segunda-feira, julho 14, 2014

14 JUILLET

Há exactamente dois séculos e um quarto, o mundo (re)começou.


segunda-feira, julho 07, 2014

RESPOSTA

«A felicidade não tem nada a ver com isso» é uma excelente resposta que se adequa a muitas perguntas e muitas ocasiões.

domingo, julho 06, 2014

O ESTADO DO MUNDO

Da série "Prélude au hors champ", Olivier Christinat

FORAM-SE EMBORA

O que fazer quando o melhor blog português se auto-aniquila? Três sugestões:

  • Rasgar as vestes.
  • Agradecer à C. e ao Rui por tantos momentos tão fortes, tão belos, tão alheios ao conformismo intelectual e à banalidade que alastram algures, como uma epidemia.
  • Saudar o novo blog do Rui.

terça-feira, junho 17, 2014

O QUE IMPORTA REALMENTE NA VIDA?

Pouca coisa. Amor, sabedoria, compaixão, livros, música. E também os morangos da Estíria.

© LJH Schießstattgasse

terça-feira, maio 13, 2014

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha verde do metropolitano, uma leitora lia "O Amante do Vulcão", de Susan Sontag.

Na linha amarela, uma leitora diferente lia uma biografia de Marcel Proust.

O que faz falta é espreitar as leituras da malta nos lugares públicos e depois contar tudo no blog.

terça-feira, maio 06, 2014

PORTANTO É ASSIM

Portanto, estamos assim: um presidente da República que recorre ao Facebook para ajustar contas e para troçar daqueles que, do seu ponto de vista, não partilham da sua suprema clarividência devidamente vertida em letra de imprensa nos seus famigerados prefácios.

Às vezes, penso que o próximo Presidente terá pela frente uma tarefa hercúlea de recuperação da credibilidade desta instituição e do cargo de magistrado supremo da nação.

Outras vezes, concluo que a tarefa do próximo Presidente será invulgarmente simples. Quem vier na esteira de Cavaco Silva surgirá inevitavelmente, por comparação, como um grande estadista pleno de sentido de responsabilidade e de sensatez, faça aquilo que fizer.

sábado, abril 26, 2014

COMO ESTÁ O MUNDO

"Haeres", Geneviève Asse (1977)

(a minha Avó faria hoje 100 anos se fosse viva; penso nela vezes sem conta, sempre com tantas, tantas saudades)

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha verde do metropolitano, um leitor lia a antologia "Um Homem Célebre", de Machado de Assis.

No cais da estação Campo Grande, e subsequentemente na mesma linha verde (sentido Telheiras), uma leitora lia "Manhã Submersa", de Vergílio Ferreira.

Da minha língua vê-se a 2ª Circular, o Hospital de Santa Maria e o Estádio Alvalade XXI.

quinta-feira, abril 17, 2014

segunda-feira, março 31, 2014

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha vermelha do metropolitano, em dias diferentes, um leitor lia "Os Irmãos Karamazovs", de Dostoyevsky, e uma leitora lia "O Monte dos Vendavais", de Emily Brontë. E faziam bem. Sem os clássicos não se chega a lado algum. Ou, se se chegar, chega-se de forma trôpega, enviezada e laboriosa.

domingo, março 23, 2014

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

A vida de um observador de leituras em lugares públicos tem dias vazios, dias menos bons, dias satisfatórios e, muito esparsamente, dias mágicos que compensam toda a apagada e vil tristeza dos demais. O dia de hoje foi um desses dias.

Na linha vermelha do metropolitano, um leitor lia um livro do poeta suíço Philippe Jaccottet, da colecção de poesia da Gallimard. Pareceu-me ser este:


O leitor, ao fim de alguns versos, alheou-se da leitura e bocejou. Mau sinal? Prefiro acreditar que se tratou de uma simples pausa, tempo concedido a um poema para revelar todo o seu poder.

sábado, março 22, 2014

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha verde do metropolitano, a hora bem matutina, uma leitora lia "A Náusea", de Jean-Paul Sartre.

O existencialismo é deveras um humanismo, e em nenhum outro lugar essa verdade brilha com tanto esplendor como numa carruagem do Metropolitano de Lisboa povoada de passageiros a caminho dos seus destinos.

terça-feira, março 11, 2014

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na mesma carruagem, na linha verde do metropolitano, a um punhado de metros um do outro, um leitor lia Pepetela ("Jaime Bunda") e uma leitora lia "A Origem da Tragédia", de Nietzsche.

Ó, linha verde do metropolitano, que albergas no teu confortável bojo leitores e leituras tão diversas, dia após dia!

quinta-feira, março 06, 2014

domingo, março 02, 2014

ALAIN RESNAIS (1922-2014)

Desde que me familiarizei com a sua obra, nunca duvidei de que Alain Resnais era um dos maiores, mais criativos e mais inteligentes cineastas do século XX. A sua longevidade e a sua actividade contínua na recta final da cadeira fizeram dele também um dos realizadores mais surpreendentes do início do século XXI. Da sua obra tão longa e densa, destaco os meus favoritos: "Hiroshima Mon Amour" (tão poderoso hoje como há cinquenta anos), "L'Année Dernière à Marienbad", "Providence", "Mélo", "Smoking/No Smoking" e "Les Herbes Folles".

Palpita-me que Resnais nunca terá perdido um minuto da sua vida a ruminar algumas das críticas absurdas e recorrentes que lhe foram sendo dirigidas: a crítica de que a sua obra valia o que valiam os argumentistas e escritores com quem colaborou (foram muitos e excelentes, mas Resnais esteve longe de ser um ilustrador, nunca os seus filmes deixaram de acrescentar algo aos textos, de os reinventar, de sobre eles construir algo de novo); a crítica de que os seus filmes dependiam em demasia dos talentos dos actores (mas como negar que Sabine Azéma, Pierre Arditi, André Dussollier, Delphine Seyrig e tutti quanti tiveram com ele alguns dos seus melhores papéis, e que isso se deveu em grande medida à sagacidade e sensibilidade do realizador?).

Fica - como lhe compete - a obra. Filmes imensos, mas sobretudo filmes que nunca hesitam em desafiar a inteligência do espectador.

Obrigado por tudo, obrigado por tanta coisa duradoura.

André Dussollier, Sabine Azéma e Pierre Arditi em "Mélo" (1986)


 NOTA: Recomendo a leitura deste notável obituário de Jacques Mandelbaum.

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Linha verde do metropolitano. Uma leitora lia "As Velas Ardem Até ao Fim", do consagrado romancista húngaro Sándor Márai.

E hoje mais não digo, porque é dia de luto (ver post seguinte).

sábado, março 01, 2014

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na estação de metropolitano de Telheiras, um leitor lia "O Fio do Horizonte", de Antonio Tabucchi, enquanto caminhava na direcção dos canais de saída.

As actividades de leitura e ambulatória são de duvidosa compatibilidade mútua, embora isso dependa fortemente de numerosos factores e condicionalismos. Uma monografia de minha autoria sobre este tema espera apenas, para vir a lume, a altura certa.