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| Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman em "The Master", de Paul Thomas Anderson |
sexta-feira, janeiro 03, 2014
A MINHA MENSAGEM DE ANO NOVO
Procuro fazer dos meus votos para 2014 algo de muito modesto, e chego a algo de extravagantemente ambicioso. Espero que o novo ano permita que a decência, a clarividência e a beleza ganhem alguns centímetros à estupidez, à intolerância, ao dogmatismo e à mesquinhez. Espero que todos acabem o ano com alguma coisa entre mãos à qual o substantivo "Felicidade" sirva sem demasiado esforço. E espero que continuemos a tropeçar com estrondo em filmes como este:
quinta-feira, janeiro 02, 2014
UM TÍTULO QUE NÃO ENGANA
Mesmo sem nunca o ter lido, tenho a certeza de que o poema "Toda a gente a beber coca-cola" é o tipo de poema capaz de revolucionar a Literatura e de marcar uma Geração.
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
No comboio Porto-Lisboa, um/a leitor/a lia "A Confraria do Vinho", de John Fante. A indefinição de género justifica-se pelas dificuldades inerentes à observação atenta de leitores sentados num comboio disparado a 200 à hora por esse Portugal fora. Aquilo balança e não é pouco. Este problema é muito sério.
quarta-feira, janeiro 01, 2014
PÉROLAS DA PARIS REVIEW
(The Paris Review Interviews, Vol. 4)
segunda-feira, dezembro 23, 2013
quinta-feira, dezembro 12, 2013
OZU
Yasujiro Ozu nasceu há 110 anos e morreu há 50 anos. Sirva este dia 12 de Dezembro para celebrar duplamente a memória e o talento imenso deste realizador, assim como todas as personagens que ele faz entrar na minha vida.
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| Chieko Higashiyama, Setsuko Hara e Chishu Ryu em "Tokyo Monogatari", de Yasujiro Ozu (1953) |
segunda-feira, dezembro 09, 2013
DO MUNDO EDITORIAL PORTUGUÊS
Os contos "O salvo-conduto" e "Vilar Frio" foram publicados no volume Três histórias transmontanas (1998), que mal chegou a ser distribuído: tenho num armazém dois ou três caixotes deles!
(A.M. Pires Cabral, nota introdutória a "Os Anjos Nus" (2012))
(A.M. Pires Cabral, nota introdutória a "Os Anjos Nus" (2012))
sexta-feira, dezembro 06, 2013
terça-feira, dezembro 03, 2013
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na Cinemateca Portuguesa: um leitor lia "Twelfth Night", de Shakespeare. Leia bons livros, veja bons filmes, desfrute da vida.
domingo, dezembro 01, 2013
PÉROLAS DA PARIS REVIEW
(The Paris Review Interviews, Vol. 4)
sábado, novembro 30, 2013
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na inevitável linha verde do metropolitano: uma leitora lia "The Sense of an Ending", de Julian Barnes, e um leitor lia "A Origem da Tragédia", de Nietzsche (na edição da Guimarães). A distância que separava um do outro percorria-se em menos tempo do que leva a dizer "Deus está morto".
terça-feira, novembro 12, 2013
Ó CAVALHEIRO, NÃO QUER VIR DAR UM TIRINHO NA CONSTITUIÇÃO?
O exercício de zurzir na Constituição da República está a transformar-se num espectáculo de feira. Tal como numa barraca de tiros, os mais exímios acotovelam-se com os mais canhestros. Entre esta multidão que se chega à frente, com receio de perder a vez, como categorizar o ministro da Defesa, Aguiar-Branco?
"A verdade é que nós, por via da situação de tender a ter esse Estado social absorvente, tender a ter um Estado que visa absorver a sociedade numa dimensão que, a meu ver é exagerada, faz com que tenhamos uma tentação de um Estado totalitário, que cria as promiscuidades, que cria as clientelas, que cria as dependências e enfraquece a sociedade", sustentou.
