FEIRA DO LIVRO: A imperdível obra "Morri! E agora?" continua à venda na Feira do Livro, à espera de compradores dotados de espírito prático.
Quanto ao túnel da Babel, gostei muito à excepção daquele tablet exposto junto ao topo sul, que se punha a apitar de forma estridente por dá cá aquela palha (seria um tablet? sou um troglodita nestas coisas).
quarta-feira, maio 04, 2011
terça-feira, maio 03, 2011
HOW MUCH WILL HE COST?: O melhor de todos os posts motivado pelo casamento da cidadã Middleton com o cidadão X foi este: o nascimento do príncipe contado pelo diário de Adrian Mole. Passaram-se os anos, o príncipe perdeu a mãe e casou-se, o próprio Adrian Mole casou-se e separou-se por duas vezes e sobreviveu a um cancro da próstata. O seu génio literário continua por reconhecer.
segunda-feira, maio 02, 2011
SEMPRE O CINEMA: As minhas críticas às arbitrariedades da distribuição cinematográfica em Lisboa são frequentes, mas há alturas em que um improvável cocktail de acaso, contingências e planeamento faz com que algumas obras-primas absolutas se concentrem em poucas semanas consecutivas de estreias. Em menos de um mês: "Road to Nowhere", de Monte Hellman, "O Tio Boonmee...", de Apichatpong Weerasethakul e "O Estranho Caso de Angélica", um dos mais sublimes e intrigantes Oliveiras dos últimos tempos. Perante tal fartura, aplique-se uma moratória às lamúrias.
domingo, maio 01, 2011
AGORA ESCOLHA: O PAPA OU O "BRADY": Panorama audiovisual português, manhã de domingo, 1 de Maio:
- Na RTP, transmissão directa da cerimónia de beatificação do papa João Paulo II.
- Na TVI, transmissão directa da cerimónia de beatificação do papa João Paulo II.
- Na SIC, mais um episódio de "The Dog Whisperer", desta vez protagonizado, entre outros, por um Labrador muito simpático obcecado pela piscina.
sábado, abril 30, 2011
AGENDA CULTURAL:
O teatroàparte apresenta "Esta Noite Improvisa-se", de Luigi Pirandello, com encenação de Sandra Faleiro.
Mais informações aqui.
O teatroàparte apresenta "Esta Noite Improvisa-se", de Luigi Pirandello, com encenação de Sandra Faleiro.
Mais informações aqui.
CONTOS DE FADAS 1, REALIDADE 0: As estações de televisão portuguesas fizeram-nos o favor de fornecer um exemplo portentoso e definitivo de provincianismo e bacoquice. A cobertura do dito "casamento do século" nos moldes em que foi feita, roçando a intoxicação mediática, oscilando entre o estarrecimento de groupie, a irrelevância e a vacuidade, não é justificável nem pelos critérios mais liberais de interesse público. Jornalistas responsáveis deveriam ter vergonha em ser cúmplices deste empolamento desmedido que transforma um factóide num acontecimento planetário. O matrimónio da cidadã Middleton e do cidadão X (aparentemente, existem dúvidas sobre o direito do príncipe Guilherme a usar apelido) tem uma importância real nula. Estamos a falar do herdeiro de um cargo de chefia de estado meramente simbólico, e que aliás se alimenta da sua aura simbólica devidamente amplificada pelos idiotas úteis da aldeia mediática global. Estamos a falar de um cavalheiro que nada mais fez para merecer a atenção maciça de que desfruta do que sair do útero certo entre milhões de outros, a mais radical antítese de meritocracia que se possa imaginar. Mas nada disso impede a comunicação social de se desmultiplicar em directos, entrevistas de rua indigentes e spots foleiros, num paroxismo destinado a disfarçar a ausência de fundamento do exercício a que se entregam.
