"Rayuela", de Julio Cortázar. Com uma introdução de Andrés Amorós mais longa do que certos romances que já li (por exemplo, "Os Três Seios de Novélia").
A capa da edição que estou a ler é ligeiramente diferente (quadro de Bonnard em vez do jogo da macaca).
O Natal é quando um homem quiser, ler a "Rayuela" é quando um homem quiser, e eu quis agora.
terça-feira, dezembro 29, 2009
PLEC = PROCESSO DE LEITURA EM CURSO:
"Rayuela", de Julio Cortázar. Com uma introdução de Andrés Amorós mais longa do que certos romances que já li (por exemplo, "Os Três Seios de Novélia").
A capa da edição que estou a ler é ligeiramente diferente (quadro de Bonnard em vez do jogo da macaca).
O Natal é quando um homem quiser, ler a "Rayuela" é quando um homem quiser, e eu quis agora.
"Rayuela", de Julio Cortázar. Com uma introdução de Andrés Amorós mais longa do que certos romances que já li (por exemplo, "Os Três Seios de Novélia").
A capa da edição que estou a ler é ligeiramente diferente (quadro de Bonnard em vez do jogo da macaca).
O Natal é quando um homem quiser, ler a "Rayuela" é quando um homem quiser, e eu quis agora.
O PROBLEMA DA HOMOSSEXUALIDADE É COMPLICADO, OU RUI MACHETE NO SEU MELHOR:
«O casamento gay não é um problema nacional. Sou católico e acho que o casamento para os católicos não é o casamento gay. Não pode ser. Embora tenha respeito pelas pessoas e consideração pelas suas liberdades. Porque o problema da homossexualidade é complicado. Se o Estado acha que é verdadeiramente importante que se discuta e se faça, sobretudo se isso não significar, o que é difícil, um certo abaixamento do nível moral e dos costumes... Isso pode ser feito de várias maneiras, de uma maneira decente e de uma maneira menos decente, só que, de facto, esse não é o principal problema que nós temos.» (Entrevista ao jornal "Público", 27/12/2009.)
Que pena é os entrevistadores não terem aprofundado este tema, em vez de (talvez por pressentirem a catástrofe iminente) mudar a agulhagem e abordar o tema do orçamento. Entre as questões que me surgiram, as que mais estimularam a minha curiosidade foram:
a) Porque é que, na opinião do Dr. Rui Machete, a homossexualidade é um "problema complicado"?
b) Porque será tão difícil que a aprovação do "casamento gay" ocorra sem "um certo abaixamento do nível moral e dos costumes"? Basear-se-á o Dr. Rui Machete na intuição, na dedução, ou na observação de exemplos como a Espanha, onde (é bem sabido) a dissipação e o deboche atingiram níveis históricos após a aprovação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo?
c) Quais são as maneiras "decente" e "menos decente" de promulgar o "casamento gay"? (Tremo só de pensar.)
BOM-SENSO SFF: Aqui há dias, saiu no jornal "Público" uma peça sobre as fases do processo legislativo relativo à alteração do Código Civil que permitirá o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Uma das principais preocupações do autor do artigo foi a de sondar as probabilidades de o processo estar concluído antes da visita a Portugal, prevista para Maio, do cidadão anteriormente conhecido por Joseph Ratzinger. Pasma-me a importância que se atribui a esta visita; mais do que pasmar, indigna-me que se admita sequer que a presença do regedor de um bairro romano (acessoriamente, chefe de estado de uma nação de duvidosíssima legitimidade) possa condicionar um processo que deveria depender apenas da constituição portuguesa e das decisões individuais dos magistrados competentes.
sábado, dezembro 26, 2009
PLEC = PROCESSO DE LEITURA EM CURSO:
Processo de folheamento já concluído, em boa verdade. É o quarto e penúltimo episódio da saga de Tom Ripley. O quinto já está comprado, e não é de esperar que acumule muito bolor na lista de espera.
A dada altura, Ripley está em Berlim, hospedado em casa de um indivíduo que se entrega ao tráfico de pedras preciosas. Sozinho no apartamento, Ripley decide inspeccionar aquilo que parecem ser as obras completas de Schiller, numa estante, convencido de que se trata de um esconderijo; afinal, são mesmo livros de Schiller. Um dos encantos do romance reside na maneira como a economia narrativa, as frases directas e isentas de ornamentação, o despojamento estilístico, coexistem com esporádicas incursões na irrelevância.
Processo de folheamento já concluído, em boa verdade. É o quarto e penúltimo episódio da saga de Tom Ripley. O quinto já está comprado, e não é de esperar que acumule muito bolor na lista de espera.
A dada altura, Ripley está em Berlim, hospedado em casa de um indivíduo que se entrega ao tráfico de pedras preciosas. Sozinho no apartamento, Ripley decide inspeccionar aquilo que parecem ser as obras completas de Schiller, numa estante, convencido de que se trata de um esconderijo; afinal, são mesmo livros de Schiller. Um dos encantos do romance reside na maneira como a economia narrativa, as frases directas e isentas de ornamentação, o despojamento estilístico, coexistem com esporádicas incursões na irrelevância.
sábado, dezembro 19, 2009
segunda-feira, dezembro 14, 2009
sexta-feira, dezembro 11, 2009
terça-feira, dezembro 01, 2009
MINARETES E LAICIDADE: Como é seu costume, o Ricardo é certeiro naquilo que escreve sobre a polémica dos minaretes na Suíça (aqui e aqui). Concordo com tudo e assino por baixo. A transcrição dos excertos da Carta Constitucional e da Lei da Separação é oportuna, e serve para demostrar que, com o resultado deste referendo, a Suíça recuou, em termos de tolerância para com religiões não cristãs, para os níveis do Portugal pré-5 de Outubro de 1910.
