segunda-feira, julho 11, 2011
IMPRESSÕES DO QUÉBEC (2) E LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Na estação rodoviária central de Montréal, uma leitora lia "Tristes Tropiques", de Claude Lévi-Strauss. Foi ela quem me informou de que a fila onde estava era para Sherbrooke, e não para o aeroporto. Não me perguntem porquê, mas acho reconfortante saber que se lê Claude Lévi-Strauss em Sherbrooke, Québec.
segunda-feira, julho 04, 2011
IMPRESSÕES DO QUÉBEC (1): A divisa da província do Québec é uma das mais belas que conheço: "JE ME SOUVIENS". Nada a acrescentar nem a retirar.
Q&A: O Eremita descobriu uma maneira de anunciar que não gosta de mim que de subtil não tem nada. Mas seja. Vamos, pois, responder a este inquérito.
1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Esse livro existe. "Adrian Mole and the Weapons of Mass Destruction", de Sue Townsend.
2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Quando começo um livro é para ler até ao fim, altura em que paro de o ler. "Tentaste e tentaste" é giro.
3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
O pai do Adrian Mole dizia que, depois de ter lido "Fernão Capelo Gaivota", toda a literatura se tornava redundante.
4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme...
5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
Bem, há as linhas finais do "Daisy Miller", que contêm o eufemismo mais cínico e (bizarramente) mais comovente da história da literatura:
Winterbourne almost immediately left Rome; but the following summer he again met his aunt, Mrs. Costello at Vevey. Mrs. Costello was fond of Vevey. In the interval Winterbourne had often thought of Daisy Miller and her mystifying manners. One day he spoke of her to his aunt--said it was on his conscience that he had done her injustice.
"I am sure I don't know," said Mrs. Costello. "How did your injustice affect her?"
"She sent me a message before her death which I didn't understand at the time; but I have understood it since. She would have appreciated one's esteem."
(...)
Negrito meu.
6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Foi há muito tempo, já não me lembro.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
"The Famished Road" de Ben Okri, "Le Troisième Bonheur" de Henri Troyat, "Rendez-vous au Colorado" de Philippe Labro e mais uns poucos. Ver pergunta 2.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Ah ah, que piadinha.
9. Que livro estás a ler neste momento?
William Hazlitt, "Liber Amoris". Crónica de um descalabro amoroso.
10. Indica dez amigos para o Meme Literário.
Isso é que não, meme que entra neste blog já dele não sai.
E assim se conclui a resposta a este inquérito.
1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Esse livro existe. "Adrian Mole and the Weapons of Mass Destruction", de Sue Townsend.
2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Quando começo um livro é para ler até ao fim, altura em que paro de o ler. "Tentaste e tentaste" é giro.
3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
O pai do Adrian Mole dizia que, depois de ter lido "Fernão Capelo Gaivota", toda a literatura se tornava redundante.
4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme...
5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
Bem, há as linhas finais do "Daisy Miller", que contêm o eufemismo mais cínico e (bizarramente) mais comovente da história da literatura:
Winterbourne almost immediately left Rome; but the following summer he again met his aunt, Mrs. Costello at Vevey. Mrs. Costello was fond of Vevey. In the interval Winterbourne had often thought of Daisy Miller and her mystifying manners. One day he spoke of her to his aunt--said it was on his conscience that he had done her injustice.
"I am sure I don't know," said Mrs. Costello. "How did your injustice affect her?"
"She sent me a message before her death which I didn't understand at the time; but I have understood it since. She would have appreciated one's esteem."
(...)
Negrito meu.
6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Foi há muito tempo, já não me lembro.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
"The Famished Road" de Ben Okri, "Le Troisième Bonheur" de Henri Troyat, "Rendez-vous au Colorado" de Philippe Labro e mais uns poucos. Ver pergunta 2.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Ah ah, que piadinha.
9. Que livro estás a ler neste momento?
William Hazlitt, "Liber Amoris". Crónica de um descalabro amoroso.
10. Indica dez amigos para o Meme Literário.
Isso é que não, meme que entra neste blog já dele não sai.
