que nem as mais vis de entre as suas personagens, confinadas ao texto e à existência burguesa, seriam capazes. Como estratagema literário - e é talvez isto que mais custa perdoar - é previsível, denunciado e ineficaz.
Um grande, grande livro. Uma busca de felicidade na Londres do pós-WW2, guiada por um imperativo ético em registo semicómico: muito do que sucede à narradora, em termos pessoais e profissionais, decorre da sua obstinação em chamar "pisseur de copie" a um mau escritor protegido por uma autora influente e famosa.
O excelente prefácio de Ali Smith elucida a subtileza e o profundo alcance moral deste romance, o décimo oitavo de Muriel Spark, publicado em 1988. "A Far Cry From Kensington" narra uma odisseia da autonomia do espírito e da coragem. A felicidade não surge como um prémio, tão pouco como um caprichoso efeito colateral: antes, como uma radiosa faceta da ordem natural das coisas.
O registo, falsamente menor e ligeiro, serve admiravelmente o enredo e a intenção da autora. A ostentação e o excesso de gravidade tê-lo-iam arruinado.
Poucas vezes, nos últimos tempos, simpatizei tanto com uma personagem como com a Mrs. Hawkins que engendra esta história, no meio das suas noites de insónia.
quarta-feira, outubro 27, 2010
quarta-feira, outubro 20, 2010
terça-feira, outubro 05, 2010
Provavelmente teria deixado passar este livro, não fossem os ecos que ele teve na blogosfera mais atenta. Falo, em particular, das recensões do João Paulo Sousa e do José Mário Silva, decisivas para aguçar a minha curiosidade relativamente ao romance de Dag Solstad. Uma das coisas que achei mais bem conseguidas neste livro foi a escolha do factor responsável pela crise que abala a vida da personagem principal, um professor norueguês do ensino secundário. Em plena aula, ele julga descobrir uma perspectiva nova sobre uma peça de Ibsen, capaz de iluminar a obra e de revelar significados até aí ocultos; algo, enfim, a meio caminho entre o grandioso e o banal. Uma crise pode nascer de um abalo ou de uma acumulação de anos de nulidade; atribuí-la a um evento que mal sobressai de um fundo de mediocridade, a um pequeno novelo de heterodoxia invisível para os demais, revela coragem e clarividência notáveis.
Por coincidência, vi pela segunda vez "Coitado do Jorge", de Jorge Silva Melo, enquanto estava a ler "Pudor e Dignidade". No filme, a crise vivida pela personagem de Jerzy Radziwilowicz parece fruto de geração espontânea, isenta de motivo ou de foco. É um processo com vida própria que parece ocupar os interstícios, cada vez maiores, entre os vários planos da realidade, e que suga energia das fricções, dos movimentos dos corpos, dos sons desencontrados. Tudo isto é admiravelmente concretizado pela realização e pelos actores, pelos planos que funcionam como organismos dotados de dinâmica, propósito, contradições.
A origem da crise, da ruptura, do conflito é um dos aspectos onde mais limpidamente se revelam a ousadia e a inteligência narrativa do autor. Pena é que, na grande maioria dos casos, a solução adoptada redunde em cedências a psicologia de fascículo.
quinta-feira, setembro 30, 2010
sexta-feira, setembro 10, 2010
- Na esplanada do Palácio de Cristal, no Porto, uma senhora lia "Cartas a Sandra", de Vergílio Ferreira.
- No Alfa Pendular, sentido Porto-Lisboa, um cavalheiro lia "Once There Was a War" (reportagens de guerra de John Steinbeck), e uma senhora a seu lado lia "Wuthering Heights".
sexta-feira, julho 30, 2010
- Casou-se.
- Está grávida.
- Ainda assim, diz o que pensa.
- A mulher passou-se!
The "liquid Christmas pudding" character (raisins and burnt fruit) found in traditional imperial stouts shows very well in this spicy example. It is also very rich, despite being less strong than some counterparts. (Michael Jackson, "Great Beer Guide")
Advertência aos paladares aventureiros: esta cerveja está disponível no restaurante junto aos cinemas Monumental Saldanha.
(Como diria Homer Simpson: «Hmm, raisins and burnt fruit».)
sábado, julho 24, 2010
- Com a devida vénia ao Eduardo: senhora avistada na linha verde do metropolitano, concentrada na leitura de "Cidade Proibida".
- Na cafetaria do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, cavalheiro observado a folhear "Na Cova dos Leões", marco do anticlericalismo português da autoria de Tomás da Fonseca.
terça-feira, julho 20, 2010
(Ver também este excelente post do Jorge.)
