quarta-feira, novembro 11, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

No cais da estação de caminho-de-ferro de Entrecampos, um leitor lia "O Livro Aberto", de Frederico Lourenço.

Que fazer quando tudo arde? Resposta: ler.

segunda-feira, novembro 09, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na bicha para o restaurante h3 do centro comercial Monumental, um leitor lia "A Sétima Onda", de José Rentes de Carvalho.

Sim, o alimento para o espírito e o alimento para o estômago podem coexistir!

sexta-feira, novembro 06, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha verde do metropolitano, uma leitora lia "O Nascimento da Arte", de Georges Bataille.

Um dia que começa tão bem tem necessariamente de correr maravilhosamente, certo? Errado. Foi um dia mais ou menos igual aos outros.

quarta-feira, novembro 04, 2015

NÓTULAS POLÍTICAS EM TEMPOS BASTANTE INTERESSANTES

Os tempos que correm são pródigos em: esbracejamentos, aqui-d'el reis, advertências plenas de gravidade, apelos à responsabilidade, evocações ominosas do PREC, referências severas ao valor da tradição e palavras ao vento ("radical", "usurpar", "golpada", "assalto ao poder"). Nos intervalos destas tiradas inflamadas, o bom senso ergue a cabecita e espreita para saber se já chegou a sua vez.

São tempos divertidos, convenha-se.

domingo, outubro 25, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

No comboio Lisboa-Porto, um leitor lia "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley.

No comboio Porto-Lisboa, uma leitora lia "A Estrada", de Cormac McCarthy.

A história da rede ferroviária e a história das leituras em lugares públicos sempre tiveram múltiplos pontos de contacto.

sexta-feira, outubro 23, 2015

NÓTULAS POLÍTICAS EM TEMPOS BASTANTE INTERESSANTES

Durante estes últimos dias, em que assistimos a sucessivas rondas de negociações, mais ou menos sinceras, entre os partidos, com vista à formação do governo, não consegui sacudir esta sensação: pareceu-me que todos estes esforços, afã e declarações visavam mais o médio prazo do que o imediato, e que a grande preocupação de todos era a de estarem em condições de reclamar o estatuto de vítima e de transmitirem a impressão de que foram eles os únicos a procurar soluções com sinceridade. O horizonte temporal é o das próximas eleições, que poucos acreditam não irem ocorrer em breve.

AMANHÃ

Amanhã, sábado, na Fnac de Santa Catarina (Porto), a partir das 17 horas, o Jorge Palinhos e eu próprio iremos conversar sobre o meu livro de contos "Quartos Alugados".

Há que aproveitar estas simpáticas ocasiões sociais e literárias, enquanto não chega o caos político, social e financeiro que se prepara para submergir Portugal, qual tsunami.

terça-feira, outubro 20, 2015

NÓTULAS POLÍTICAS EM TEMPOS BASTANTE INTERESSANTES

Uma epidemia de clarividência radical grassa pelo país e poucos são os actores polítcos e fazedores de opinião que lhe são imunes. De repente, todos sabem com absoluta certeza quais as intenções de cada eleitor quando ele ou ela depositou o seu voto, no passado dia 4. O impudor com que tiram as suas ilacções enviesadas a partir dessa certeza é um sintoma muito comum desta epidemia.

terça-feira, outubro 13, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na plateia do São Jorge, em plena Festa do Cinema Francês, um leitor lia "O Cónego", de A.M. Pires Cabral.

O prazer da leitura antes do cinema é um dos prazeres mais subestimados. Pena é que nem sempre a iluminação da sala colabore.

sábado, outubro 10, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha verde do metropolitano, uma leitora lia "Auto-de-Fé", de Elias Canetti.

Os leitores e as leituras da linha verde não cessam de nos surpreender, e a nossa fasquia nem é das mais modestas.

quarta-feira, outubro 07, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Num voo Londres-Lisboa, um leitor lia as "Vinte Mil Léguas Submarinas", de Verne. (Se viajasse de barco, será que leria as "Cinco Semanas em Balão"?)

Numa fila para a caixa de pagamento do Lidl, um outro leitor lia a biografia de Álvaro Cunhal.

Tempos estranhos, leituras originais, locais públicos invulgares!

terça-feira, outubro 06, 2015

CHANTAL AKERMAN (1950-2015)

Poucos realizadores conseguiram equilibrar com sucesso a proximidade com o grande público e a ousadia formal. Até ao fim, Chantal Akerman foi uma criadora fascinante e inesperada. Estou desolado com a notícia do seu desaparecimento.