Justifica-se a hesitação. Ele não é particularmente certeiro, mas não é mais inábil do que qualquer um dos que o antecedeu ou virá a seguir. A haver um prémio da originalidade, Aguiar-Branco arriscava-se a levá-lo consigo. Agitar o espantalho da transformação do Estado Social num Estado totalitário, fazer dos mecanismos de apoio social (que tantas vezes fazem a diferença entre a miséria e a dignidade) tentáculos ameaçadores, acusar esse mesmo Estado de criar promiscuidades (quando salta à vista que as promiscuidades brotam na zona cinzenta entre Público e Privado, independentemente da dimensão dos respectivos sectores), revela uma ousadia que será difícil de igualar. Aguiar-Branco colocou esta nova actividade recreativa num patamar de sofisticação e fantasia inesperado. Resta saber se aqueles que seguem atrás dele na fila saberão mostrar-se à altura.
"A verdade é que nós, por via da situação de tender a ter esse Estado social absorvente, tender a ter um Estado que visa absorver a sociedade numa dimensão que, a meu ver é exagerada, faz com que tenhamos uma tentação de um Estado totalitário, que cria as promiscuidades, que cria as clientelas, que cria as dependências e enfraquece a sociedade", sustentou.
Justifica-se a hesitação. Ele não é particularmente certeiro, mas não é mais inábil do que qualquer um dos que o antecedeu ou virá a seguir. A haver um prémio da originalidade, Aguiar-Branco arriscava-se a levá-lo consigo. Agitar o espantalho da transformação do Estado Social num Estado totalitário, fazer dos mecanismos de apoio social (que tantas vezes fazem a diferença entre a miséria e a dignidade) tentáculos ameaçadores, acusar esse mesmo Estado de criar promiscuidades (quando salta à vista que as promiscuidades brotam na zona cinzenta entre Público e Privado, independentemente da dimensão dos respectivos sectores), revela uma ousadia que será difícil de igualar. Aguiar-Branco colocou esta nova actividade recreativa num patamar de sofisticação e fantasia inesperado. Resta saber se aqueles que seguem atrás dele na fila saberão mostrar-se à altura.
domingo, novembro 10, 2013
sexta-feira, novembro 08, 2013
O ESTADO, ESSE INIMIGO DOS POBRES
Há quem faça montanhismo ou corridas clandestinas de carros para obter o seu "fix" periódico de adrenalina. Outros recorrem a estratégias mais subtis. João César das Neves, por exemplo, parece confiar nos seus exercícios semanais de defesa do indefensável para sugar o tutano da existência, para se sentir vivo, audaz e completo.
Na sua última crónica, por exemplo, JCN sustenta que
todos sabem ser [o Estado] há séculos um inimigo dos miseráveis
E não se pense que o âmbito desta afirmação se confina aos tempos idos de Antigos Regimes, totalitários e absolutistas:
Reis, imperadores e governantes nunca se interessaram pelos desgraçados, quando não os perseguiam. O poder não gosta dos pobres e estes confiam mais na ajuda do próximo que nas promessas dos chefes. Há muito que é a Igreja, não o Governo, a tratar dos necessitados. As coisas parecem diferentes na moderna democracria assistencialista, mas um velho princípio económico mostra a ingenuidade dessa ilusão.
Esse "velho princípio" (foi postulado há cerca de meio século) é a lei de Director, atribuída a Aaron Director (figura de relevo da escola de Chicago, acessoriamente cunhado de Milton Friedman) e formulada por George Stigler:
Esse teorema afirma que "as despesas públicas são feitas para o benefício primordial da classe média, e financiadas com impostos suportados em parte considerável pelos pobres e pelos ricos".
JCN raramente hesita em puxar dos seus galões de professor de Economia para impressionar a populaça. Quantos dos seus leitores alguma vez terão ouvido falar desta lei? De entre os 99,99% que nunca ouviram falar dela (entre os quais me incluo), quantos se darão ao trabalho de tentar ir além das sentenças que JCN emite a partir da sua cátedra?
Uma rápida pesquisa na Internet permite descobrir algumas coisas interessantes que ajudam a injectar um pouco de contexto nesta crónica:
Mas o que importa isto tudo? A prioridade de JCN nunca foi a coerência com a realidade, mas sim viver perigosamente nas fronteiras selvagens do inverosímil e do mirabolante. Para quem já veio a terreiro defender que a Inquisição não passou de um clube de cavalheiros inofensivos, que a religião é amiga da ciência, que as causas do declínio da natalidade são a promoção da homossexualidade e a educação sexual laxista, isto certamente sabe a pouco. As próximas semanas hão certamente de nos trazer material mais "hardcore".