A propósito disto, o meu apoio vai inteiramente para estes senhores:
A propósito disto, o meu apoio vai inteiramente para estes senhores:
segunda-feira, abril 25, 2011
FAÇA VOCÊ MESMO A SUA COMPARAÇÃO COM ADOLF, ESSE GRANDE FOLGAZÃO: Prossegue animada a disputa para demonstrar que a famigerada lei de Godwin não passa de uma aproximação tímida: depois de José Manuel Fernandes, também Carlos Vidal (desta vez, bizarramente, sem citar Alain Badiou) provou que a ocorrência de comparações com Hitler ou o Terceiro Reich não requer que a duração de uma discussão tenda para o infinito. Melhor ainda, não necessita sequer do esforço colaborativo de uma discussão: um só escriba, com o estofo apropriado, é quanto basta. Dispensam-se delongas, preâmbulos, gradientes na intensidade da adjectivação: trata-se de perpetrar o que há a perpetrar antes que se esgote o lapso de atenção do leitor médio.
Bem pelo contrário, João César das Neves, que não cultiva o estilo de retórica bulldozer, gosta de inserir um simulacro de cadeia argumentativa antes de se entregar aos seus atentados ao bom senso. Na semana passada, por exemplo, e a propósito do centenário da Lei de Separação da Igreja e do Estado, comparou a alegada perseguição da Igreja Católica durante a 1ª República com a perseguição aos judeus promovida pelos nazis. Fê-lo como aparente corolário de um patusco exercício de história comparada. O fosso entre os termos de comparação, o insulto à inteligência que pressupõe o mero acto de os cotejar, aparecem diluídos pelo estilo, na aparência demasiado cordato para conter derivas tão ofensivas e asininas.
São, no fundo, dois meios para o mesmo fim, duas variedades de vinagre para apanhar a mesma mosca doméstica: a vociferação de faca na liga ou o exercício académico. Comparar o que não é comparável é cada vez mais uma actividade popular e transversal a diversos sectores e orientações. A Reductio ad Hitlerium, em particular, ganha adeptos com uma velocidade proporcional (receio-o bem) ao ritmo a que se degrada a memória daquilo que realmente se passou na Alemanha e no mundo entre 1933 e 1945.
Bem pelo contrário, João César das Neves, que não cultiva o estilo de retórica bulldozer, gosta de inserir um simulacro de cadeia argumentativa antes de se entregar aos seus atentados ao bom senso. Na semana passada, por exemplo, e a propósito do centenário da Lei de Separação da Igreja e do Estado, comparou a alegada perseguição da Igreja Católica durante a 1ª República com a perseguição aos judeus promovida pelos nazis. Fê-lo como aparente corolário de um patusco exercício de história comparada. O fosso entre os termos de comparação, o insulto à inteligência que pressupõe o mero acto de os cotejar, aparecem diluídos pelo estilo, na aparência demasiado cordato para conter derivas tão ofensivas e asininas.
São, no fundo, dois meios para o mesmo fim, duas variedades de vinagre para apanhar a mesma mosca doméstica: a vociferação de faca na liga ou o exercício académico. Comparar o que não é comparável é cada vez mais uma actividade popular e transversal a diversos sectores e orientações. A Reductio ad Hitlerium, em particular, ganha adeptos com uma velocidade proporcional (receio-o bem) ao ritmo a que se degrada a memória daquilo que realmente se passou na Alemanha e no mundo entre 1933 e 1945.
domingo, abril 17, 2011
APICHATQUÊ? (2):
Para já, [Apichatpong Weerasethakul] continua a seguir com grande interesse o trabalho de Tsai Ming-liang e Hou Hsiao-Hsien, por quem tem "muita admiração", e de Jacques Rivette, Terence Davies ou Manoel de Oliveira.
(Do artigo de Hélder Beja, "Ípsilon", 1/4/2011.)
Para além de génio, um gosto impecável. E que mais? Visão de raios X?
Para já, [Apichatpong Weerasethakul] continua a seguir com grande interesse o trabalho de Tsai Ming-liang e Hou Hsiao-Hsien, por quem tem "muita admiração", e de Jacques Rivette, Terence Davies ou Manoel de Oliveira.
(Do artigo de Hélder Beja, "Ípsilon", 1/4/2011.)
Para além de génio, um gosto impecável. E que mais? Visão de raios X?
AVULSOS DE FIM-DE-SEMANA: Em tempos, o blog "Linha dos Nodos" compilou uma lista de poemas lidos em filmes. Tenho mais uma adição para o rol. No filme turco "Mel" é recitado o poema "Sensation", de Rimbaud, penso que na sua integralidade:
Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue,
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je ne parlerai pas, je ne penserai rien :
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,
Et j'irais loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la nature, heureux comme avec une femme.
