segunda-feira, setembro 25, 2006
sábado, setembro 23, 2006
Max von Sydow e Ingrid Thulin no filme "A Hora do Lobo" (1968).
Bibi Andersson, Liv Ullmann, Sven Nykvist e Ingmar Bergman durante as filmagens de "Persona" (1966). Esta imagem e a anterior foram retiradas do excelente site "Bergmanorama".
Uma cena de "O Sacrifício", de Andrei Tarkovsky (1986).
terça-feira, setembro 19, 2006
quinta-feira, setembro 14, 2006
Não são precisos efeitos especiais. A invisibilidade é uma condição, um mero atributo. E ei-lo agora fantasma, fruto de um milagre que não o é. O único milagre é a ausência de solução de continuidade. O dilema do filme, que se confunde com o próprio filme, é resolvido com um desplante tão natural e poderoso como o sorriso malicioso que se desenha nos lábios deste arrombador educado.
Haveria muito a dizer ainda sobre "Ferro 3". Os jogos entre diferentes planos reflectores, a profundidade de campo explorada com destreza e elegância, a maneira como vingança, redenção e dádiva se intercalam para compor uma complexa dimensão moral, típica dos filmes deste realizador. Contento-me em dizer que foi agradável confirmar a minha apetência por filmes que se reinventam a meio caminho, a partir de uma ruptura voluntária: "The Crying Game" (Neil Jordan), "Choses Secrètes" (Jean-Claude Brisseau), "Lost Highway" (David Lynch) e "Éloge de l'Amour" (Jean-Luc Godard) são outros notáveis exemplos. Talvez se possa argumentar que "Ferro 3", afinal de contas, vai menos longe do que qualquer um destes, em termos de cesura auto-imposta. É possível. Tudo depende de estarmos a falar da realidade ou da metáfora.
domingo, setembro 10, 2006
sexta-feira, setembro 08, 2006
quinta-feira, setembro 07, 2006
«An astronomically overwhelming majority of the people who could be born never will be. You are one of the tiny minority whose number came up. Be thankful that you have a life, and forsake your vain and presumptuous desire for a second one. The world would be a better place if we all had this positive attitude to life. It would also be a better place if morality was all about doing good to others and refraining from hurting them, rather than religion's morbid obsession with private sin and the evils of sexual enjoyment.» (Richard Dawkins)
quarta-feira, setembro 06, 2006
segunda-feira, setembro 04, 2006
(Mais preocupante foi ficar a saber que a banda preferida de Bateman são os fabulosos Talking Heads, o que é ainda mais difícil de justificar. Espero que se deva exclusivamente ao brilhante tema "Psycho Killer", onde David Byrne canta em francês com forte sotaque.)
sábado, setembro 02, 2006
quinta-feira, agosto 31, 2006
segunda-feira, agosto 28, 2006
sábado, agosto 26, 2006
quarta-feira, agosto 23, 2006
Termino com uma mensagem subliminar: ide todos ao King ver o filme de Garrel! (E depois ao Porto, quando ele estrear lá.)
(Ver ainda este artigo de João Lopes sobre a exposição Godard no Centro Pompidou.)
segunda-feira, agosto 21, 2006
sábado, agosto 19, 2006
- À minha pergunta ("seria legítimo/aceitável que uma nação respondesse a uma escaramuça de fronteira (acto de guerra) com um bombardeamento maciço (outro acto de guerra) que dizimasse, digamos, 10 % da população da nação agressora?"), respondeu que sim. Registo. Eu acho que não. Tenho para mim que uma discussão entre duas pessoas razoáveis deve idealmente conduzir ou a uma convergência de pontos de vista ou a uma incompatibilidade de princípios insanável. Parece-me verificar-se este último caso. (Quanto ao resto, nomeadamente esse tremendo disparate de eu ver o Hezbollah como "uma organização preocupadíssima com os libaneses, com as mulheres e as crianças", sugiro-lhe que tenha mais cuidado antes de desvirtuar as palavras alheias. A ligeireza estival não justifica tudo.)
- Diz que "os crimes de guerra são julgados sempre pelos vencedores e têm muito que se lhe diga". É um argumento que tem pernas para andar. Mas que está longe de ter alcance universal. Para citar apenas um exemplo: antes de morrer, Slobodan Milosevic estava a ser julgado pelo Tribunal Internacional para a Antiga Jugoslávia, um organismo da ONU independente, como é óbvio, de qualquer um dos contendores da guerra dos Balcãs. O que me parece indiscutível é que, contrariando a tese da arbitrariedade e desproporcionalidade intrínsecas da guerra (que repete, como credo pessoal, em vez de a fundamentar), o conceito de crime de guerra tem ganho raízes, nas altas instâncias internacionais assim como na opinião pública. E se isso sucede, é porque há muita gente que não pensa como você (ver ponto 1, supra). E ainda bem, acrescento eu.
