segunda-feira, julho 01, 2013

FONTES

No Diário de Notícias:

SAÍDA DE GASPAR PROVOCA AUMENTO NAS TAXAS DE JURO DE PORTUGAL

com link para o Dinheiro Vivo, onde afinal de contas se lê

JUROS DA DÍVIDA MANTÊM-SE ESTÁVEIS APESAR DA SAÍDA DE GASPAR

Ou de como vale sempre a pena ir consultar as fontes.


sexta-feira, junho 14, 2013

O ESTADO DO MUNDO

"A Luta de Jacob com o Anjo", Maurice Denis, 1893.

MIL OLHOS

É continuar a tentar. O sucesso exige perseverança, esforço e alguma sorte.

Temos mil olhos, como o Dr. Mabuse. Mas há coisas que nos escapam, de vez em quando. Demasiados leitores e demasiados lugares públicos.

quarta-feira, junho 05, 2013

Eh eh, quem me dera que o meu mundo fosse assim tão perfeito.

DA CONCISÃO

Dois jovens de vinte anos passam o seu tempo nos cafés parisienses à volta de raparigas. Uma das tentativas de engate dá para o torto.

Este é sem dúvida um dos melhores resumos de filme que li em toda a minha vida, e olhem que não li poucos. É da autoria de Antonio Rodrigues e diz respeito ao filme "Du Côté de Robinson", de Jean Eustache. (Folhas da Cinemateca, Cinemateca Portuguesa, 2008.)

O facto de se aplicar igualmente a pelo menos 50 % dos filmes da primeira fase da Nouvelle Vague não lhe retira mérito.


sábado, junho 01, 2013

TELHADOS DE PELÍCULA ADERENTE DE MARCA BRANCA

A blogosfera favorece a preguiça. Após ter lido a crónica que Vasco Graça Moura perpetrou há alguns dias, na qual se insurgia contra a proliferação do insulto, cheguei a sentir vontade de meter mãos à tarefa de prospecção dos escritos pretéritos deste cavalheiro e recolher alguns exemplos em que ele próprio deixou fugir (e com que ardor!) o pé para a chinela do impropério. Tratando-se de um caso de contumácia que dura há anos, não faltaria a matéria prima. Demoveu-me a certeza de que alguém, algures, haveria de se dedicar a essa missão, sem dúvida com maior brio e exaustividade. Está feito. E estou certo de que o fundo da arca ficou ainda por raspar.

Vasco Graça Moura é uma figura que me deixa perplexo. Respeito o erudito, o tradutor de Dante e Shakespeare. Admiro a persistência com que tem combatido esse delírio disforme conhecido nalguns meios como "Acordo Ortográfico" e identifico-me com esse combate. Desprezo a criatura que, periodicamente, se entrega aos mais requintados e virulentos exercícios de vitupério dirigidos contra todos aqueles que não partilham das suas mundividências políticas e sociais, muito em particular todos aqueles que votaram PS ou que não consideram José Sócrates o português mais ignóbil desde Miguel Vasconcelos.

Vir agora esta mesmíssima pessoa mostrar surpresa por uma suposta "proliferação do insulto" seria chocante se não fosse, bem vistas as coisas, perfeitamente coerente com o seu défice de sintonia em relação à realidade que o rodeia.

Nem sequer se aplica a expressão "telhados de vidro". O vidro é um material nobre, versátil e mal servido pela sua reputação de fragilidade. Isto são telhados de hóstia, de película aderente de marca branca ou de papel higiénico de folha simples.

quinta-feira, maio 30, 2013

A LIBERDADE DE DELIBERAÇÃO DEMOCRÁTICA ESTÁ EM PERIGO!

O ministro Poiares Maduro veio a terreiro dizer que o Tribunal Constitucional limita em excesso a liberdade de deliberação democrática. A afirmação parece tão esdrúxula que me dei ao trabalho de ler o artigo várias vezes, em busca de uma justificação. Em vão. Talvez esteja nos conteúdos para assinantes.

É interessante, mas também assustador, constatar a ligeireza com que certas figuras designam a Constituição da República e o TC como bodes expiatórios, quando estes são ou se mostram contrários aos seus intentos e afã legislativo.

É reconfortante, por outro lado, saber que o Dr. Poiares Maduro defende, apesar das tendências castradoras do TC, que as suas decisões devem ser respeitadas.

terça-feira, maio 28, 2013

PAUL KLEE, GOETHE, SINDBAD E BARBA-AZUL, PORCOS-ESPINHOS, DIVÓRCIOS

Duas notas relativas à minha primeira visita do ano à Feira do Livro.

1) Há uma efígie em tamanho natural do papa Francisco colocada estrategicamente para pregar um susto aos incautos.

