terça-feira, julho 22, 2014
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na linha amarela do metropolitano, uma leitora lia "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen. Ia no capítulo 47, pelo que já se deve ter apercebido de que Mr Darcy é afinal um ser humano decentíssimo e que Mr Wickham é um desprezível estouvado.
terça-feira, julho 15, 2014
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Um leitor lia "Dormir au Soleil", tradução francesa de "Dormir al Sol", de Adolfo Bioy Casares. Foi numa esplanada perto da estação do Rossio.
Voltando a terrenos de caça mais costumeiros: na linha verde do metropolitano, um leitor lia "Ecce Homo", de Nietzsche.
Curiosamente, um autor argentino e outro alemão, a poucos dias da final do Mundial. Quem me convencer de que se trata de mera coincidência poderá gabar-se de ser um mestre na subtil arte da argumentação.
Voltando a terrenos de caça mais costumeiros: na linha verde do metropolitano, um leitor lia "Ecce Homo", de Nietzsche.
Curiosamente, um autor argentino e outro alemão, a poucos dias da final do Mundial. Quem me convencer de que se trata de mera coincidência poderá gabar-se de ser um mestre na subtil arte da argumentação.
segunda-feira, julho 14, 2014
segunda-feira, julho 07, 2014
RESPOSTA
«A felicidade não tem nada a ver com isso» é uma excelente resposta que se adequa a muitas perguntas e muitas ocasiões.
domingo, julho 06, 2014
FORAM-SE EMBORA
O que fazer quando o melhor blog português se auto-aniquila? Três sugestões:
- Rasgar as vestes.
- Agradecer à C. e ao Rui por tantos momentos tão fortes, tão belos, tão alheios ao conformismo intelectual e à banalidade que alastram algures, como uma epidemia.
- Saudar o novo blog do Rui.
terça-feira, junho 17, 2014
O QUE IMPORTA REALMENTE NA VIDA?
terça-feira, maio 13, 2014
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na linha verde do metropolitano, uma leitora lia "O Amante do Vulcão", de Susan Sontag.
Na linha amarela, uma leitora diferente lia uma biografia de Marcel Proust.
O que faz falta é espreitar as leituras da malta nos lugares públicos e depois contar tudo no blog.
Na linha amarela, uma leitora diferente lia uma biografia de Marcel Proust.
O que faz falta é espreitar as leituras da malta nos lugares públicos e depois contar tudo no blog.
terça-feira, maio 06, 2014
PORTANTO É ASSIM
Portanto, estamos assim: um presidente da República que recorre ao Facebook para ajustar contas e para troçar daqueles que, do seu ponto de vista, não partilham da sua suprema clarividência devidamente vertida em letra de imprensa nos seus famigerados prefácios.
Às vezes, penso que o próximo Presidente terá pela frente uma tarefa hercúlea de recuperação da credibilidade desta instituição e do cargo de magistrado supremo da nação.
Outras vezes, concluo que a tarefa do próximo Presidente será invulgarmente simples. Quem vier na esteira de Cavaco Silva surgirá inevitavelmente, por comparação, como um grande estadista pleno de sentido de responsabilidade e de sensatez, faça aquilo que fizer.
Às vezes, penso que o próximo Presidente terá pela frente uma tarefa hercúlea de recuperação da credibilidade desta instituição e do cargo de magistrado supremo da nação.
Outras vezes, concluo que a tarefa do próximo Presidente será invulgarmente simples. Quem vier na esteira de Cavaco Silva surgirá inevitavelmente, por comparação, como um grande estadista pleno de sentido de responsabilidade e de sensatez, faça aquilo que fizer.
sábado, abril 26, 2014
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na linha verde do metropolitano, um leitor lia a antologia "Um Homem Célebre", de Machado de Assis.
No cais da estação Campo Grande, e subsequentemente na mesma linha verde (sentido Telheiras), uma leitora lia "Manhã Submersa", de Vergílio Ferreira.
Da minha língua vê-se a 2ª Circular, o Hospital de Santa Maria e o Estádio Alvalade XXI.
No cais da estação Campo Grande, e subsequentemente na mesma linha verde (sentido Telheiras), uma leitora lia "Manhã Submersa", de Vergílio Ferreira.
Da minha língua vê-se a 2ª Circular, o Hospital de Santa Maria e o Estádio Alvalade XXI.
sexta-feira, abril 25, 2014
quinta-feira, abril 17, 2014
segunda-feira, março 31, 2014
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na linha vermelha do metropolitano, em dias diferentes, um leitor lia "Os Irmãos Karamazovs", de Dostoyevsky, e uma leitora lia "O Monte dos Vendavais", de Emily Brontë. E faziam bem. Sem os clássicos não se chega a lado algum. Ou, se se chegar, chega-se de forma trôpega, enviezada e laboriosa.
domingo, março 23, 2014
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
A vida de um observador de leituras em lugares públicos tem dias vazios, dias menos bons, dias satisfatórios e, muito esparsamente, dias mágicos que compensam toda a apagada e vil tristeza dos demais. O dia de hoje foi um desses dias.
