quinta-feira, setembro 17, 2015
terça-feira, setembro 15, 2015
Como se o mundo precisasse de mais um livro de contos!!! Tss tss.
(Lançamento na Feira do Livro do Porto. No próximo sábado. Às 7 da tarde.)
(Lançamento na Feira do Livro do Porto. No próximo sábado. Às 7 da tarde.)
domingo, setembro 13, 2015
terça-feira, setembro 08, 2015
A ÉTICA É UMA CENA QUE NÃO ASSISTE AO MERCADO LIVRE
Ainda estou para perceber onde é que o DN vai desencantar alguns dos seus cronistas. Dir-se-ia uma experiência destinada a testar a incredulidade dos leitores. Miguel Angel Belloso é mais um cromo para esta bem catita colecção. Nesta crónica, debruça-se sobre aquele que parece ser o seu único tema: a excelência libertadora do mercado livre e os malefícios do socialismo. (José António Saraiva, no "Sol", bate-o na diversidade temática: tanto discorre sobre tesouras como sobre cera e como reconhecer um homossexual no elevador.) O trecho mais inacreditável é este:
«O sistema de livre mercado é amoral. Na minha opinião, é o modelo de organização económica e social mais conforme com a natureza humana, cujo instinto de sobrevivência e de progresso é genuíno e é também o modelo mais eficiente do ponto de vista dos resultados que obtém em prol do bem comum. Não pode nem deve ser julgado do ponto de vista da ética.»
Portanto, Belloso revoluciona a Filosofia ao identificar uma entidade que não pode nem deve ser escrutinada pela ética. É d'homem. Aguarda-se ansiosamente a revelação de outros domínios nos quais os juízos de valor não são admissíveis. Belloso tem o dever de esclarecer as massas.
(«Acho eu» acrescenta Belloso, numa concessão generosa à possível, mas pouco concebível, existência de opiniões diferentes das suas.)
«O sistema de livre mercado é amoral. Na minha opinião, é o modelo de organização económica e social mais conforme com a natureza humana, cujo instinto de sobrevivência e de progresso é genuíno e é também o modelo mais eficiente do ponto de vista dos resultados que obtém em prol do bem comum. Não pode nem deve ser julgado do ponto de vista da ética.»
Portanto, Belloso revoluciona a Filosofia ao identificar uma entidade que não pode nem deve ser escrutinada pela ética. É d'homem. Aguarda-se ansiosamente a revelação de outros domínios nos quais os juízos de valor não são admissíveis. Belloso tem o dever de esclarecer as massas.
(«Acho eu» acrescenta Belloso, numa concessão generosa à possível, mas pouco concebível, existência de opiniões diferentes das suas.)
segunda-feira, setembro 07, 2015
«En el problema del peronismo, por ejemplo, Borges es enemigo del peronismo, pero por motivos distintos a los míos. Borges y su madre (que era una mujer de gran talento) eran enemigos del peronismo porque les parecía una forma del comunismo. Yo era enemigo del peronismo porque nunca me gustaron los gobiernos absolutistas y tiránicos. En cambio aplaudí la justicia social... y Borges no aplaude esa clase de cosas.»
(Ernesto Sábato, entrevista a Joaquín Soler Serrano, in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986)
(Ernesto Sábato, entrevista a Joaquín Soler Serrano, in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986)
sexta-feira, setembro 04, 2015
quinta-feira, setembro 03, 2015
A NORA INEXISTENTE
Na entrevista dada a Joaquín Soler Serrano (in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986), o escritor argentino Manuel Mujica Láinez recorda uma sessão de fotografia que teria protagonizado ao lado da mulher do filho de Hitchcock ("una mujer espléndida"), em Nova York, aquando da estreia da ópera baseada no seu romance "Bomarzo". O único e nada pequeno problema que a história levanta é este: Hitchcock não teve filhos, apenas uma filha.
Acto contínuo, pus-me a duvidar da veracidade dos restantes factos relatados na entrevista.
Acto contínuo, pus-me a duvidar da veracidade dos restantes factos relatados na entrevista.
segunda-feira, agosto 31, 2015
A FIDELIDADE DOS OBJECTOS
«-Ah, sí; yo creo en los objetos
- ¿Más que en los seres humanos?
- Inclusive más que en los seres humanos. Creo que son más fieles. Los seres humanos pueden traicionarte, pero a los objetos los traicionamos nosotros.»
(Manuel Mujica Láinez, entrevista a Joaquín Soler Serrano, in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986)
- ¿Más que en los seres humanos?
- Inclusive más que en los seres humanos. Creo que son más fieles. Los seres humanos pueden traicionarte, pero a los objetos los traicionamos nosotros.»
(Manuel Mujica Láinez, entrevista a Joaquín Soler Serrano, in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986)
quarta-feira, agosto 12, 2015
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
No Alfa Pendular, entre Lisboa e Porto:
- um leitor lia "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro", de George Orwell;
- um leitor tinha à sua frente, pousado na mesa, o best-seller de Thomas Piketty "O Capital no Século XXI" (não consegui identificar a língua da edição);
- uma imensa maioria de passageiros olhava para o ar, para as unhas ou para a paisagem a 200 km/h, sem livros entre mãos ou na vizinhança próxima.
segunda-feira, agosto 03, 2015
DESTINOS IRRECUPERÁVEIS
É que eu pertenço à classe de pessoas que não põem as letras entre os ofícios nobres, mas que as colocam a par dos destinos irrecuperáveis (...).
(Agustina Bessa-Luís, "Embaixada a Calígula".)
