Heinrich von Kleist (1777-1811) Marianne=República Só um forte jogador sabe quão mal joga (Tartakower) Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam

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Pois, pois, o sentido da vida.



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The Secular Web

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Domingo, Julho 12, 2009

 
IMPRESSÕES DE SAN FRANCISCO (1) - THIS PLACE HAS BROUGHT "DOING YOUR LAUNDRY" TO A WHOLE NEW LEVEL: Existe um bairro em San Francisco, chamado Russian Hill, onde existe (literalmente) uma lavandaria em cada esquina. Uma delas dá pelo delicioso nome de "The Missing Sock". Os comentários dos utentes dão vontade de ir viver para San Francisco, só para poder usufruir regularmente de uma tão rica experiência de lavagem de roupa.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

 
RELIGIONS AND SCHOOL DON'T MIX: Quem diria que o ex-ABBA Björn Ulvaeus era um tão convicto opositor da promiscuidade entre escola e religião, a ponto de assinar um artigo no "The Guardian" sobre o assunto? Uma agradável surpresa. Os argumentos são sólidos e bem conduzidos, e é difícil encontrar um com que eu não concorde. Só à conta desta revelação, dá vontade de escutar alguns êxitos dos ABBA. Já agora, aqui fica uma muito short-list dos meus temas favoritos deste grupo sueco de sucesso internacional: "Does Your Mother Know", "Dancing Queen", "Fernando", "Take Your Chance On Me", "Voulez Vous", "S.O.S.".

Não deixa de ser encorajador constatar que a grande maioria dos comentários a este artigo vão no sentido da aprovação.

(Via "Esquerda Republicana".)

 
MORANGOS COM AÇÚCAR: A Beatriz, após vários episódios de cruéis hesitações, lá decidiu submeter-se à operação plástica. A cicatriz que lhe desfigurava o pescoço desapareceu por completo. Isto não deve constituir surpresa, uma vez que a cicatriz nunca existiu, tal como oportunamente denunciei neste espaço. Não se pode eliminar uma coisa que carece da virtude de existir. A TVI empurra a suspensão da incredulidade até limites indecorosos.

Domingo, Junho 28, 2009

 
É ASSIM MESMO:

«O filme não apresenta a legenda "fim". Não se trata de corte. É assim mesmo a sua conclusão.»

(aviso ao espectador na folha da cinemateca do filme "O Último Tango em Paris")

Quarta-feira, Junho 17, 2009

 
Il ne sait pas si c'est le monde qui est en train de devenir rêve ou le rêve, monde. (JLGodard)



(Henri Matisse, "A Cortina Amarela", 1914-15)


Terça-feira, Junho 16, 2009

 
MORANGOS COM AÇÚCAR: Nesta série da TVI, tão do agrado do público mais jovem, muito pranto e ranger de dentes se tem feito ouvir, por causa de um acidente da responsabilidade do António, alcoólico em vias de recuperação. A Beatriz, que ia com o António, sofreu ferimentos que deixaram sequelas, sob a forma de uma alegada cicatriz no pescoço. Digo "alegada" porque, não obstante todos os meus esforços nesse sentido, nunca consegui ver a cicatriz. A cicatriz deveria ser desfigurante, a ponto de justificar todas as recriminações que o António dirige a si mesmo, mas não se vê. Chego ao ponto de ver abaladas as minhas certezas quanto à existência da cicatriz, sendo obrigado a refugiar-me na fé. Chego ao ponto de comparar o estatuto ontológico da cicatriz com o da bola de ténis da sequência final de "Blow Up", de Michelangelo Antonioni.


 
AND NO MORE TURN ASIDE AND BROOD/UPON LOVE'S BITTER MYSTERY: O Bloomsday original foi há 105 anos. Hoje foi dia de andar com uma batata num dos bolsos, e com uma carta pseudónima noutro bolso, e de caminhar pela praia de olhos fechados, e de comer rim de porco ao pequeno-almoço e pão com queijo ao almoço e de beber cacau à ceia. E de olhar com secreto despeito para todos aqueles que, na convicção de ser este um dia igual aos outros, não se entregaram a estes rituais.

 
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Nos degraus de entrada da Faculdade de Belas-Artes, uma jovem lia um volume de poemas de Robert Burns, no original, assim respondendo categoricamente, e na afirmativa, à pergunta que brota de todos os lábios: será que ainda alguém lê Burns nos dias de hoje?