Em contrapartida, continuo na ignorância sobre qual o poema que Tygh Runyan lê em "Road to Nowhere" Alguém me ajuda, em troco de (o caso não é para menos) gratidão eterna?
Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue,
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je ne parlerai pas, je ne penserai rien :
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,
Et j'irais loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la nature, heureux comme avec une femme.
Em contrapartida, continuo na ignorância sobre qual o poema que Tygh Runyan lê em "Road to Nowhere" Alguém me ajuda, em troco de (o caso não é para menos) gratidão eterna?
domingo, abril 10, 2011
É ELE! É ELE!: José Manuel Fernandes é que é o grande artista do Twitter em Portugal. Só precisa de 140 caracteres para pôr de pé uma comparação com o 3º Reich: outros, menos hábeis, levam pelo menos um parágrafo ou dois. A boçalidade e a falta de sentido da proporção vêm como bónus.
APICHATQUÊ? (1): Apropriadamente, foi no dia 1 de Abril que fui ver "O Tio Bonmee...", de Apichatpong Weerasethakul. A estreia deste filme, de tantas vezes prometida e adiada, quando por fim sucedeu não pôde deixar de se parecer com uma aldrabice adequada à data em questão.
Primeira impressão: um filme imenso, rico, livre e profundo como a vida (ou como deveria ser a vida). Não é, contudo, como cheguei a prever a partir de comentários e críticas que tinha lido, um salto qualitativo ou uma ruptura estética relativamente às obras anteriores de AW. Simplesmente, o mundo do cinema (e muito graças à ousadia do júri de Cannes presidido por Tim Burton) convenceu-se finalmente de que está perante um dos mais importantes e originais criadores contemporâneos. "O Tio Boonmee..." serviu, assim, para atrair atenções que tinham ficado indiferentes a outras obras-primas como "Tropical Malady", "Blissfully Yours" ou o meu favorito pessoal, "Syndromes and a Century".
BROWNIE POINTS: Durante um período excessivamente longo da minha vida, acreditei que a expressão "brownie points" dizia respeito àqueles deliciosos bolinhos quadrangulares de chocolate. Cada ponto, cada brownie: uma unidade monetária gustativa e nutritiva destinada a premiar boas acções e feitos valorosos. E afinal, a etimologia desta expressão é um viveiro de mistérios e conjecturas.
quinta-feira, março 31, 2011
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Na inevitável linha verde do metropolitano, um leitor impecavelmente vestido lia "O Processo", de Franz Kafka. Tudo levava a crer que estava a encetar a leitura ali mesmo. Pareceu imperturbável quando se inteirou de que alguém deve ter andado a difamar Josef K., que numa manhã foi preso sem ter cometido qualquer crime.
quarta-feira, março 30, 2011
segunda-feira, março 28, 2011
A SÍNDROME DA CHINA: Encontrei finalmente a solução para revitalizar este blog, demasiado intermitente para acompanhar a vibração do mundo contemporâneo. É assim: vou contratar o melhor blogger chinês. Este blog passará a receber pelo menos 400 ou 500 internautas chineses por dia. Vão chover as comissões e os sponsors. Aliás, justifica-se criar um departamento só para o blogger chinês. Sócios, é este o projecto! É este o futuro! Estou concentradíssimo! Para além disto, a única coisa que se me oferece dizer sobre a situação no Sporting é o seguinte: obrigado aos apoiantes do candidato derrotado por, na sua fúria, não terem vandalizado o Lidl, que tem uns iogurtes excelentes e cuja secção de congelados mete respeito.
Essa música é linda....já me suicidei 3 vezes depois de ouvi-la. (Comentário à canção "Minha História", de Chico Buarque, no YouTube.)
IMITATED BY LIFE: Oscar Wilde afirmou que o Tamisa passou a ter nevoeiros mais densos depois dos quadros de Turner, mas nem sempre a vida imita a arte de forma tão obsequiosa. Por exemplo, como eu gostaria que Lisboa se parecesse mais com algumas das cenas de "O Bobo", de José Álvaro Morais, ou "Vai-e-vem" de João César Monteiro.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