E assim se conclui a resposta a este inquérito.
«EU NÃO PROCURO, EU ENCONTRO» (PICASSO?): Um leitor chegou recentemente ao 1bsk ao fazer uma pesquisa com as palavras "conferência sanitária de veneza 1897". Um outro (ou talvez o mesmo) chegou até este garrido quiosque em busca de informação sobre "incompatibilidade de feitios nos morangos com açúcar". Sejam todos bem-vindos, sem excepção! Não há más razões para ler este blog. O Lourenço e a Marta andam outra vez de candeias às avessas, mas o verão será longo e ninguém de bom senso duvida que eles acabarão nos braços um do outro.
domingo, junho 19, 2011
ONDE ESTÃO ELES?: Onde estão os ficcionistas portugueses "obedientes à cartilha de Robbe-Grillet"? Onde estão esses que, a julgar por numerosas críticas e ensaios, representam a regra, contra a qual ousam erguer-se uns poucos contadores de hístórias, escorreitos, no-nonsense, cinematográficos, filo-anglo-saxónicos? Por mais que procure nos escaparates, nunca tive o prazer de os encontrar.
Quem me dera que o panorama da ficção portuguesa estivesse repleto de seguidores de Robbe-Grillet, quem me dera que "Pour Un Nouveau Roman" fosse a cartilha de toda uma geração. Quem me dera que o modernismo, o experimentalismo, a meta-ficção tivessem influenciado a narrativa escrita em Portugal em vez de se limitar a beliscadelas ocasionais.
Quem me dera que o panorama da ficção portuguesa estivesse repleto de seguidores de Robbe-Grillet, quem me dera que "Pour Un Nouveau Roman" fosse a cartilha de toda uma geração. Quem me dera que o modernismo, o experimentalismo, a meta-ficção tivessem influenciado a narrativa escrita em Portugal em vez de se limitar a beliscadelas ocasionais.
quinta-feira, junho 16, 2011
UM TEMPO PARA DESCONFIAR: Depois de se ficar a saber que o autor do blog A Gay Girl in Damascus não era homossexual nem rapariga e residia em Edimburgo, que outras revelações nos esperam? Terão algum fundamento os rumores segundo os quais o tão celebrado banco do Jardim de Santo Amaro fica afinal no Campo dos Mártires da Pátria?
PEQUENA PROVOCAÇÃO:
Este post é um mistério para mim. James Joyce morreu há 70 anos, num hospital de Zurique, e não há 25 anos.
Este post é um mistério para mim. James Joyce morreu há 70 anos, num hospital de Zurique, e não há 25 anos.
BLOOMSDAY:
É hoje o dia ideal para caminhar num areal de olhos fechados, comer rim de porco ao pequeno-almoço, comprar um sabonete, comer uma sandes de queijo ao almoço, divagar sobre "Hamlet" na Biblioteca Nacional, discutir com um anti-semita, espiar uma jovem na praia, visitar um bordel, beber cacau à ceia e dizer Sim.
O Bloomsday, data onde se concentra a acção do maior romance do século XX, foi há 107 anos.
É hoje o dia ideal para caminhar num areal de olhos fechados, comer rim de porco ao pequeno-almoço, comprar um sabonete, comer uma sandes de queijo ao almoço, divagar sobre "Hamlet" na Biblioteca Nacional, discutir com um anti-semita, espiar uma jovem na praia, visitar um bordel, beber cacau à ceia e dizer Sim.
O Bloomsday, data onde se concentra a acção do maior romance do século XX, foi há 107 anos.
quarta-feira, junho 15, 2011
GUNNAR FISCHER (1910-2011):
Foi o director de fotografia de muitos dos filmes da primeira fase da carreira de Ingmar Bergman. A parceria foi menos longa do que no caso de Sven Nykvist, mas produziu obras-primas como "Mónica e o Desejo", "Sorrisos de Uma Noite de Verão", "O Sétimo Selo", "Morangos Silvestres" e o meu favorito pessoal, o magnífico e subestimado "O Rosto".