Domingo, Junho 14, 2009

 
RECORDAÇÕES DE PARIS (7): A música tocada ao vivo nos transportes públicos era, regra geral, de fraca qualidade, repetitiva e interpretada sem paixão. Foram poucas as ocasiões em que dela retirei genuíno prazer. Uma dessas vezes ocorreu num dos muitos trajectos Paris-Orsay que efectuei. Um guitarrista solitário tocou e cantou "Don Juan", que é desde então uma das minhas canções preferidas de Brassens.

Gloire à qui freine à mort, de peur d'ecrabouiller
Le hérisson perdu, le crapaud fourvoyé
Et gloire à don Juan, d'avoir un jour souri
A celle à qui les autres n'attachaient aucun prix
Cette fille est trop vilaine, il me la faut

 
RECORDAÇÕES DE PARIS (6): Dos 15 dias que passei na residência de estudantes dinamarqueses, na Cité Universitaire, recordo sobretudo duas coisas: a vaga de calor que Paris atravessava, por essa altura, e os dois únicos CDs que tinha comigo ("Impromptus", de Schubert, por Radu Lupu, e uma antologia de France Gall).

Havia também umas uvas deliciosas, precioso auxiliar na luta contra o calor e a sede.

Quinta-feira, Junho 11, 2009

 
WHAT'S NOT TO LIKE ABOUT THESE GUYS?:




Não era precisa (mas lá que ajuda ajuda) a expressão destas afinidades electivas, com destaque para a número 3, para eu gostar dos Nature Theater of Oklahoma. Bastava ter visto "Romeo and Juliet" a produção que trouxeram recentemente ao Teatro Maria Matos. "Romeo and Juliet" baseia-se em conversas em que era pedido aos interlocutores que contassem, de memória, o enredo da peça de Shakespeare. Num autêntico golpe de génio, os actores (magníficos Anne Gridley e Robert M. Johanson) dão voz a essas conversas, às hesitações, tropeços e fantasias típicas de quem se tenta recordar de uma história (aprendida outrora, na juventude, no liceu...) com a ênfase e a dicção de actores Shakespeareanos, um tudo-nada cabotinos. O efeito de distanciamento é desconcertante. Em vez do amor entre Romeu e Julieta, em vez da Verona dos Capuletos e dos Montecchios, o que é trazido à cena é a tragédia processada pela falível memória humana, pela invenção, pelo esforço inglório de reconstrução de um enredo de que apenas restam algumas balizas, uma ou outra personagem, um punhado de citações, alguma cena mais forte (a varanda, sempre a varanda). A aposta é claramente ganha: recordo-me de poucas peças em que um efeito cómico imediato (muito se riu na plateia completamente cheia, nessa noite) seja conjugado de forma tão feliz com a inteligência formal.



(Sentir-me-ia mal com a minha consciência caso não deixasse uma palavra de apreço para a terceira personagem da peça: um ponto vestido de ave que parecia saída da Rua Sésamo. A sua dança silenciosa arrancou algumas das mais sonoras gargalhadas da noite.)


Segunda-feira, Junho 01, 2009

 
EU JÁ ASSINEI:

Aqui.

Terça-feira, Maio 26, 2009

 
«ESSES PRINCÍPIOS SÃO AQUELES A QUE A SOCIEDADE ATÉ HÁ POUCO CHAMAVA "PORCALHÕES"»: Depois desta primeira investida, não percam "João César das Neves contra os pedagogos do coito e do deboche", em versão redux.

Quando João César das Neves finalmente se imolar em público, em jeito de protesto final contra este século libertino, as segundas-feiras perderão o seu único motivo de encanto.

 
YLANG YLANG: Naquilo que julgo ser uma jogada de marketing inédita, o detergente Surf monopolizou os espaços publicitários de todo o metropolitano de Lisboa (ou pelo menos da linha verde, que é a que eu mais frequento). A concorrência que se cuide. Este golpe de publicidade é obviamente eficaz, pois eu próprio sinto agora vontade de comprar detergente Surf ("pequeno & poderoso"), hesitando apenas entre os aromas Ylang Ylang com Flores Tropicais e Limão com Flores do Campo. Ariel, Skip, Omo e demais perderam a sua aura, e aparecem-me completamente ultrapassados.

 
TRÁGICA COINCIDÊNCIA: No espaço de poucas semanas, desapareceram o maior divulgador de cinema de animação em Portugal das últimas décadas (Vasco Granja) e o maior divulgador de cinema tout court (João Bénard da Costa). Esperemos que a hecatombe se fique por aqui.

