sábado, outubro 10, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha verde do metropolitano, uma leitora lia "Auto-de-Fé", de Elias Canetti.

Os leitores e as leituras da linha verde não cessam de nos surpreender, e a nossa fasquia nem é das mais modestas.

quarta-feira, outubro 07, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Num voo Londres-Lisboa, um leitor lia as "Vinte Mil Léguas Submarinas", de Verne. (Se viajasse de barco, será que leria as "Cinco Semanas em Balão"?)

Numa fila para a caixa de pagamento do Lidl, um outro leitor lia a biografia de Álvaro Cunhal.

Tempos estranhos, leituras originais, locais públicos invulgares!

terça-feira, outubro 06, 2015

CHANTAL AKERMAN (1950-2015)

Poucos realizadores conseguiram equilibrar com sucesso a proximidade com o grande público e a ousadia formal. Até ao fim, Chantal Akerman foi uma criadora fascinante e inesperada. Estou desolado com a notícia do seu desaparecimento.

Stanislas Merhar e Sylvie Testud em "La Captive" (2000)

segunda-feira, outubro 05, 2015

VIVA SÃO PLÁCIDO, QUERO DIZER, VIVA A REPÚBLICA!!!

O meu calendário de secretária diz que hoje é dia de São Plácido e omite qualquer referência à República. O 5 de Outubro deixou de ser feriado graças ao capricho de um governo sem espinha dorsal, e sem outra justificação do que o ridículo "temos demasiados feriados". Nos dois últimos anos, o facto de esta data calhar a um fim-de-semana ajudou a mitigar a impressão de ignomínia. Hoje, tudo se conjugou: a primeira vez que eu (e muitos outros milhares de compatriotas) trabalhei num 5 de Outubro; o dia seguinte às eleições em que os responsáveis pelo acto se saíram muito melhor do que ousavam esperar há alguns meses; a ausência das comemorações por parte de um presidente da República que parece incapaz de concluir o seu mandato com um mínimo de verticalidade e de respeito pela história do país. E o tempo: chuva intensa e vento, como se os elementos fossem os únicos capazes ainda de se revoltarem.

Viva o vento.

Viva a chuva.

VIVA A REPÚBLICA!

(Muito me espantará que este dia não seja feriado em 2016. Sem desprimor para São Plácido, discípulo de São Bento e patrono da cidade de Messina.)


terça-feira, setembro 29, 2015

domingo, setembro 27, 2015

NARRATIVAS

As eleições legislativas do próximo dia 4 serão, ou melhor estão a ser, uma batalha de narrativas. Levará a melhor quem contar a narrativa mais escorreita, mais amiga do senso comum e mais fácil de assimilar. Dir-me-ão que sempre foi assim; de acordo, mas parece-me que, desta vez, esta evidência salta aos olhos de forma mais nítida do que nunca.

quinta-feira, setembro 17, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha verde do metropolitano, uma leitora lia "The Scarlet Letter", de Hawthorne, em versão original.

"The Scarlet Letter" é um romance cuja personagem principal, Hester Prynne, é acusada de adultério e obrigada a usar um "A" escarlate na roupa. A acção passa-se em Boston, em meados do século XVII. Ou, nas palavras de alguns cronistas da extrema-direita religiosa: "os bons velhos tempos".

RESPOSTAS

As minhas respostas a um inquérito do "Correio do Porto".

terça-feira, setembro 15, 2015

Como se o mundo precisasse de mais um livro de contos!!! Tss tss.

(Lançamento na Feira do Livro do Porto. No próximo sábado. Às 7 da tarde.)


domingo, setembro 13, 2015

"Are you listening?" (...)
"Of course."
"What did I just say."
"That I have to trust my instincts more."
"I said I wanted you to come to dinner."
"Oh."

(Saul Bellow, "Herzog")

terça-feira, setembro 08, 2015

A ÉTICA É UMA CENA QUE NÃO ASSISTE AO MERCADO LIVRE

Ainda estou para perceber onde é que o DN vai desencantar alguns dos seus cronistas. Dir-se-ia uma experiência destinada a testar a incredulidade dos leitores. Miguel Angel Belloso é mais um cromo para esta bem catita colecção. Nesta crónica, debruça-se sobre aquele que parece ser o seu único tema: a excelência libertadora do mercado livre e os malefícios do socialismo. (José António Saraiva, no "Sol", bate-o na diversidade temática: tanto discorre sobre tesouras como sobre cera e como reconhecer um homossexual no elevador.) O trecho mais inacreditável é este:

«O sistema de livre mercado é amoral. Na minha opinião, é o modelo de organização económica e social mais conforme com a natureza humana, cujo instinto de sobrevivência e de progresso é genuíno e é também o modelo mais eficiente do ponto de vista dos resultados que obtém em prol do bem comum. Não pode nem deve ser julgado do ponto de vista da ética.»

