segunda-feira, julho 27, 2009
CINEMA: No filme "Roma", de Fellini, também não há palavra "fim". Há uma longa e inquietante sequência final que mostra um enxame de motorizadas a percorrer as artérias romanas, e depois o filme acaba. A última bobina chega ao fim e o ecrã deixa de estar iluminado. As pessoas vão-se embora. E é tudo.
LIDO NO "DESTAK" DE HOJE:
A Igreja de S. Sebastião (Almada), que não funciona como espaço de culto desde o século XVIII, reabriu este fim de semana. Segundo o bispo de Setúbal, a igreja é «um desafio para a construção da cidade, de Setúbal e do mundo».
Os próximos tempos dirão se o mundo está preparado para o desafio da igreja de São Sebastião.
quinta-feira, julho 23, 2009
terça-feira, julho 14, 2009
LIBERDADE IGUALDADE FRATERNIDADE: Um símbolo vale aquilo que vale. Um símbolo tem o potencial de aniquilar e trivializar a realidade que simboliza. Reduzir a Revolução Francesa à tomada da Bastilha implica ignorar a teia de episódios, pessoas e movimentações que, durante anos, nesse virar do século XVIII para o XIX, forjaram a natureza das sociedades modernas, e fizeram emergir valores nos quais ainda hoje nos reconhecemos. Que fazer, então de um símbolo? Que fazer do 14 de Julho? Celebrá-lo, digo eu, não como convite à simplificação da história, mas como penhor de tudo o que de complexo, rico, exaltante e fecundo se viveu durante esse período.
Le 14 Juillet au Havre (Albert Marquet)
domingo, julho 12, 2009
IMPRESSÕES DE SAN FRANCISCO (1) - THIS PLACE HAS BROUGHT "DOING YOUR LAUNDRY" TO A WHOLE NEW LEVEL: Existe um bairro em San Francisco, chamado Russian Hill, onde existe (literalmente) uma lavandaria em cada esquina. Uma delas dá pelo delicioso nome de "The Missing Sock". Os comentários dos utentes dão vontade de ir viver para San Francisco, só para poder usufruir regularmente de uma tão rica experiência de lavagem de roupa.
quinta-feira, julho 09, 2009
RELIGIONS AND SCHOOL DON'T MIX: Quem diria que o ex-ABBA Björn Ulvaeus era um tão convicto opositor da promiscuidade entre escola e religião, a ponto de assinar um artigo no "The Guardian" sobre o assunto? Uma agradável surpresa. Os argumentos são sólidos e bem conduzidos, e é difícil encontrar um com que eu não concorde. Só à conta desta revelação, dá vontade de escutar alguns êxitos dos ABBA. Já agora, aqui fica uma muito short-list dos meus temas favoritos deste grupo sueco de sucesso internacional: "Does Your Mother Know", "Dancing Queen", "Fernando", "Take Your Chance On Me", "Voulez Vous", "S.O.S.".
Não deixa de ser encorajador constatar que a grande maioria dos comentários a este artigo vão no sentido da aprovação.
(Via "Esquerda Republicana".)
MORANGOS COM AÇÚCAR: A Beatriz, após vários episódios de cruéis hesitações, lá decidiu submeter-se à operação plástica. A cicatriz que lhe desfigurava o pescoço desapareceu por completo. Isto não deve constituir surpresa, uma vez que a cicatriz nunca existiu, tal como oportunamente denunciei neste espaço. Não se pode eliminar uma coisa que carece da virtude de existir. A TVI empurra a suspensão da incredulidade até limites indecorosos.
domingo, junho 28, 2009
quarta-feira, junho 17, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
MORANGOS COM AÇÚCAR: Nesta série da TVI, tão do agrado do público mais jovem, muito pranto e ranger de dentes se tem feito ouvir, por causa de um acidente da responsabilidade do António, alcoólico em vias de recuperação. A Beatriz, que ia com o António, sofreu ferimentos que deixaram sequelas, sob a forma de uma alegada cicatriz no pescoço. Digo "alegada" porque, não obstante todos os meus esforços nesse sentido, nunca consegui ver a cicatriz. A cicatriz deveria ser desfigurante, a ponto de justificar todas as recriminações que o António dirige a si mesmo, mas não se vê. Chego ao ponto de ver abaladas as minhas certezas quanto à existência da cicatriz, sendo obrigado a refugiar-me na fé. Chego ao ponto de comparar o estatuto ontológico da cicatriz com o da bola de ténis da sequência final de "Blow Up", de Michelangelo Antonioni.
