sexta-feira, maio 13, 2011

RECESSÃO E OBSESSÃO: Portugal entrou hoje oficialmente em recessão, e eu entrei hoje oficialmente em estado de obsessão, mais concretamente obsessão pela canção "Familiar Feeling" dos Moloko.

segunda-feira, maio 09, 2011

PROGNÓSTICOS ANTES DO FIM DO JOGO DÁ NISTO:

Pundits Predict No More Accurately Than a Coin Toss, Students Find

(via Aspirina B)

Seria interessante realizar um estudo semelhante em Portugal, excluindo obviamente Luís Delgado, um outlier que desequilibraria os resultados para o lado da irrelevância estatística.

Há muito que defendo que os fazedores de opinião deveriam ser pagos por objectivos. Razão tem João César das Neves ao projectar os seus prognósticos para um ponto de fuga situado daqui a duas ou três gerações. Caso não se verifiquem os seus insistentes vaticínios, caso os vindouros não olhem para estes anos que vivemos como um epísódio fugaz de degeneração moral e deboche, será já tarde demais para o confrontar.
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Uma leitora lia "Cantilenas em Geleia", do grande grande grande Boris Vian. Foi na linha verde do metro.
DE UM DIÁLOGO ENTRE DOIS LIVREIROS DA ASSIÍRIO & ALVIM, NA FEIRA DO LIVRO:

- A "Rilkeana" também já foi ao ar.

domingo, maio 08, 2011

À ATENÇÃO DOS CÉPTICOS:


Existe mesmo um livro intitulado "Morri! E agora?"; faltou acrescentar que vem acompanhado por explicações do Espírito Antônio Carlos.

Da mesma autora: "A Reencarnação para totós" e "1001 lugares para visitar depois de morrer".

quarta-feira, maio 04, 2011

FEIRA DO LIVRO: A imperdível obra "Morri! E agora?" continua à venda na Feira do Livro, à espera de compradores dotados de espírito prático.

Quanto ao túnel da Babel, gostei muito à excepção daquele tablet exposto junto ao topo sul, que se punha a apitar de forma estridente por dá cá aquela palha (seria um tablet? sou um troglodita nestas coisas).

terça-feira, maio 03, 2011

HOW MUCH WILL HE COST?: O melhor de todos os posts motivado pelo casamento da cidadã Middleton com o cidadão X foi este: o nascimento do príncipe contado pelo diário de Adrian Mole. Passaram-se os anos, o príncipe perdeu a mãe e casou-se, o próprio Adrian Mole casou-se e separou-se por duas vezes e sobreviveu a um cancro da próstata. O seu génio literário continua por reconhecer.

segunda-feira, maio 02, 2011

SEMPRE O CINEMA: As minhas críticas às arbitrariedades da distribuição cinematográfica em Lisboa são frequentes, mas há alturas em que um improvável cocktail de acaso, contingências e planeamento faz com que algumas obras-primas absolutas se concentrem em poucas semanas consecutivas de estreias. Em menos de um mês: "Road to Nowhere", de Monte Hellman, "O Tio Boonmee...", de Apichatpong Weerasethakul e "O Estranho Caso de Angélica", um dos mais sublimes e intrigantes Oliveiras dos últimos tempos. Perante tal fartura, aplique-se uma moratória às lamúrias.

domingo, maio 01, 2011

AGORA ESCOLHA: O PAPA OU O "BRADY": Panorama audiovisual português, manhã de domingo, 1 de Maio:
  • Na RTP, transmissão directa da cerimónia de beatificação do papa João Paulo II.
  • Na TVI, transmissão directa da cerimónia de beatificação do papa João Paulo II.
  • Na SIC, mais um episódio de "The Dog Whisperer", desta vez protagonizado, entre outros, por um Labrador muito simpático obcecado pela piscina.
Muito obrigado, Sr. Dr. Pinto Balsemão, por promover a diversidade e conceder uma alternativa aos telespectadores, entre os quais me incluo, saturados de multidões em êxtase, pseudo-eventos e subserviência sem contraditório a instituições (Coroa britânica e Igreja católica) que conseguiram, com a cumplicidade dos meios de comunicação, içar-se a um estatuto acima da crítica e do sentido da proporção. 

sábado, abril 30, 2011

AGENDA CULTURAL:

O teatroàparte apresenta "Esta Noite Improvisa-se", de Luigi Pirandello, com encenação de Sandra Faleiro.