(Agustina Bessa-Luís, "Embaixada a Calígula".)
sábado, julho 25, 2015
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na linha amarela do metropolitano, um leitor lia um livro (não identificado) de José Gomes Ferreira. Refiro-me ao autor falecido em 1985 e colaborador da Presença e Seara Nova (como o comprovava a fotografia da contracapa que consegui avistar), e não ao omnipresente comentador de Economia da SIC.
Seja qual for o contexto, circunstâncias e ângulo de análise, a leitura de um livro de JGF no metro é algo que urge enaltecer.
Seja qual for o contexto, circunstâncias e ângulo de análise, a leitura de um livro de JGF no metro é algo que urge enaltecer.
sábado, julho 18, 2015
DO ODIOSO
Os episódios e intoxicações que se foram sucedendo na chamada "crise da dívida grega" foram pródigos em razões para ficarmos desmotivados, consternados e dubitativos quanto ao futuro do projecto europeu e à boa fé daqueles de cujas decisões este depende. Talvez nenhumas me tenham deixado tão indignado como aquelas que configuraram atitudes de revanchismo e escárnio, mais ou menos disfarçadas. Quando essas atitudes partem de cronistas inimputáveis ou de comentadores galhofeiros, a coisa tolera-se. O caso torna-se mais grave quando se trata de altos responsáveis, como é o caso do ministro das Finanças da Eslováquia:
terça-feira, julho 14, 2015
14 DE JULHO
Mais do que um símbolo, mais do que um virar de página, mais do que o princípio de tudo, mais do que História a fazer-se com estrondo e furor: tudo isso ao mesmo tempo.
![]() |
| Imagem retirada daqui. |
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Um leitor lia um livro de Ödön von Horváth na linha verde do metropolitano. Pareceu-me tratar-se de "Casimiro e Carolina/Histórias do Bosque de Viena" (edição Cotovia).
Indiferentes a greves e concessões, os utentes do metropolitano continuam a ler e a fazer jus à reputação da linha verde.
Indiferentes a greves e concessões, os utentes do metropolitano continuam a ler e a fazer jus à reputação da linha verde.
domingo, julho 12, 2015
UM GOVERNO DE SENHORES
«Ya lo dije en un poema de un libro mío reciente: [la democracia] es un abuso de la estadística, y nada más.
(...)
No creo en la posibilidad de una democracia argentina.
(...)
Postergar las próximas elecciones unos trescientos o cuatrocientos años... La única solución es tener un gobierno fuerte y justo, un gobierno que gobierne, y un gobierno de señores y no de hampones.»
(Jorge Luis Borges, entrevista a Joaquín Soler Serrano, in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986)
Sei que não devia, mas é mais forte do que eu: quando leio ou escuto uma opinião, emitida por alguém que admiro e com a qual discordo visceralmente, o efeito é parecido ao de uma ofensa pessoal.
(NOTA 1: "hampón": Se aplica a la persona que vive de forma marginal cometiendo acciones delictivas de manera habitual.)
(NOTA 2: A entrevista teve lugar em 1978 ou 1979, quando a junta de Jorge Videla estava no poder.)
(...)
No creo en la posibilidad de una democracia argentina.
(...)
Postergar las próximas elecciones unos trescientos o cuatrocientos años... La única solución es tener un gobierno fuerte y justo, un gobierno que gobierne, y un gobierno de señores y no de hampones.»
(Jorge Luis Borges, entrevista a Joaquín Soler Serrano, in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986)
Sei que não devia, mas é mais forte do que eu: quando leio ou escuto uma opinião, emitida por alguém que admiro e com a qual discordo visceralmente, o efeito é parecido ao de uma ofensa pessoal.
(NOTA 1: "hampón": Se aplica a la persona que vive de forma marginal cometiendo acciones delictivas de manera habitual.)
(NOTA 2: A entrevista teve lugar em 1978 ou 1979, quando a junta de Jorge Videla estava no poder.)
terça-feira, julho 07, 2015
MARIA BARROSO (1925-2015)
A minha única recordação pessoal de Maria Barroso esteve ligada ao teatro. Em 2007, participei numa encenação amadora de "A Casa de Bernarda Alba", de García Lorca. Maria Barroso, que representara esta mesma peça décadas atrás, aceitou amavelmente o convite para vir assistir. No final, deixou-se ficar para dialogar com os membros do grupo. A sua espontaneidade, simpatia e generosidade cativaram-me, apesar da brevidade do momento.
De resto, acho notável que tenha protagonizado uma vida pública ao mesmo tempo tão longa, tão exposta e tão pobre em passos em falso, episódios lamentáveis ou tiradas infelizes. (Mas decerto que os profissionais da maledicência estão a fazer o que podem para corrigir a situação.)
De resto, acho notável que tenha protagonizado uma vida pública ao mesmo tempo tão longa, tão exposta e tão pobre em passos em falso, episódios lamentáveis ou tiradas infelizes. (Mas decerto que os profissionais da maledicência estão a fazer o que podem para corrigir a situação.)
![]() |
| Maria Amélia Aranda e Maria Barroso em "Benilde ou a Virgem Mãe", de Manoel de Oliveira (1974) |
sábado, junho 27, 2015
segunda-feira, junho 22, 2015
MÊS MIRACULOSO
Folheio a "Cahiers du Cinéma" de Outubro de 2012. Contém críticas aos filmes "In Another Country", de Hong Sang-Soo, "O Gebo e a Sombra", de Manoel de Oliveira, "Damsels in Distress", de Whit Stillman, "Like Someone in Love", de Abbas Kiarostami e "Vous n'Avez Encore Rien Vu", de Alain Resnais. Mesmo para os padrões franceses/parisientes, chama-se a isto um mês de arromba.
![]() |
| Sabine Azéma e Pierre Arditi em "Vous n'Avez Encore Rien Vu", de Alain Resnais. |
Subscrever:
Mensagens (Atom)