Portanto, Belloso revoluciona a Filosofia ao identificar uma entidade que não pode nem deve ser escrutinada pela ética. É d'homem. Aguarda-se ansiosamente a revelação de outros domínios nos quais os juízos de valor não são admissíveis. Belloso tem o dever de esclarecer as massas.

(«Acho eu» acrescenta Belloso, numa concessão generosa à possível, mas pouco concebível, existência de opiniões diferentes das suas.)

segunda-feira, setembro 07, 2015

«En el problema del peronismo, por ejemplo, Borges es enemigo del peronismo, pero por motivos distintos a los míos. Borges y su madre (que era una mujer de gran talento) eran enemigos del peronismo porque les parecía una forma del comunismo. Yo era enemigo del peronismo porque nunca me gustaron los gobiernos absolutistas y tiránicos. En cambio aplaudí la justicia social... y Borges no aplaude esa clase de cosas.»
 (Ernesto Sábato, entrevista a Joaquín Soler Serrano, in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986)

sexta-feira, setembro 04, 2015

Besides, one lover is always more moved than the other.

(Saul Bellow, "Herzog")

quinta-feira, setembro 03, 2015

A NORA INEXISTENTE

Na entrevista dada a Joaquín Soler Serrano (in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986), o escritor argentino Manuel Mujica Láinez recorda uma sessão de fotografia que teria protagonizado ao lado da mulher do filho de Hitchcock ("una mujer espléndida"), em Nova York, aquando da estreia da ópera baseada no seu romance "Bomarzo". O único e nada pequeno problema que a história levanta é este: Hitchcock não teve filhos, apenas uma filha.

Acto contínuo, pus-me a duvidar da veracidade dos restantes factos relatados na entrevista.

segunda-feira, agosto 31, 2015

A FIDELIDADE DOS OBJECTOS

«-Ah, sí; yo creo en los objetos

- ¿Más que en los seres humanos?

- Inclusive más que en los seres humanos. Creo que son más fieles. Los seres humanos pueden traicionarte, pero a los objetos los traicionamos nosotros.»

 (Manuel Mujica Láinez, entrevista a Joaquín Soler Serrano, in "Escritores a Fondo", Planeta, 1986)


quarta-feira, agosto 12, 2015

PORTANTO ERA ISTO

"Touro e criança", Pierre Bonnard, 1945

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

No Alfa Pendular, entre Lisboa e Porto:
  • um leitor lia "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro", de George Orwell;
  • um leitor tinha à sua frente, pousado na mesa, o best-seller de Thomas Piketty "O Capital no Século XXI" (não consegui identificar a língua da edição);
  • uma imensa maioria de passageiros olhava para o ar, para as unhas ou para a paisagem a 200 km/h, sem livros entre mãos ou na vizinhança próxima.

segunda-feira, agosto 03, 2015

DESTINOS IRRECUPERÁVEIS

É que eu pertenço à classe de pessoas que não põem as letras entre os ofícios nobres, mas que as colocam a par dos destinos irrecuperáveis (...).

(Agustina Bessa-Luís, "Embaixada a Calígula".)

sábado, julho 25, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha amarela do metropolitano, um leitor lia um livro (não identificado) de José Gomes Ferreira. Refiro-me ao autor falecido em 1985 e colaborador da Presença e Seara Nova (como o comprovava a fotografia da contracapa que consegui avistar), e não ao omnipresente comentador de Economia da SIC.

Seja qual for o contexto, circunstâncias e ângulo de análise, a leitura de um livro de JGF no metro é algo que urge enaltecer.

sábado, julho 18, 2015

DO ODIOSO

Os episódios e intoxicações que se foram sucedendo na chamada "crise da dívida grega" foram pródigos em razões para ficarmos desmotivados, consternados e dubitativos quanto ao futuro do projecto europeu e à boa fé daqueles de cujas decisões este depende. Talvez nenhumas me tenham deixado tão indignado como aquelas que configuraram atitudes de revanchismo e escárnio, mais ou menos disfarçadas. Quando essas atitudes partem de cronistas inimputáveis ou de comentadores galhofeiros, a coisa tolera-se. O caso torna-se mais grave quando se trata de altos responsáveis, como é o caso do ministro das Finanças da Eslováquia: