segunda-feira, setembro 26, 2016
TANIZAKI E MELOPEIA
Talvez Manuel da Silva Ramos nunca venha a fazer parte dos meus duzentos autores portugueses favoritos; problema meu e só meu, bem entendido. Mas como não cobrir de indulgências alguém que diz de uma prostituta brasileira que podia ter saído de um romance do Tanizaki, e que intitula um dos seus contos "Melopeia sintrense com direito a sonho e pausa musical entendida como copulação sonâmbula vertical"? (A propósito de "Perfumes eróticos em tempos de vacas magras", Parsifal, 2014.)
sábado, setembro 17, 2016
segunda-feira, setembro 05, 2016
OH LA LA LOLITA
Em pleno zapping, chego ao canal "Arte" e constato que estão a passar "Lolita", de Kubrick. Não me falta vontade de ficar a ver pelo menos uns minutos, mas eis que descubro tratar-se de uma versão dobrada. O meu dedo carrega no botão do telecomando com uma prontidão proporcional à falta de vontade de ver um actor genial como Peter Sellers debitar um monólogo em francês postiço.
Agradeço ao Destino ter-me feito nascer num país pobretanas onde não há dinheiro para dobrar filmes.
Agradeço ao Destino ter-me feito nascer num país pobretanas onde não há dinheiro para dobrar filmes.
segunda-feira, agosto 29, 2016
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
No Alfa Pendular, entre o Porto e Lisboa, uma leitora francesa lia uma tradução de José Rodrigues dos Santos. O talibã literário que dormita dentro de mim quase levou a melhor sobre o meu auto-domínio e me pôs a urrar: «Largue isso! Isso é uma coisa fétida! A literatura portuguesa não é isso!».
Felizmente, a presença de uma outra leitora que lia uma tradução portuguesa de "Mrs Dalloway" compensou parcialmente esta observação pouco feliz.
Esta última leitora comia batatas fitas de pacote enquanto lia. Não é um pormenor que tenha grande importância, mas parece-me oportuno revelá-lo.
Felizmente, a presença de uma outra leitora que lia uma tradução portuguesa de "Mrs Dalloway" compensou parcialmente esta observação pouco feliz.
Esta última leitora comia batatas fitas de pacote enquanto lia. Não é um pormenor que tenha grande importância, mas parece-me oportuno revelá-lo.
quinta-feira, julho 14, 2016
14 DE JULHO
Os revisionistas de domingo como João César das Neves e João Carlos Espada bem podem esbracejar, mas a Tomada da Bastilha e a Revolução Francesa continuam a ser os eventos que mais abalaram a história contemporânea e que mais contribuíram para transformar um mundo marcado pelo privilégio e pela arbitrariedade num mundo minimamente respirável, no qual conceitos como "cidadão", "democracia", "igualdade" e "direitos" possuem algum significado prático.
Viva o 14 de Julho!
Viva o 14 de Julho!
segunda-feira, julho 04, 2016
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
A vida de um observador de leituras em lugares públicos não é só feita de alegrias e de descobertas aprazíveis e edificantes. Há também as decepções, não poucas vezes bastante cruéis. Por exemplo: numa paragem de autocarro de Genève, uma leitora lia aquilo que parecia ser um livro de Cioran. Um exame mais atento revelou que, em vez de CIORAN, aquilo que se lia na capa era GIBRAN.
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na linha verde do metropolitano, uma leitora lia "As Verdes Colinas de África", de Hemingway.
Em tempo de canícula, nada como a grande literatura para refrescar o espírito.
Em tempo de canícula, nada como a grande literatura para refrescar o espírito.
sábado, junho 25, 2016
quarta-feira, junho 15, 2016
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Um leitor lia um livro de Horacio Quiroga na linha verde do metropolitano. Pareceu-me tratar-se de "Contos da Selva", na edição da Cavalo de Ferro.
Horacio Quiroga foi um escritor uruguaio que nasceu em 1878, em Salto, e faleceu em 1937, em Buenos Aires.
Horacio Quiroga foi um escritor uruguaio que nasceu em 1878, em Salto, e faleceu em 1937, em Buenos Aires.
quarta-feira, maio 11, 2016
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Um leitor lia "A Criação do Mundo", de Miguel Torga. Uma leitora lia "Contos do Gin-Tonic", de Mário-Henrique Leiria. Isto passou-se nas linhas verde e amarela do metropolitano. Tentar recordar se era o Torga na amarela e o Leiria na verde, ou vice-versa, é esforço demasiado para a minha memória. Viva a diversidade da literatura portuguesa!
LIVRO
O meu livro "O Leão de Belfort" já está à venda nas boas casas. É inútil
procurarem nas más casas: não o encontrarão lá. Numa época em que os
apelos ao consenso chovem de todos os lados, eu apelo ao consenso dos
leitores em torno da excelência literária desta noveleta e do seu
potencial para criar novos paradigmas.
terça-feira, maio 03, 2016
La femme de Cézanne avait dit à Matisse, la seule fois où ils se rencontrèrent, que son mari était «un vieil imbécile qui n'entendait rien à l'art et n'avait jamais compris ce qu'il faisait».
(Anne Martin-Fugier, "La vie d'artiste au XIXe siècle", Pluriel.)
(Anne Martin-Fugier, "La vie d'artiste au XIXe siècle", Pluriel.)
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| "Madame Cézanne na estufa", Paul Cézanne, 1892 |
segunda-feira, abril 25, 2016
domingo, abril 03, 2016
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS
Na linha verde do metropolitano, uma leitora lia "Aprendendo a Silenciar a Mente", do líder espiritual indiano Osho. O facto de o livro estar apoiado num enorme caixote de morangos com um ar apetitoso, aparentemente acabados de comprar no Pingo Doce, acrescentava uma nova dimensão a esta louvável busca pelo silêncio da mente.
terça-feira, março 29, 2016
ALERTA DE CONTO
A edição de primavera da revista "Somos Livros", distribuída
gratuitamente nas livrarias Bertrand, inclui um conto de minha autoria. O
conto intitula-se "Em Coimbra" e o mínimo que se pode dizer é que
cumpre com todo o denodo aquilo que promete, uma vez que se passa
precisamente em Coimbra. Não há desculpas para não lerem, excepto estas:
não terem tempo a perder; não terem nenhuma Bertrand ao pé de casa;
qualquer outra desculpa.
quarta-feira, março 23, 2016
terça-feira, março 22, 2016
SES PATTES CROTTÉES
Le ton des chairs est sale, le modelé nul. Les ombres s'indiquent par des raies de cirage plus ou moins larges. Que dire de la négresse qui apporte un bouquet dans un papier et du chat noir qui laisse l'empreinte de ses pattes crottées sur le lit?
(Théophile Gautier, 1865. A propósito do quadro de Manet.)
(Théophile Gautier, 1865. A propósito do quadro de Manet.)
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| "Olympia", Édouard Manet, 1863 |
sábado, março 19, 2016
terça-feira, março 15, 2016
On est toujours étonné aujourd'hui par les distances que l'on n'hésitait pas à parcourir à pied au XIXe siècle. Puvis de Chavannes, par exemple, faisait dix kilomètres par jour pour se rendre de Neuilly-sur-Seine, où il habitait, à son atelier, Place Pigalle.
(Anne Martin-Fugier, "La vie d'artiste au XIXe siècle", Pluriel.)
(Anne Martin-Fugier, "La vie d'artiste au XIXe siècle", Pluriel.)
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