sábado, julho 28, 2012

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Leitor. Linha verde do metropolitano. "The Names" (Don DeLillo). Bastam estes três elementos. Não é pedir muito ao Mundo. É também mister um observador, mas disso encarrego-me eu.

terça-feira, julho 24, 2012

LEITURAS: Estou a ler "Les Grands Chemins", de Jean Giono. O autor foi presidente do júri do Festival de Cannes de 1961, numa altura em que já se tinha dissipado a sua reputação (mais ou menos merecida, isso pouco importa para o caso) de colaboracionista. Esse foi o ano em que "Viridiana", de Buñuel, ganhou a Palma de Ouro (ex aequo com o praticamente esquecido "Une Aussi Longue Absence", de Henri Colpi). Ainda que a obra literária não existisse, isso já chegaria para justificar a sua existência na Terra.


sábado, julho 14, 2012

FOI HÁ 223 ANOS:


LUÍS XVI: É uma revolta?
DUQUE DE LA ROCHEFOUCAULD: Não, majestade, não é uma revolta, é uma revolução.

(Imagem retirada daqui.)

terça-feira, julho 10, 2012

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Na linha amarela do metro, uma leitora lia "Ar de Dylan", de Enrique Vila-Matas. É tudo por hoje.

quinta-feira, junho 28, 2012

«Porém, nenhuma pessoa pode violar a palavra de honra, porque então será impossível viver no mundo.»

(Mikhail Bulgakov, "A Guarda Branca", tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra.)

Pois é.
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS:

Uma leitora lia "Diario de Una Buena Vecina". Doris Lessing em castelhano, no comboio Porto-Lisboa.

Um leitor lia "Vida e Destino", de Vassili Grossman, aparentemente nada intimidado com o volume do calhamaço que tinha entre mãos. Foi na linha vermelha do metropolitano de Lisboa, a mesma que, em breve, ligará São Sebastião ao Aeroporto passando por Moscavide.

sábado, junho 23, 2012

domingo, junho 17, 2012

LEITURAS:

Naguère, il arrivait qu'elle l'écoutât discourir, tapie dans un coin et le regardant du regard dont une panthère regarde le dompteur (ses prunelles pleines de choses écrasées).

(Nota mental: ler mais livros de Henry de Montherlant.)


domingo, junho 10, 2012

LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Um leitor lia "Walden" na plataforma da estação de metropolitano do Campo Grande. Será que a época de crise está a levar os portugueses a convergir para o modo de vida sóbrio e frugal de que Henry David Thoreau fez a apologia?

domingo, maio 13, 2012

CINEMA: Para o caso de me vir a faltar a paciência ou o tempo para escrever mais sobre este filme, aqui fica o essencial: "Era Uma Vez na Anatólia", de Nuri Bilge Ceylan, não só redime este realizador do decepcionante "Três Macacos", como se afirma desde já como um dos grandes filmes do ano, depois de "Tabu" e de "L'Apollonide - Souvenirs de la Maison Close".



Entre muitas cenas memoráveis, aquela em que a filha do presidente da junta aparece com o candeeiro e oferece bebidas aos visitantes é uma das mais intensas e extraordinárias que vi recentemente. Se não digo mais, é por receio de esgotar já aqui a quota de superlativos que me foi concedida para este ano.
ISTO COMEÇA BEM:

La première journée de François Hollande investi président de la République mardi sera "sobre" mais chargée de symboles: l'école, comme fondement de la République, et la laïcité et l'intégration, à travers un double hommage à Jules Ferry et Marie Curie.

É difícil imaginar um começo mais auspicioso para um quinquenato do que uma homenagem a Jules Ferry (o pai da escola laica e universal, uma das personalidades que mais admiro na história de França) e a Marie Curie (uma das figuras mais marcantes da história da Física nos últimos 200 anos, apesar da sua condição de exilada e de mulher, com toda a bateria de preconceitos associados).

A travers ces deux gestes, le nouveau chef de l'Etat entend faire retentir immédiatement les "priorités de son quinquennat" martelées pendant sa campagne, que sont "la jeunesse", "l'éducation" et le respect de la "laïcité".

Sim, isto começa bem. Sobretudo tendo em conta a maneira como, em França, nos últimos tempos, o tema da laicidade tem sido ignorado como se de um parente embaraçoso se tratasse, ou co-optado por indivíduos com agendas bem próprias, que de laicistas não têm mais do que o rótulo e a aura.

quinta-feira, maio 03, 2012

FERNANDO LOPES (1935-2012):

O cinema português deve-lhe muito. (Ou, o que vem a dar no mesmo: Portugal deve-lhe muito.) Com a sua doçura e inteligência, foi um dos que ajudou a fazer cinema num país onde só existia um sucedâneo deprimente de cinema. Fê-lo, ano após ano, com a naturalidade de quem faz aquilo que ama. Os seus filmes são e continuarão a ser antídotos contra a alarvidade que ocupa e corrói.