ANÉIS ATIRADOS À ÁGUA: Obrigado aos numerosos leitores que responderam a este apelo. Dos milhares de mensagens recebidas, selecciono aleatoriamente três:
- No romance "Mau Tempo no Canal", Margarida arremessa ao mar o seu anel decorado com uma serpente, depois de se casar com André Barreto.
- Em "O Silmarillion" de Tolkien, o anel originalmente criado por Sauron, e que confere o poder da invisibilidade ao seu portador, solta-se do dedo do rei Isildur e cai a um rio. Subitamente visível, Isildur é morto pelos Orcs.
- No filme "Match Point", a personagem de Jonathan Rhys Meyers arremessa ao Tamisa o anel da mulher que assassinou. O anel ressalta num parapeito e cai fora de água, o que acabará por livrar a personagem de uma provável condenação.
quarta-feira, julho 14, 2010
Outros desabafos avulsos sobre a Cinemateca:
- Para quando um segundo secador de mãos na casa-de-banho dos homens?
- Mais poltronas!
- O que será de nós quando a vetusta impressora de agulhas que imprime os bilhetes entregar a alma ao criador?
( AVISO IMPORTANTE: "Orouët" rima com "pirouette".)
quinta-feira, julho 08, 2010
segunda-feira, julho 05, 2010
"La Tempestad", de Juan Manuel de Prada. Prémio Planeta de 1997. Logo nas primeiras páginas deste romance, um anel é lançado à água. Por coincidência (uma das duas tetas de que se nutre o PLEC, sendo a outra a premeditação), o livro que foi lido antes deste acabava literalmente com um anel arremessado à água. No caso do último opus da saga Ripley, tratava-se do anel de Murchison, um americano demasiado curioso que Ripley fora obrigado a suprimir, anos antes. O seu cadáver fora lançado a um dos afluentes do Sena, e repousara debaixo de água até que um outro americano, não menos curioso, o descobriu e trouxe novamente à superfície. O anel, uma das últimas provas que poderia ajudar a incriminar Ripley, é por este devolvido às profundezas, com um sangue-frio totalmente digno da personagem. Quanto ao livro de Prada, a água é a de um canal veneziano, e o anel foi retirado do dedo de um falsificador e ladrão de arte que acaba de ser alvejado, e que irá morrer nos braços do narrador, um obscuro investigador universitário espanhol obcecado com um famoso quadro de Giorgione.
Haverá por aí mais romances nos quais anéis são atirados à água? Leitores, caso vos ocorra algum sabeis para onde escrever.
terça-feira, junho 29, 2010
Não há mais livros da série Tom Ripley para ler. Este foi o último. Isso deixa-me triste. Era bom que houvesse mais. Queria que houvesse tantos livros de Tom Ripley como de Pepe Carvalho, ou da colecção "Uma Aventura". Mas a realidade que temos é esta, e nenhuma outra.
segunda-feira, junho 28, 2010
terça-feira, junho 15, 2010
quarta-feira, maio 26, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
quinta-feira, maio 13, 2010
terça-feira, maio 11, 2010
quinta-feira, maio 06, 2010
«Partindo do imaginário de Jacques Prévert para a construção de um espectáculo que visita as diversas linguagens do autor, desde a poesia ironicamente pedagógica aos textos dramáticos plenos de uma fantasia amarga, o teatroàparte fabrica um diálogo entre as palavras e a música, os sons e os silêncios. Um trabalho que pretende ser uma aproximação aos anseios de Jacques Prévert, colocando em palco as figuras maiores e menores que sussurram na sua obra. Um espectáculo com música mas sem ser musical, onde se cantará Prévert e a sua canção.»
No Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras
13 Maio 22h 14 Maio 22h 15 Maio 22h 20 Maio 22h 21 Maio 22h 22 Maio 22h 27 Maio 22h 28 Maio 22h 29 Maio 16h e 22h
sábado, maio 01, 2010
terça-feira, abril 27, 2010
sexta-feira, abril 23, 2010
quinta-feira, abril 22, 2010
"Adolphe", de Benjamin Constant. Tão distante das maquinações de Laclos como da espontaneidade sentimental de Stendhal, "Adolphe" pode ser descrito como um case-study sobre a ética da relação amorosa, narrado por uma das partes interessadas, sucessivamente criatura amante, amada, e calculista a seu pesar. Vamos ver no que isto dá! Faltou-me a sorte para encontrar uma imagem igual à da capa da minha edição, e a paciência para a digitalizar. Não faz mal. Outras prioridades me reclamam, e a marcha do PLEC não se compadece com obstáculos comezinhos.
segunda-feira, abril 19, 2010
Assim como a melhor maneira de homenagear um realizador de cinema é revendo os seus filmes, o melhor tributo que se pode prestar a esta figura máxima do xadrez do século XX é a revisitação das suas partidas.