Concluído este refrescante intercâmbio de opiniões, despeço-me. Faz-se tarde, e gostaria de acresecentar algumas estrofes à minha cantata em louvor a Che Guevara, antes da hora de jantar.
sexta-feira, agosto 18, 2006
(Nossa Senhora e o menino com dois anjos)
...Cranach, não sei se o velho ou o jovem, Waterhouse e novamente Freud), Dan Franck (Soutine), Bernard Kouchner (Uccello e Cézanne), Eddy Mitchell (Norman Rockwell e um certo "Remington" que presumo tratar-se de Frederic Sackrider Remington). A escolha de Emir Kusturica é, no mínimo, óbvia: Marc Chagall. André Glucksmann e Jean-Claude Carrière denunciam tendências primitivistas, ao citar os pintores das cavernas (Glucksmann especifica "os de Lascaux"). Sylvie Testud, sem particularizar, demonstra preferência pelos fauvistas. Aprecio sobremaneira a referência a Vuillard feita por Philippe Noiret.

(L'Armoire à Linge, c. 1894-95)
A resposta mais desconcertante é a de Petula Clark. A cançonetista, para além do Picasso "de início de carreira", menciona Kandinsky "a meio da carreira" e a sua segunda filha Kate Wolf, que eu não faço a mínima ideia de quem seja. Custou-me verificar que, das respostas que consultei (não foram todas), apenas a actriz Elsa Zylberstein e a cantora lírica Barbara Hendricks referiram Edgar Degas, talvez o meu pintor preferido de todos os tempos.
quinta-feira, agosto 17, 2006
quarta-feira, agosto 16, 2006
terça-feira, agosto 15, 2006
- La Cicatrice Intérieure (1970)
- Les Hautes Solitudes (1974)
- Un Ange Passe (1975)
- Le Bleu des Origines (1978)
- Liberté la Nuit (1983)
- Elle A Passé Tant d'Heures Sous les Sunlights (1984)
- Les Baisers de Secours (1989)
- J'Entends Plus la Guitare (1991)
- Sauvage Innocence (2001)
sábado, agosto 12, 2006
quinta-feira, agosto 10, 2006
Não é claro se as telas de João Queiroz representam paisagens reais. O que é certo é que o observador não poderá deixar de nelas reconhecer arquétipos, facilmente identificáveis, de paisagens clássicas, directamente saídas da tradição ocidental. Contudo, esses "arquétipos", à base de pinceladas vigorosas e de superfícies claramente delimitadas, contêm detalhes, peculiaridades, acidentes (na dupla acepção que esta palavra admite). Estes pormenores individualizam cada tela, resgatam-na à condição de mero tributo ou evocação. Ao mesmo tempo, representam um
pormenor plausível de uma paisagem (escarpa, tufo de vegetação, depressão...) e significam esse mesmo pormenor, conferindo à obra um aspecto duplo de figuração e conceptualização, que se potenciam mutuamente de forma subtil.
Num ensaio notável que acompanha a exposição, Jorge Molder escreve: «Mas as paisagens de João Queiroz trazem consigo uma inegável fascinação, embora não saibamos de onde vêm ou mesmo se vêm de um sítio que de facto exista, embora desconheçamos a relação que o artista tem com a natureza e mesmo que a nossa relação com a natureza não seja um aspecto relevante para a visão do mundo com que aí nos deparamos.
Elas irradiam esse poder atractivo, mesmo que todos os pressupostos e hipóteses atrás arrolados possam ou não verificar-se.»
Chama-se isto pôr o dedo na ferida. Os quadros de João Queiroz provocam uma atracção e sedução poderosas, que não elidem, antes transmitem maior força e acutilância às questões que a abordagem do artista suscita. Dois ingredientes que não podem faltar à grande pintura são: um comprometimento artístico que se traduza num esforço consequente e sério, por um lado, e a exploração das ideias e aporias contemporâneas ao artista. O primeiro aspecto é frequentemente menosprezado por uma arte contemporânea demasiado intoxicada por inebriantes vapores conceptuais. João Queiroz demonstra aqui que a sua arte contém estas duas vertentes.
(No Centro de Arte Moderna, até 30 de Setembro.)
- Se, como insiste em dizer, a guerra é "em si desproporcionada", seria legítimo/aceitável que uma nação respondesse a uma escaramuça de fronteira (acto de guerra) com um bombardeamento maciço (outro acto de guerra) que dizimasse, digamos, 10 % da população da nação agressora?