Faleceu no passado dia 11, já centenário. Soube do facto graças ao Da Casa Amarela. Nem seria de esperar que os media tradicionais, petrificados na sua absurda escala de valores, dedicassem à notícia sequer umas migalhas de tempo de antena ou linhas impressas.
Foi o director de fotografia de muitos dos filmes da primeira fase da carreira de Ingmar Bergman. A parceria foi menos longa do que no caso de Sven Nykvist, mas produziu obras-primas como "Mónica e o Desejo", "Sorrisos de Uma Noite de Verão", "O Sétimo Selo", "Morangos Silvestres" e o meu favorito pessoal, o magnífico e subestimado "O Rosto".
ROTEIRO CULTURAL:
O papel da mulher nas artes em destaque na Faculdade de Letras
Até dia 17. Mais pormenores aqui.
O grupo de investigação de Estudos Americanos do CEAUL (Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa) está a organizar o colóquio Women and the Arts: Dialogues in Female Creativity in the U.S. and Beyond, a decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre os dias 15 e 17 de Junho. Pretende-se dinamizar uma reflexão sobre a produção artística no feminino, num contexto multidisciplinar e de cariz internacional.
O papel da mulher nas artes em destaque na Faculdade de Letras
Até dia 17. Mais pormenores aqui.
O grupo de investigação de Estudos Americanos do CEAUL (Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa) está a organizar o colóquio Women and the Arts: Dialogues in Female Creativity in the U.S. and Beyond, a decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre os dias 15 e 17 de Junho. Pretende-se dinamizar uma reflexão sobre a produção artística no feminino, num contexto multidisciplinar e de cariz internacional.
sábado, junho 11, 2011
MUSEU DE ARTE ANTIGA:
Museu Nacional de Arte Antiga, manhã de sexta-feira, feriado nacional. Cerca de 80 % dos (pouco numerosos) clientes são franceses. Será que este museu aparece em destaque nos guias Michelin e Routard?
Não me recordava desta esplêndida e perturbante Salomé de Cranach o Velho:
Museu Nacional de Arte Antiga, manhã de sexta-feira, feriado nacional. Cerca de 80 % dos (pouco numerosos) clientes são franceses. Será que este museu aparece em destaque nos guias Michelin e Routard?
Não me recordava desta esplêndida e perturbante Salomé de Cranach o Velho:
DEPOIS DE KARADZIC E MLADIC, RUI TAVARES:
Rui Tavares, um dos carrascos do povo líbio, não deixa margem para dúvidas.
(O negrito é meu e supérfluo.) O mundo era muito mais enfadonho quando os blogs não existiam e não tínhamos pérolas como esta à distância de um indolente click de rato.
Rui Tavares, um dos carrascos do povo líbio, não deixa margem para dúvidas.
(O negrito é meu e supérfluo.) O mundo era muito mais enfadonho quando os blogs não existiam e não tínhamos pérolas como esta à distância de um indolente click de rato.
terça-feira, junho 07, 2011
COMENTÁRIOS SOBRE AS ELEIÇÕES PARA ARRUMAR COM O ASSUNTO E DEPOIS IR À VIDA (3/3):
Um dos grandes (um dos únicos) prazeres pós-eleitorais consiste em verificar, blog após blog, colunista após colunista, quão multiformes podem ser as variantes do eterno lamento «O povo não sabe o que é melhor para ele», e até onde alguns se deixam ir no vistoso exercício de martelar a realidade à medida dos seus argumentos inamovíveis.
Um dos grandes (um dos únicos) prazeres pós-eleitorais consiste em verificar, blog após blog, colunista após colunista, quão multiformes podem ser as variantes do eterno lamento «O povo não sabe o que é melhor para ele», e até onde alguns se deixam ir no vistoso exercício de martelar a realidade à medida dos seus argumentos inamovíveis.
COMENTÁRIOS SOBRE AS ELEIÇÕES PARA ARRUMAR COM O ASSUNTO E DEPOIS IR À VIDA (2/3):
Votar para nada serve...
Sem dúvida, sobretudo quando não é o nosso partido que ganha.
(Ah, e Bruce Nauman forever.)
Votar para nada serve...