(Obituário no Chessbase.)
segunda-feira, abril 12, 2010
- as bolotas a cair
- a cena em que Willem Dafoe pede a Charlotte Gainsbourg que imagine a chegada à cabana
- a ária da ópera "Rinaldo" Lascia ch'io pianga, para lá do sublime.
sexta-feira, abril 02, 2010
O "Daily Mail" descreveu-o como "a page-turner of a masterpiece", o "Guardian" qualificou-o de "stunningly accomplished". Perante isto, como hesitar em confiá-lo às mãos de um dos numerosos comités que protagoniza o glorioso Processo de Leitura Em Curso?
Joseph O'Connor é o irmão de Sinéad O'Connor, que outrora ganhou modesta fama como imitadora da portuguesa Inês Santos.
quinta-feira, março 25, 2010
segunda-feira, março 22, 2010
domingo, março 21, 2010
Éloge de l'Amour (2001)
terça-feira, março 16, 2010
quarta-feira, março 10, 2010
sábado, março 06, 2010
quarta-feira, março 03, 2010
segunda-feira, março 01, 2010
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
Estou a tentar pensar num comentário sobre este livro que seja ao mesmo tempo mordaz, sofisticado, irónico e profundo, mas o meu gato não me deixa em paz e é impossível concentrar-me.
(Como não dar razão, perante isto, a José Manuel Fernandes?)
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Há uns dias cometi uma proeza. Numa só noite, revi o magnífico filme "La Chinoise", de Godard, e não vi "A Bela e o Paparazzo", de António-Pedro Vasconcelos, auto-proclamado dissidente do cinema europeu. Mas seria ir longe demais reivindicar que decidi ler um romance de François Mauriac por ele ser avô de uma das actrizes do filme (Anne Wiazemsky). Os motivos foram outros: o livro estava a 1 euro nos últimos saldos da Buchholz, e tenho um fraco por romances que se passam no meio moralmente corrupto e hipócrita de uma certa burguesia francesa.
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Nada disto seria relevante, nem digno de especial admiração, se a sensibilidade do homem por detrás da câmara fosse medíocre, se a sua ambição fosse mesquinha. Mas a ambição de Rohmer era desmesurada, a sua sensibilidade era aguda e poderosa. Rohmer nunca deixou de se situar na delicadíssima encruzilhada da vontade, do desejo e do comportamento social e moral. Todas as suas personagens atravessam essa zona, tão misteriosa e paradoxal como a que Tarkovsky sugeriu em "Stalker"; todas elas revelam o seu lado absurdo e profundamente humano no preciso instante em que o livre arbítrio, o acaso e uma versão profana e corriqueira do destino se equivalem e determinam o desfecho. Foi essa a maior de todas as ousadias: em vez de se conformar com receitas e aproximações, Rohmer mostrou-nos mulheres e homens que agem (com diferentes gradações de consciência dos próprios actos) e que sofrem, sozinhos no mundo nesse momento da decisão, que tanto pode ser activa como redundar num abandono à sorte e à concidência (Melvil Poupaud em "Conte d'Été", Charlotte Véry em "Conte d'Hiver", Marie Rivière em "Le Rayon Vert"...).
Acima de tudo, os filmes de Rohmer são obras dotadas de uma coerência e intensidade estéticas singulares. Rohmer filmou, ao longo das décadas, como se o amor, o desgosto, a solidão e o desejo fossem os únicos temas dignos. Filmou com a convicção de que o mundo, as paisagens, as ruas, os apartamentos eram cenário suficientemente nobre para conter a gravidade palavrosa dos seres humanos, e que a linguagem viva do cinema, que ele ajudou a criar, era um instrumento privilegiado para a transmitir. Todos lhe devemos muito. Cabe-nos a todos merecer os filmes de Rohmer, e nunca deixar esmorecer, por comodismo ou inércia, a urgência de os rever.
(Há cerca de 5 anos e meio, escrevi sobre Rohmer com a abundância própria de um proselitista com demasiado tempo livre entre mãos. O leitor ocioso poderá encontrar esses artigos aqui, aqui e aqui.)
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
quinta-feira, janeiro 14, 2010
quarta-feira, janeiro 13, 2010
Não sou eu o único a nutrir estas dúvidas cruéis, semelhantes a vermes em maçã Granny Smith.