- E se a guerra é "em si desproporcionada", como se explica que a noção de crime de guerra, em vez de ter caído na obsolescência, esteja hoje mais enraizada do que nunca na opinião pública e na legislação internacional?
Isto, claro, supondo que o objectivo aqui é a argumentação e a contra-argumentação. Caso contrário, sempre nos podemos rir um bocado com chistes sobre piscinas.
quarta-feira, agosto 09, 2006
terça-feira, agosto 08, 2006
segunda-feira, agosto 07, 2006
quinta-feira, agosto 03, 2006
terça-feira, agosto 01, 2006
A autora do blog Bomba Inteligente chama "bronco" e "animal" a Zinédine Zidane por este ter respondido com uma agressão física aos insultos de Marco Materazzi. Alguns posts mais tarde, indigna-se contra aqueles que falam em proporcionalidade para pôr em causa a amplitude da resposta israelita às provocações do Hezbollah, e que se sentem chocados por o rapto de dois soldados ter suscitado uma ofensiva que já causou centenas de mortos civis e muitas dezenas de milhares de deslocados.
Assinalo, e deixo ao soberano critério do leitor decidir se tal é relevante ou não. Dir-se-ia que a proporcionalidade é válida quando se trata de zaragatas num recinto desportivo, mas deixa de o ser quando vidas humanas estão envolvidas.
domingo, julho 30, 2006
(fotografia de Gabriele Grasso, retirada daqui)
Do lado português, à esquerda, vêem-se Luís Galego (em primeiro plano), Diogo Fernando e Sérgio Rocha (Rui Dâmaso está oculto ou ausente). Do lado francês, Étienne Bacrot, Andrei Sokolov, Laurent Fressinet e Maxime Vachier-Lagrave.
A segunda mostra Margarida Coimbra, segundo tabuleiro da formação portuguesa:
Gosto muito do tema "Being Tyler", um instrumental dos Lambchop que abre o álbum "Awcmon". "Gostar", pensando bem, peca por inadequação. Muito mais do que "gostar", deixei-me (sem me rebelar) obcecar por este tema. Que é portador de significados pessoais, sem dúvida, mas que nunca se esquece de ladinamente brilhar com fulgor próprio, independente de circunstâncias do domínio privado.
quarta-feira, julho 26, 2006
quarta-feira, julho 19, 2006
domingo, julho 16, 2006
sexta-feira, julho 14, 2006
terça-feira, julho 11, 2006
- Em mais uma reportagem de um canal televisivo sobre o Mundial, o locutor, arfando improvisados lugares-comuns, declarou a páginas tantas que "Portugal tinha ganho respeito pelos alemães", querendo dizer (mas isto sou eu a supor, claro) que "Portugal tinha ganho o respeito dos alemães".
- Numa entrevista ao grande-mestre de xadrez norte-americano Maurice Ashley, menciona-se o Aikido como sendo uma "marital art".
sexta-feira, julho 07, 2006
segunda-feira, julho 03, 2006
Repare-se no olhar apreensivo de Tom Cruise. Ele teme pelo seu casamento, pela sua integridade física, e talvez pela sua sanidade mental. A aventura nocturna do Dr. Harford foi mais do que uma fantasia: aconteceu realmente, como o demonstram a máscara, o envelope que lhe é entregue através das grades do portão da mansão, e outros elementos. E, contudo, somos levados a pensar que aquela sucessão de peripécias grotescas e fantásticas (o encontro com a prostituta, a palavra de passe, a orgia mascarada) são demasiado típicas da imaginação perversa de um homem atormentado pelo ciúme e pela tentação do adultério para que possamos acreditar nelas. Com sobriedade, Kubrick coloca-nos num plano infinitamente mais subtil do que a simples dicotomia sonho/realidade. Talvez a angústia do Dr. Harford seja suficientemente potente para transtornar a narrativa que ele habita. Ao transformar uma simples visita à casa de um doente, acabado de falecer, numa rocambolesca e perigosa odisseia, a personagem subverte de dentro para fora a própria ficção que o envolve.
E o filme "mais não é" do que a crónica passiva dessa suprema subversão. Mas também pode ser muito mais do que isso. Não vale a pena é contar com indícios, dicas ou degraus. O que houver para descobrir não se encontra nas ruas daquela Greenwich Village de pacotilha, nem no semi-luxo doméstico da casa dos Harfords. Cabe ao espectador fazer a sua própria viagem até ao fim de alguma coisa. Ou então (sem dúvida mais cómodo), lembrar-se de que se trata "apenas de um filme" e regressar ao que interessa realmente (refiro-me à vida).