A verdadeira laicidade é incompatível com limitações à liberdade de culto, sobretudo se se tratar de limitações selectivas, ao sabor da evolução de sensibilidades islamófobas.
Quanto àqueles que colocam no mesmo patamar a restrição à edificação de minaretes e a remoção dos crucifixos das salas de aula, ou bem que pecam por ignorância ou bem que pecam por pura e não adulterada má fé. Receio bem que os segundos sejam em número muito superior aos primeiros, e temo por isso que a límpida argumentação do Ricardo acabe por redundar em perda de tempo. Quem não vê algo de tão óbvio está para lá do alcance da lógica e da razoabilidade.
segunda-feira, novembro 30, 2009
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Este blog não se compadece com a facilidade, e é apenas por esse motivo que não costumamos assinalar avistamentos de leitores na Fnac. Mas há situações em que abrir uma excepção é um imperativo moral. Na Fnac do Vasco da Gama, um jovem munido de leitor MP3 lia "Portnoy's Complaint", de Philip Roth (o tal que só ganhará o prémio Nobel em 2119). E ria-se com gosto, de vez em quando.
PLEC = PROCESSO DE LEITURA EM CURSO:
Depois de "Jacobo e outras histórias", de Teresa Veiga, "Venâncio e outras histórias", de Joaquim Paço d'Arcos. É o segundo livro com um título da forma "[nome próprio masculino] e outras histórias" que eu leio num curto espaço de tempo. Alguém me saberá recomendar outro livro cujo título respeite este requisito formal?
Depois de "Jacobo e outras histórias", de Teresa Veiga, "Venâncio e outras histórias", de Joaquim Paço d'Arcos. É o segundo livro com um título da forma "[nome próprio masculino] e outras histórias" que eu leio num curto espaço de tempo. Alguém me saberá recomendar outro livro cujo título respeite este requisito formal?
REFERENDE-SE: Proponho que se leve a referendo o dogma da Santíssima Trindade. Está na altura de o povo se manifestar sobre esta questão, cuja importância ninguém de bom senso se lembrará de contestar. Não tenhamos medo de ouvir a voz dos cidadãos. O debate aprofundado que este dogma merece ainda está por realizar.
segunda-feira, novembro 23, 2009
BLUFFER SINCERO: Quando estou a assistir a uma sessão do concurso "Jogo Duplo", é comum recordar-me de uma frase pronunciada pelo extraordinário Serge Renko no extraordinário "Triple Agent" (Éric Rohmer).
«Por vezes, é mais inteligente dizer a verdade do que mentir, porque os outros não acreditam em ti.»
PLEC = PROCESSO DE LEITURA EM CURSO:
Não é de hoje o meu fascínio pelo matemático amador indiano Srinivasa Ramanujan, revelado ao Ocidente pelo ilustre G.H. Hardy. Fiquei contente ao saber que David Leavitt escrevera um romance baseado no encontro improvável entre estes dois homens. Comprei o livro, e agora estou a lê-lo. O facto de se passar em Cambridge é um bónus bem-vindo.
segunda-feira, novembro 09, 2009
LONGE DO ESTORIL: O que me faz lamentar estar a perder o festival de cinema do Estoril é, mais do que Juliette Binoche, David Byrne ou Francis Ford Coppola (e eu admiro-os a todos), a presença na selecção oficial de "Le Roi de l'Évasion", de Alain Guiraudie. Sou grande admirador deste realizador, sobretudo do sublime "Pas de Repos pour les Braves" e da fabulosa média metragem "Du Soleil pour les Gueux". Ao penúltimo filme de Guiraudie, "Voici Venu le Temps", não foi dada oportunidade nas salas portuguesas. Quem sabe quando, ou (suspiro) se, terei oportunidade de assistir a este "Le Roi de l'Évasion"? Dá vontade de ir ali ao Cais do Sodré apanhar o comboio.
OS ABISMOS DE SODOMA, VERSÃO SARAIVA:
«Contava-me uma empregada minha que numa casa onde em tempos trabalhou havia um menino que só gostava de brincar com bonecas, tachos e panelas. A minha empregada começou a achar aquilo estranho. E a verdade é que, na saída da adolescência, o menino revelou a sua inclinação homossexual. Este caso deverá ser extremo, mas não há dúvida de que em certas pessoas a inversão sexual se manifesta muito cedo.»
José António Saraiva é, em Portugal, o expoente supremo da comicidade involuntária - e não por falta de concorrência. Nesta sua peça sobre o casamento homossexual, o que mais impressiona é o contraste entre a pose de quem escreve, entre oráculo e compenetrado árbitro de costumes, e a atroz banalidade das opiniões que exprime. Prosa como esta constitui um poderoso argumento contra o referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, talvez mais eficaz ainda do que o elementar bom senso. A haver um referendo, a haver o tal debate, certamente muito "amplo", muito "alargado" e muito "profundo", o tal debate que se estende há anos mas que alguns insistem em enriquecer com mais achegas e rotações de manivela, argumentação como esta (talvez um pouco menos trôpega) encheria jornais, blogs e prós e contras, durante semanas. Não se deve abusar dos pontapés na nossa sanidade colectiva.
sábado, novembro 07, 2009
PRÉMIOS: O prémio Booker foi atribuído a Hilary Mantel ("Wolf Hall"), o Goncourt a Marie NDiaye ("Trois Femmes Puissantes") e o Nobel a Herta Müller. É a primeira vez que estes três prémios são entregues, no mesmo ano, a mulheres. O único ano em que o Booker e o Goncourt tinham sido ambos atribuídos a mulheres, até hoje, tinha sido 1984 (Anita Brookner, "Hotel du Lac", e Marguerite Duras, "L'Amant").
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