Mais informações aqui.

CONTOS DE FADAS 1, REALIDADE 0: As estações de televisão portuguesas fizeram-nos o favor de fornecer um exemplo portentoso e definitivo de provincianismo e bacoquice. A cobertura do dito "casamento do século" nos moldes em que foi feita, roçando a intoxicação mediática, oscilando entre o estarrecimento de groupie, a irrelevância e a vacuidade, não é justificável nem pelos critérios mais liberais de interesse público. Jornalistas responsáveis deveriam ter vergonha em ser cúmplices deste empolamento desmedido que transforma um factóide num acontecimento planetário. O matrimónio da cidadã Middleton e do cidadão X (aparentemente, existem dúvidas sobre o direito do príncipe Guilherme a usar apelido) tem uma importância real nula. Estamos a falar do herdeiro de um cargo de chefia de estado meramente simbólico, e que aliás se alimenta da sua aura simbólica devidamente amplificada pelos idiotas úteis da aldeia mediática global. Estamos a falar de um cavalheiro que nada mais fez para merecer a atenção maciça de que desfruta do que sair do útero certo entre milhões de outros, a mais radical antítese de meritocracia que se possa imaginar. Mas nada disso impede a comunicação social de se desmultiplicar em directos, entrevistas de rua indigentes e spots foleiros, num paroxismo destinado a disfarçar a ausência de fundamento do exercício a que se entregam.

A propósito disto, o meu apoio vai inteiramente para estes senhores:


CONVERSA OUVIDA NUM COMBOIO:

ELE: Paixão de Cristo? Isso não é assim um pouco abichanado?
ELA: Não é nada disso, é paixão no sentido de amor por toda a humanidade.

segunda-feira, abril 25, 2011

FAÇA VOCÊ MESMO A SUA COMPARAÇÃO COM ADOLF, ESSE GRANDE FOLGAZÃO: Prossegue animada a disputa para demonstrar que a famigerada lei de Godwin não passa de uma aproximação tímida: depois de José Manuel Fernandes, também Carlos Vidal (desta vez, bizarramente, sem citar Alain Badiou) provou que a ocorrência de comparações com Hitler ou o Terceiro Reich não requer que a duração de uma discussão tenda para o infinito. Melhor ainda, não necessita sequer do esforço colaborativo de uma discussão: um só escriba, com o estofo apropriado, é quanto basta. Dispensam-se delongas, preâmbulos, gradientes na intensidade da adjectivação: trata-se de perpetrar o que há a perpetrar antes que se esgote o lapso de atenção do leitor médio.

Bem pelo contrário, João César das Neves, que não cultiva o estilo de retórica bulldozer, gosta de inserir um simulacro de cadeia argumentativa antes de se entregar aos seus atentados ao bom senso. Na semana passada, por exemplo, e a propósito do centenário da Lei de Separação da Igreja e do Estado, comparou a alegada perseguição da Igreja Católica durante a 1ª República com a perseguição aos judeus promovida pelos nazis. Fê-lo como aparente corolário de um patusco exercício de história comparada. O fosso entre os termos de comparação, o insulto à inteligência que pressupõe o mero acto de os cotejar, aparecem diluídos pelo estilo, na aparência demasiado cordato para conter derivas tão ofensivas e asininas.