Na linha vermelha do metropolitano, um leitor lia um livro do poeta suíço Philippe Jaccottet, da colecção de poesia da Gallimard. Pareceu-me ser este:
O leitor, ao fim de alguns versos, alheou-se da leitura e bocejou. Mau sinal? Prefiro acreditar que se tratou de uma simples pausa, tempo concedido a um poema para revelar todo o seu poder.
Na linha vermelha do metropolitano, um leitor lia um livro do poeta suíço Philippe Jaccottet, da colecção de poesia da Gallimard. Pareceu-me ser este:
sábado, março 22, 2014
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na linha verde do metropolitano, a hora bem matutina, uma leitora lia "A Náusea", de Jean-Paul Sartre.
O existencialismo é deveras um humanismo, e em nenhum outro lugar essa verdade brilha com tanto esplendor como numa carruagem do Metropolitano de Lisboa povoada de passageiros a caminho dos seus destinos.
O existencialismo é deveras um humanismo, e em nenhum outro lugar essa verdade brilha com tanto esplendor como numa carruagem do Metropolitano de Lisboa povoada de passageiros a caminho dos seus destinos.
terça-feira, março 11, 2014
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na mesma carruagem, na linha verde do metropolitano, a um punhado de metros um do outro, um leitor lia Pepetela ("Jaime Bunda") e uma leitora lia "A Origem da Tragédia", de Nietzsche.
Ó, linha verde do metropolitano, que albergas no teu confortável bojo leitores e leituras tão diversas, dia após dia!
Ó, linha verde do metropolitano, que albergas no teu confortável bojo leitores e leituras tão diversas, dia após dia!
quinta-feira, março 06, 2014
domingo, março 02, 2014
ALAIN RESNAIS (1922-2014)
Desde que me familiarizei com a sua obra, nunca duvidei de que Alain Resnais era um dos maiores, mais criativos e mais inteligentes cineastas do século XX. A sua longevidade e a sua actividade contínua na recta final da cadeira fizeram dele também um dos realizadores mais surpreendentes do início do século XXI. Da sua obra tão longa e densa, destaco os meus favoritos: "Hiroshima Mon Amour" (tão poderoso hoje como há cinquenta anos), "L'Année Dernière à Marienbad", "Providence", "Mélo", "Smoking/No Smoking" e "Les Herbes Folles".
Palpita-me que Resnais nunca terá perdido um minuto da sua vida a ruminar algumas das críticas absurdas e recorrentes que lhe foram sendo dirigidas: a crítica de que a sua obra valia o que valiam os argumentistas e escritores com quem colaborou (foram muitos e excelentes, mas Resnais esteve longe de ser um ilustrador, nunca os seus filmes deixaram de acrescentar algo aos textos, de os reinventar, de sobre eles construir algo de novo); a crítica de que os seus filmes dependiam em demasia dos talentos dos actores (mas como negar que Sabine Azéma, Pierre Arditi, André Dussollier, Delphine Seyrig e tutti quanti tiveram com ele alguns dos seus melhores papéis, e que isso se deveu em grande medida à sagacidade e sensibilidade do realizador?).
Fica - como lhe compete - a obra. Filmes imensos, mas sobretudo filmes que nunca hesitam em desafiar a inteligência do espectador.
Obrigado por tudo, obrigado por tanta coisa duradoura.
NOTA: Recomendo a leitura deste notável obituário de Jacques Mandelbaum.
Palpita-me que Resnais nunca terá perdido um minuto da sua vida a ruminar algumas das críticas absurdas e recorrentes que lhe foram sendo dirigidas: a crítica de que a sua obra valia o que valiam os argumentistas e escritores com quem colaborou (foram muitos e excelentes, mas Resnais esteve longe de ser um ilustrador, nunca os seus filmes deixaram de acrescentar algo aos textos, de os reinventar, de sobre eles construir algo de novo); a crítica de que os seus filmes dependiam em demasia dos talentos dos actores (mas como negar que Sabine Azéma, Pierre Arditi, André Dussollier, Delphine Seyrig e tutti quanti tiveram com ele alguns dos seus melhores papéis, e que isso se deveu em grande medida à sagacidade e sensibilidade do realizador?).
Fica - como lhe compete - a obra. Filmes imensos, mas sobretudo filmes que nunca hesitam em desafiar a inteligência do espectador.
Obrigado por tudo, obrigado por tanta coisa duradoura.
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| André Dussollier, Sabine Azéma e Pierre Arditi em "Mélo" (1986) |
NOTA: Recomendo a leitura deste notável obituário de Jacques Mandelbaum.
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