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| James Stewart e Kim Novak em "Vertigo", de Alfred Hitchcock (1958) |
Em "Vertigo", é notável a frequência com que as personagens usam o verbo "to wander" e seus derivados ("wandering about", "wandering around") para justificar as suas deambulações por San Francisco. Este é um filme em que as motivações das personagens parecem evoluir ao sabor das suas trajectórias silenciosas. Todos sabemos que Madeleine, afinal, é cúmplice de um plano homicida e que as suas errâncias não passam de uma farsa habilmente montada. Todos sabemos que Scottie a segue para fazer um favor a um amigo. Pouco importa. É quase impossível não ceder à ilusão, deixar de acreditar que este é um encontro entre dois seres perdidos no mundo, juntos pelo acaso e pela acção benigna de uma cidade cheia de declives e estradas tortuosas. O seu encontro, em particular a extraordinária cena da noite em casa de Scottie depois de este salvar Madeleine do afogamento (também isto é mentira), tem algo de consumação de um destino partilhado por dois "wanderers", vagabundos da vida prometidos um ao outro para lá de todas as maquinações humanas.
Some are too much at home in the role of wanderer
(Denise Levertov)






