DEVOLVAM-NOS A FEIRA DE ANTANHO!: A tentação de estragar aquilo que está bom, ou menos mau, é uma dos traços de carácter mais bem distribuído, e revela-se tanto ao nível do indivíduo como da sociedade. Para encontrar um exemplo excelente, não é preciso ir mais longe do que o Parque Eduardo VII.

Ano após ano, a localização da Feira do Livro de Lisboa torna-se um pomo de discórdia tão poderoso que já faz parte da identidade nacional. Em contrapartida, a antecipação da Feira de Maio/Junho para Abril/Maio, que parece ter sido erigida a regra, tem suscitado um debate incomensuravelmente mais tímido. O resultado está à vista: chuva, frio e vento fazem com que uma excursão à Feira apareça como uma das maneiras menos apetecíveis de passar o tempo livre.

Claro que, mesmo em alturas mais tardias do ano, a Feira raramente se livra de alguns dias de tempo sofrível. Mas torna-se óbvio (excepto para aqueles que sustentam o mito de que Lisboa tem um clima ideal, perenemente soalheiro, invejado por todo o mundo civilizado) que as probabilidades de intempérie aumentam à medida que se recua no ano.

Devolvam-nos a Feira em finais de Maio, com o Verão à porta, as noites já a ficarem agradáveis e os jacarandás pujantes de floração colorida! Deixem de dar tiros nos próprios pés, deixem de afugentar os bibliófilos!

domingo, abril 29, 2012

ELEIÇÕES: No noticiário da SIC de hoje, afirmava-se que, caso François Hollande bata Nicolas Sarkozy na segunda volta das eleições presidenciais francesas, será a primeira vez, na "história recente" da França, que um presidente da República falha a sua reeleição. Não sei o que é que o autor da peça entende por "recente", mas não é preciso recuar gerações até encontrar um exemplo: Valéry Giscard d'Estaing (perdeu contra François Mitterrand em 1981).
CINEMA: Um bom artigo sobre "Céline et Julie Vont en Bateau", de Jacques Rivette. Gostei particularmente disto:

It’s not just that the film holds up to repeat viewings; its very point is its seemingly infinite repeatability, its mysterious capacity to surprise both first-time viewers and those who know it as well as a magician reciting an incantation.

Mais do que qualquer outro que eu conheça, "Céline et Julie" é um filme que nunca se acaba de ver e que envolve o espectador na sua estrutura, que é ao mesmo tempo cíclica, linear, aleatória e ucrónica.

Envolve para toda a vida, quero eu dizer.

Dominique Labourier e Juliet Berto em "Céline et Julie Vont en Bateau", de Jacques Rivette.


quarta-feira, abril 25, 2012

HOJE: O dia inicial, inteiro e limpo. Estas palavras já quase soam a banalidade, mas o uso não lhes arranha a autenticidade nem o poder.

segunda-feira, abril 23, 2012

ONDE MENOS SE ESPERA: Os tempos exigem que se esteja de olhos bem abertos. Nesta Páscoa, em pleno centro comercial Via Catarina, no Porto, havia muitos livros da Agustina à venda pela quantia ridiculamente baixa de quatro euros e noventa cêntimos. Esta pechincha facilmente passava despercebida no meio de um oceano de livros de mesa de café, manuais práticos, histórias infantis e livros de culinária.

Comprei "As Relações Humanas" e "O Concerto dos Flamengos".

segunda-feira, abril 02, 2012

VOMITED MY MOUSSAKA: Folheio a colectânea "Selected Poems", de Denise Levertov, antes de me dedicar à sua leitura. Leio os seguintes versos:

and soon after
vomited my moussaka
and then my guts writhed
for some hours with diarrhea

No que me estarei a meter?


LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Um leitor lia "Diálogo Sobre a Ciência e os Homems", de Primo Levi e Tullio Regge. Foi na linha verde do metropolitano de Lisboa. Também no metropolitano, mas desta vez na linha vermelha, uma leitora lia "Um Coração Simples", de Flaubert.

E porém nem toda a grande literatura do mundo consumida por olhos dedicados e vorazes me consola do choque de ter de pagar 29 euros por um passe mensal que ainda há tão poucochinho custava 16.