AND NO MORE TURN ASIDE AND BROOD/UPON LOVE'S BITTER MYSTERY: O Bloomsday original foi há 105 anos. Hoje foi dia de andar com uma batata num dos bolsos, e com uma carta pseudónima noutro bolso, e de caminhar pela praia de olhos fechados, e de comer rim de porco ao pequeno-almoço e pão com queijo ao almoço e de beber cacau à ceia. E de olhar com secreto despeito para todos aqueles que, na convicção de ser este um dia igual aos outros, não se entregaram a estes rituais.
domingo, junho 14, 2009
RECORDAÇÕES DE PARIS (7): A música tocada ao vivo nos transportes públicos era, regra geral, de fraca qualidade, repetitiva e interpretada sem paixão. Foram poucas as ocasiões em que dela retirei genuíno prazer. Uma dessas vezes ocorreu num dos muitos trajectos Paris-Orsay que efectuei. Um guitarrista solitário tocou e cantou "Don Juan", que é desde então uma das minhas canções preferidas de Brassens.
Gloire à qui freine à mort, de peur d'ecrabouiller
Le hérisson perdu, le crapaud fourvoyé
Et gloire à don Juan, d'avoir un jour souri
A celle à qui les autres n'attachaient aucun prix
Cette fille est trop vilaine, il me la faut
RECORDAÇÕES DE PARIS (6): Dos 15 dias que passei na residência de estudantes dinamarqueses, na Cité Universitaire, recordo sobretudo duas coisas: a vaga de calor que Paris atravessava, por essa altura, e os dois únicos CDs que tinha comigo ("Impromptus", de Schubert, por Radu Lupu, e uma antologia de France Gall).
Havia também umas uvas deliciosas, precioso auxiliar na luta contra o calor e a sede.
quinta-feira, junho 11, 2009
WHAT'S NOT TO LIKE ABOUT THESE GUYS?:
Não era precisa (mas lá que ajuda ajuda) a expressão destas afinidades electivas, com destaque para a número 3, para eu gostar dos Nature Theater of Oklahoma. Bastava ter visto "Romeo and Juliet" a produção que trouxeram recentemente ao Teatro Maria Matos. "Romeo and Juliet" baseia-se em conversas em que era pedido aos interlocutores que contassem, de memória, o enredo da peça de Shakespeare. Num autêntico golpe de génio, os actores (magníficos Anne Gridley e Robert M. Johanson) dão voz a essas conversas, às hesitações, tropeços e fantasias típicas de quem se tenta recordar de uma história (aprendida outrora, na juventude, no liceu...) com a ênfase e a dicção de actores Shakespeareanos, um tudo-nada cabotinos. O efeito de distanciamento é desconcertante. Em vez do amor entre Romeu e Julieta, em vez da Verona dos Capuletos e dos Montecchios, o que é trazido à cena é a tragédia processada pela falível memória humana, pela invenção, pelo esforço inglório de reconstrução de um enredo de que apenas restam algumas balizas, uma ou outra personagem, um punhado de citações, alguma cena mais forte (a varanda, sempre a varanda). A aposta é claramente ganha: recordo-me de poucas peças em que um efeito cómico imediato (muito se riu na plateia completamente cheia, nessa noite) seja conjugado de forma tão feliz com a inteligência formal.
(Sentir-me-ia mal com a minha consciência caso não deixasse uma palavra de apreço para a terceira personagem da peça: um ponto vestido de ave que parecia saída da Rua Sésamo. A sua dança silenciosa arrancou algumas das mais sonoras gargalhadas da noite.)
segunda-feira, junho 01, 2009
terça-feira, maio 26, 2009
«ESSES PRINCÍPIOS SÃO AQUELES A QUE A SOCIEDADE ATÉ HÁ POUCO CHAMAVA "PORCALHÕES"»: Depois desta primeira investida, não percam "João César das Neves contra os pedagogos do coito e do deboche", em versão redux.
Quando João César das Neves finalmente se imolar em público, em jeito de protesto final contra este século libertino, as segundas-feiras perderão o seu único motivo de encanto.
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