Stanislas Merhar e Sylvie Testud em "La Captive" (2000)

segunda-feira, outubro 05, 2015

VIVA SÃO PLÁCIDO, QUERO DIZER, VIVA A REPÚBLICA!!!

O meu calendário de secretária diz que hoje é dia de São Plácido e omite qualquer referência à República. O 5 de Outubro deixou de ser feriado graças ao capricho de um governo sem espinha dorsal, e sem outra justificação do que o ridículo "temos demasiados feriados". Nos dois últimos anos, o facto de esta data calhar a um fim-de-semana ajudou a mitigar a impressão de ignomínia. Hoje, tudo se conjugou: a primeira vez que eu (e muitos outros milhares de compatriotas) trabalhei num 5 de Outubro; o dia seguinte às eleições em que os responsáveis pelo acto se saíram muito melhor do que ousavam esperar há alguns meses; a ausência das comemorações por parte de um presidente da República que parece incapaz de concluir o seu mandato com um mínimo de verticalidade e de respeito pela história do país. E o tempo: chuva intensa e vento, como se os elementos fossem os únicos capazes ainda de se revoltarem.

Viva o vento.

Viva a chuva.

VIVA A REPÚBLICA!

(Muito me espantará que este dia não seja feriado em 2016. Sem desprimor para São Plácido, discípulo de São Bento e patrono da cidade de Messina.)


terça-feira, setembro 29, 2015

domingo, setembro 27, 2015

NARRATIVAS

As eleições legislativas do próximo dia 4 serão, ou melhor estão a ser, uma batalha de narrativas. Levará a melhor quem contar a narrativa mais escorreita, mais amiga do senso comum e mais fácil de assimilar. Dir-me-ão que sempre foi assim; de acordo, mas parece-me que, desta vez, esta evidência salta aos olhos de forma mais nítida do que nunca.

quinta-feira, setembro 17, 2015

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS

Na linha verde do metropolitano, uma leitora lia "The Scarlet Letter", de Hawthorne, em versão original.

"The Scarlet Letter" é um romance cuja personagem principal, Hester Prynne, é acusada de adultério e obrigada a usar um "A" escarlate na roupa. A acção passa-se em Boston, em meados do século XVII. Ou, nas palavras de alguns cronistas da extrema-direita religiosa: "os bons velhos tempos".

RESPOSTAS

As minhas respostas a um inquérito do "Correio do Porto".

terça-feira, setembro 15, 2015

Como se o mundo precisasse de mais um livro de contos!!! Tss tss.

(Lançamento na Feira do Livro do Porto. No próximo sábado. Às 7 da tarde.)


domingo, setembro 13, 2015

"Are you listening?" (...)
"Of course."
"What did I just say."
"That I have to trust my instincts more."
"I said I wanted you to come to dinner."
"Oh."

(Saul Bellow, "Herzog")

terça-feira, setembro 08, 2015

A ÉTICA É UMA CENA QUE NÃO ASSISTE AO MERCADO LIVRE

Ainda estou para perceber onde é que o DN vai desencantar alguns dos seus cronistas. Dir-se-ia uma experiência destinada a testar a incredulidade dos leitores. Miguel Angel Belloso é mais um cromo para esta bem catita colecção. Nesta crónica, debruça-se sobre aquele que parece ser o seu único tema: a excelência libertadora do mercado livre e os malefícios do socialismo. (José António Saraiva, no "Sol", bate-o na diversidade temática: tanto discorre sobre tesouras como sobre cera e como reconhecer um homossexual no elevador.) O trecho mais inacreditável é este:

«O sistema de livre mercado é amoral. Na minha opinião, é o modelo de organização económica e social mais conforme com a natureza humana, cujo instinto de sobrevivência e de progresso é genuíno e é também o modelo mais eficiente do ponto de vista dos resultados que obtém em prol do bem comum. Não pode nem deve ser julgado do ponto de vista da ética.»

Portanto, Belloso revoluciona a Filosofia ao identificar uma entidade que não pode nem deve ser escrutinada pela ética. É d'homem. Aguarda-se ansiosamente a revelação de outros domínios nos quais os juízos de valor não são admissíveis. Belloso tem o dever de esclarecer as massas.

(«Acho eu» acrescenta Belloso, numa concessão generosa à possível, mas pouco concebível, existência de opiniões diferentes das suas.)