2) Está disponível no stand da Antígona a primeira (salvo erro imperdoável da minha parte) tradução da obra de Donald Barthelme publicada em Portugal.



Deixemo-nos de rodriguinhos: este é o acontecimento que marca o fim da idade das cavernas no meio editorial português e que escancara as portas da modernidade.

Acabou-se a vergonha que eu sentia quando tinha de admitir que um dos autores mais fascinantes e inovadores do século XX estava por traduzir, no meu país, ao passo que milhares de palavras de pura escória literária viam a luz por cada hora que passava.

Parabéns à Antígona e ao tradutor Paulo Faria por terem enfrentado este desafio.

Posso garantir que esta colectânea é, em conformidade com aquilo que é alegado pela editora, uma das melhores introduções à obra de Don B. Muitos destes contos estão entre os melhores do autor.

Não há que ter ilusões: por mais competente que tenha sido o trabalho de tradução (e acredito que o tenha sido), nada substitui o original. Mas não me parece completamente descabido adquirir a edição em português, como forma de agradecer à Antígona por ter quebrado este enguiço editorial que manchava o Portugal cultural como uma nódoa escura e viscosa.

segunda-feira, maio 27, 2013

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

No cais da estação de metro Campo Grande, sentado, sentido Cais do Sodré, leitor entretido com um livro de Samuel Beckett que me pareceu ser a edição da Relógio d'Água de "Molloy" (95 % de certeza), e já se sabe como este livro tem matéria para entreter em abundância.

sábado, maio 25, 2013

(...) a work of art can't be done for the purpose of pleasing a certain group of readers.

(Georges Simenon, "The Paris Review Interviews", vol. 3)

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Leitor na linha amarela do metro com livro "Uma Vida Imaginária", de David Malouf, entre as mãos. Estava quase no final. Se foi até ao fim da linha (Rato), talvez tenha tido tempo para acabar.

segunda-feira, maio 20, 2013

Merengue, lemon curd, framboesas, mel, hortelã, tomilho. A vida é como certas sobremesas do Jamie Oliver: demasiadas coisas.

sábado, maio 04, 2013

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha amarela do metropolitano, uma leitora lia "Wuthering Heights", de Emily Brontë, de pé, em versão original.

Oh, Heathcliff!

sexta-feira, abril 26, 2013

quinta-feira, abril 25, 2013

INICIAL, INTEIRO, LIMPO

Ano após ano, fascina-me ir descobrindo as novas estratégias que certos sectores põem em prática para relativizar, apoucar, ignorar ou contestar o significado deste dia. E porém o significado e a memória perduram, tão mais fortes e nítidos do que tudo o resto.


segunda-feira, abril 22, 2013

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na Cinemateca, uma leitora lia os "Diários" de Al Berto. Nada como um bom livro imediatamente antes de um filme. Ou depois.

sexta-feira, abril 19, 2013

terça-feira, abril 16, 2013

CONTUMÁCIA

Com um intervalo de vários anos, comprei um postal do mesmo quadro de Degas na Courtauld Gallery, Londres. É este:


"Mulher à Janela", 1872.

Não sei se esta constância de gostos deve ser para mim motivo de embaraço ou de regozijo.

Há uma história, associada a este quadro, que pode ter contribuído para este impulso repetido. O quadro foi pintado durante o cerco prussiano a Paris, que trouxe consigo a fome e as privações de toda a espécie. A mulher que posou foi remunerada com um pedaço de carne crua que ela, esfomeada, devorou imediatamente.

«Figure and setting seem, like something found by chance, an unposed vignette, which the artist perhaps saw in passing, out of the corner of his eye, and which he must have registered later in the studio, using quick touches of oil paint on paper. But this is inaccurate. The picture was preconceived, and a model obtained. And Degas deliberately set out to experiment with "essence", which involves draining paint of its oil and thinning it instead with turpentine. So the informality, as always in Degas's paintings, is calculated.» (Frances Spalding)



quinta-feira, abril 11, 2013

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na plataforma do metro da estação Campo Grande (linha verde, sentido Cais do Sodré), um leitor lia um livro de Mo Yan. Sim, era esse mesmo, o mais-que-mítico "Peito Grande, Ancas Largas". O que terá despertado o interesse deste leitor? O prestígio do prémio Nobel? O título, tão subtilmente sugestivo? Nunca o saberemos. Em todo o caso, a linha verde continua a dar cartas.

segunda-feira, abril 08, 2013

CONSTITUIÇÃO

Nestes tempos (que tempos!) em que se insultam órgãos de soberania com a mesma ligeireza com que se esborracha um mosquito, certas imagens valem mais do que mil palavras, um milhão de comentários, um bilião de narrativas:



Sim, a Constituição da República. A maior força de bloqueio que existe, segundo alguns (numerosos, barulhentos); o mais nefasto dos empecilhos.