Na sua última crónica, por exemplo, JCN sustenta que
todos sabem ser [o Estado] há séculos um inimigo dos miseráveis
E não se pense que o âmbito desta afirmação se confina aos tempos idos de Antigos Regimes, totalitários e absolutistas:
Reis, imperadores e governantes nunca se interessaram pelos desgraçados, quando não os perseguiam. O poder não gosta dos pobres e estes confiam mais na ajuda do próximo que nas promessas dos chefes. Há muito que é a Igreja, não o Governo, a tratar dos necessitados. As coisas parecem diferentes na moderna democracria assistencialista, mas um velho princípio económico mostra a ingenuidade dessa ilusão.
Esse "velho princípio" (foi postulado há cerca de meio século) é a lei de Director, atribuída a Aaron Director (figura de relevo da escola de Chicago, acessoriamente cunhado de Milton Friedman) e formulada por George Stigler:
Esse teorema afirma que "as despesas públicas são feitas para o benefício primordial da classe média, e financiadas com impostos suportados em parte considerável pelos pobres e pelos ricos".
JCN raramente hesita em puxar dos seus galões de professor de Economia para impressionar a populaça. Quantos dos seus leitores alguma vez terão ouvido falar desta lei? De entre os 99,99% que nunca ouviram falar dela (entre os quais me incluo), quantos se darão ao trabalho de tentar ir além das sentenças que JCN emite a partir da sua cátedra?
Uma rápida pesquisa na Internet permite descobrir algumas coisas interessantes que ajudam a injectar um pouco de contexto nesta crónica:
- Trata-se de uma lei empírica, e não de um princípio universalmente aceite que justifique uma condenação tão categórica do papel do Estado junto dos mais desmunidos. Lendo JCN, dir-se-ia estarmos perante a 2ª lei de Newton.
- Quase todos os "sites" que a citam são claramente conservadores e recorrem a esta lei como um recurso de contra-argumentação dirigido às políticas orçamentais da administração Obama.
- A lei de Director diz apenas respeito à distribuição dos recursos por via de um orçamento e ao modo como esta é influenciada pelas alianças (no sentido lato do termo) que se formam entre sectores do eleitorado. Não abrange a vertente assistencialista típica de um Estado Social moderno (ver, neste artigo, o parágrafo 2.1), o que, logo à partida, deita por terra a comparação que JCN tenta estabelecer com a suposta generosidade da Igreja.
Mas o que importa isto tudo? A prioridade de JCN nunca foi a coerência com a realidade, mas sim viver perigosamente nas fronteiras selvagens do inverosímil e do mirabolante. Para quem já veio a terreiro defender que a Inquisição não passou de um clube de cavalheiros inofensivos, que a religião é amiga da ciência, que as causas do declínio da natalidade são a promoção da homossexualidade e a educação sexual laxista, isto certamente sabe a pouco. As próximas semanas hão certamente de nos trazer material mais "hardcore".
quinta-feira, novembro 07, 2013
quarta-feira, novembro 06, 2013
quarta-feira, outubro 30, 2013
MAIS BANALIDADES
No excelente blog "Orgia Literária", uma resposta arrasadora às infelizes considerações de Inês Pedrosa sobre a alegada menoridade do conto. Duvido apenas que a artigalhada de IP mereça resposta tão elaborada e rica, mas reconheça-se que disparates deste calibre, vindos de alguém com um mínimo de reputação, são tão raros como certos cometas, pelo que se justifica serem assinalados com uma certa pompa.
Apesar de tudo mantenho consideração por IP: admirei algumas suas acções no passado, as suas crónicas costumam ser muito mais equilibradas e sensatas do que este lamentável exemplo. Prefiro ver nisto um passo em falso, felizmente pouco susceptível de influenciar os gostos literários seja de quem for.
Apesar de tudo mantenho consideração por IP: admirei algumas suas acções no passado, as suas crónicas costumam ser muito mais equilibradas e sensatas do que este lamentável exemplo. Prefiro ver nisto um passo em falso, felizmente pouco susceptível de influenciar os gostos literários seja de quem for.
OS PODERES SUPERIORES
quinta-feira, outubro 24, 2013
SÓ O CINEMA
E há ainda este sonho insistente: a minha vida não é mais do que um fotograma do filme "Céline et Julie Vont en Bateau", de Jacques Rivette. Dentro do sonho, a dúvida: antes ou depois de Dominique Labourier e Juliet Berto engolirem o caramelo mágico?
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