Sem dúvida, sobretudo quando não é o nosso partido que ganha.
(Ah, e Bruce Nauman forever.)
COMENTÁRIOS SOBRE AS ELEIÇÕES PARA ARRUMAR COM O ASSUNTO E DEPOIS IR À VIDA (1/3): Diálogo entre duas senhoras de idade, escutado à saída da assembleia de voto:
- Pois, já se sabe o que vai acontecer. Um vai perder...
- E o outro vai ganhar.
Institutos de sondagens para quê? Painéis de comentadores para quê? Este diálogo, na sua rude singeleza, encapsula de maneira admirável tudo o que interessa saber sobre as eleições de domingo passado. Um perdeu, o outro ganhou.
- Pois, já se sabe o que vai acontecer. Um vai perder...
- E o outro vai ganhar.
Institutos de sondagens para quê? Painéis de comentadores para quê? Este diálogo, na sua rude singeleza, encapsula de maneira admirável tudo o que interessa saber sobre as eleições de domingo passado. Um perdeu, o outro ganhou.
domingo, junho 05, 2011
DOMINIQUE STRAUSS-KAHN: O colectivo editorial do 1bsk não tem qualquer opinião sobre a inocência ou culpabilidade de DSK. Ainda assim, vê-se no dever de frisar que o ex-director geral do FMI tem direito, para além da presunção da inocência, a que a grafia do seu apelido seja respeitada. É "STRAUSS-KAHN", e não "STRAUSS-KHAN", como muitas vezes se vê por aí.
A história era a mesma quando Helmut Kohl era o chanceler alemão. Vez sim vez não, os jornais escreviam o seu nome como "Khol". O que justifica esta tendência para agrupar o K e o H a todo o custo?
A história era a mesma quando Helmut Kohl era o chanceler alemão. Vez sim vez não, os jornais escreviam o seu nome como "Khol". O que justifica esta tendência para agrupar o K e o H a todo o custo?
ENTÃO COMO AGORA: O nicho votivo já foi entregue. Estas linhas foram publicadas em 1823 (portanto muito antes do nascimento de Catherine Millet, Martin Amis ou Philip Roth) na revista "Blackwood's", como reacção à publicação de obras de cariz marcadamente confessional da autoria de Rousseau, De Quincey e Lamb. Este excerto é citado no prefácio a Liber Amoris, de William Hazlitt, obra contemporânea que narra, sob um ténue anonimato, uma aventura amorosa pouco edificante do autor que envolveu Sarah Walker, a filha dos seus senhorios em Londres.
Curiosamente, há personagens chamadas Sarah Walker em duas séries em exibição na RTP ("Chuck" e "Brothers and Sisters"), revelando um certo tropismo hazlittiano por parte dos respectivos argumentistas.
Curiosamente, há personagens chamadas Sarah Walker em duas séries em exibição na RTP ("Chuck" e "Brothers and Sisters"), revelando um certo tropismo hazlittiano por parte dos respectivos argumentistas.
quarta-feira, maio 25, 2011
COISAS QUE O PESSOAL DA BIBLIOTECA PÚBLICA DE NOVA YORK NÃO FAZ POR TELEFONE:
- responder a perguntas sobre concursos ou palavras cruzadas;
- ajuda para trabalhos de casa;
- responder a especulações filosóficas.
(Aqui.)
- responder a perguntas sobre concursos ou palavras cruzadas;
- ajuda para trabalhos de casa;
- responder a especulações filosóficas.
(Aqui.)
TODOS OS PELUCHES SÃO ÓPTIMOS PARA ABRAÇAR, CONFORTAR E OUVIR; GOSTAM DE BRINCADEIRAS E TRAVESSURAS. PARA ALÉM DISSO, SÃO SEGUROS E TESTADOS:
Porque não aproveitar o fim-de-semana para ir à IKEA de Loures, que cumpre um ano de existência, e comprar um brócolo de peluche ou um morango de peluche?
Porque não aproveitar o fim-de-semana para ir à IKEA de Loures, que cumpre um ano de existência, e comprar um brócolo de peluche ou um morango de peluche?
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