São, no fundo, dois meios para o mesmo fim, duas variedades de vinagre para apanhar a mesma mosca doméstica: a vociferação de faca na liga ou o exercício académico. Comparar o que não é comparável é cada vez mais uma actividade popular e transversal a diversos sectores e orientações. A Reductio ad Hitlerium, em particular, ganha adeptos com uma velocidade proporcional (receio-o bem) ao ritmo a que se degrada a memória daquilo que realmente se passou na Alemanha e no mundo entre 1933 e 1945.

domingo, abril 17, 2011

APICHATQUÊ? (2):

Para já, [Apichatpong Weerasethakul] continua a seguir com grande interesse o trabalho de Tsai Ming-liang e Hou Hsiao-Hsien, por quem tem "muita admiração", e de Jacques Rivette, Terence Davies ou Manoel de Oliveira.
(Do artigo de Hélder Beja, "Ípsilon", 1/4/2011.)

Para além de génio, um gosto impecável. E que mais? Visão de raios X?
AVULSOS DE FIM-DE-SEMANA: Em tempos, o blog "Linha dos Nodos" compilou uma lista de poemas lidos em filmes. Tenho mais uma adição para o rol. No filme turco "Mel" é recitado o poema "Sensation", de Rimbaud, penso que na sua integralidade:

Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue,

Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien :
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,

Et j'irais loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la nature, heureux comme avec une femme.

Em contrapartida, continuo na ignorância sobre qual o poema que Tygh Runyan lê em "Road to Nowhere" Alguém me ajuda, em troco de (o caso não é para menos) gratidão eterna?
AVULSOS DE FIM-DE-SEMANA: Será que a letra "A" do nome da marca "Velho Barreiro" (cachaça brasileira ideal para caipirinhas) é um símbolo maçónico? Fonte bem informada garante-me que sim.

domingo, abril 10, 2011

É ELE! É ELE!: José Manuel Fernandes é que é o grande artista do Twitter em Portugal. Só precisa de 140 caracteres para pôr de pé uma comparação com o 3º Reich: outros, menos hábeis, levam pelo menos um parágrafo ou dois. A boçalidade e a falta de sentido da proporção vêm como bónus.
APICHATQUÊ? (1): Apropriadamente, foi no dia 1 de Abril que fui ver "O Tio Bonmee...", de Apichatpong Weerasethakul. A estreia deste filme, de tantas vezes prometida e adiada, quando por fim sucedeu não pôde deixar de se parecer com uma aldrabice adequada à data em questão.


Primeira impressão: um filme imenso, rico, livre e profundo como a vida (ou como deveria ser a vida). Não é, contudo, como cheguei a prever a partir de comentários e críticas que tinha lido, um salto qualitativo ou uma ruptura estética relativamente às obras anteriores de AW. Simplesmente, o mundo do cinema (e muito graças à ousadia do júri de Cannes presidido por Tim Burton) convenceu-se finalmente de que está perante um dos mais importantes e originais criadores contemporâneos. "O Tio Boonmee..." serviu, assim, para atrair atenções que tinham ficado indiferentes a outras obras-primas como "Tropical Malady", "Blissfully Yours" ou o meu favorito pessoal, "Syndromes and a Century".
BROWNIE POINTS: Durante um período excessivamente longo da minha vida, acreditei que a expressão "brownie points" dizia respeito àqueles deliciosos bolinhos quadrangulares de chocolate. Cada ponto, cada brownie: uma unidade monetária gustativa e nutritiva destinada a premiar boas acções e feitos valorosos. E afinal, a etimologia desta expressão é um viveiro de mistérios e conjecturas.

quinta-feira, março 31, 2011

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Na inevitável linha verde do metropolitano, um leitor impecavelmente vestido lia "O Processo", de Franz Kafka. Tudo levava a crer que estava a encetar a leitura ali mesmo. Pareceu imperturbável quando se inteirou de que alguém deve ter andado a difamar Josef K., que numa manhã foi preso sem ter cometido qualquer crime.