Não juntei a minha ao coro de vozes que prestaram homenagem a Vasco Granja, mas devia tê-lo feito. A minha infância (como a de 99,99 % dos meus coevos) ficou marcada pelas emissões que ele protagonizava, como discreto e amigável mestre de cerimónias, ao mesmo tempo cúmplice e didáctico.

A cinefilia de Vasco Granja não se confinava aos bonecos animados. Possuo (e li com gosto) um livro de sua autoria, sobre o realizador Dziga Vertov.

(Vertov foi responsável por um dos mais maravilhosos títulos da história do cinema: "Lenin habita no coração do campesinato".)

Domingo, Maio 24, 2009

 
JOÃO BÉNARD DA COSTA (1935-2009): Num divulgador, num homem vocacionado para formar gostos e hábitos culturais, o carisma e uma certa dimensão maior do que a vida são virtudes de peso. João Bénard da Costa possuía estas duas características e sabia fazer uso delas. Felizmente para todos nós, ao impacto único da sua presença (voz, silhueta, postura) vinham juntar-se a visão, a tenacidade que fez da Cinemateca aquilo que hoje ela é e o talento de falar sobre filmes com uma mistura única de paixão e erudição.

Concordei com algumas das críticas que iam sendo feitas ao seu modo de dirigir a instituição a que presidia, achei escusadas e pouco abonatórias algumas das atitudes que assumiu em polémicas recentes, em particular a que rodeou a sua recondução mau grado o limite de idade. Nada disso importa agora. A obra que deixou não é comensurável com eventuais deslizes, excessos ou despropósitos. Aquilo com que não posso concordar é que, na hora do desaparecimento de um homem com a estatura de João Bénard da Costa, alguns (decerto com as melhores intenções do mundo) julguem que a melhor maneira de lhe prestar homenagem é através de enormidades como "Morreu o cinema" , "O cinema português deve-lhe tudo" e outras do mesmo jaez. A partir de uma dada fasquia de absurdo, a hipérbole, em vez de engrandecer, ofusca o verdadeiro valor do homenageado.

Restam os filmes. Resta vê-los e revê-los, sempre.



"A Lenda da Fortaleza de Suram", de Sergei Paradzhanov, um dos primeiros filmes que vi na Cinemateca.

Quarta-feira, Maio 20, 2009

 
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Um dia em cheio na estação de metro de Telheiras. Uma dama lia "Life on the Mississippi", de Mark Twain. Um cavalheiro lia "La Vieille Dame de Bayeux", de Georges Simenon, integrado numa antologia "Tout Maigret".

Telheiras: menospreze-a se quiser, mas faça-o por sua conta e risco!

 
RECORDAÇÕES DE PARIS (5): Os avisos, afixados nos cinemas, que diziam "Les ouvreuses ne sont rémunérées qu'au pourboire". A reacção, discreta mas ácida, da empregada (dona?) do cinema Reflet Médicis, perto de Saint-Michel, quando não lhe dei gorjeta à entrada (nunca dava).

 
GOSTAM DE CHAMAR:

«a expressão daquilo a que os cavalheiros da classe média que sofrem de enterite gostam de chamar audácia» (Guillaume Apollinaire, a propósito da pintura de Kees van Dongen, citado em "Fauvism", de Sarah Whitfield, Thames & Hudson)





Chemise (1905), Kees van Dongen


Domingo, Maio 17, 2009

 
RECORDAÇÕES DE PARIS (4): Os funcionários de serviço ao bengaleiro da gigantesca livraria Gibert Joseph, no Boulevard Saint-Michel, tão sisudos e antipáticos que, com o tempo, abandonei o esforço de lhes dizer "bonjour".

 
RECORDAÇÕES DE PARIS (3): Entrar no cemitério Montparnasse para fazer horas, antes de uma sessão de cinema. Passar pelas sepulturas de Samuel Beckett, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.

 
RECORDAÇÕES DE PARIS (2): Comprar uma televisão com vídeo incorporado, num centro comercial da Place d'Italie. Transportá-la para casa, subestimando idiotamente o esforço necessário para tal, no dia de abertura do Mundial de futebol 1998. Chegar a casa com os braços tão doridos que mal fui capaz de compor o código de acesso ao edifício, mas a tempo de assistir à segunda parte do Brasil-Escócia (vitória do Brasil por 2 a 1).

 
RECORDAÇÕES DE PARIS (1): Vaguear pelas ruas do sorumbático 16ème arrondissement, num dia de inverno muito frio. Sentir as maçãs do rosto a ficar sem circulação. Entrar num cinema, um pouco ao acaso, para ver "The Spanish Prisoner", de David Mamet.

 
RECORDAÇÕES DE PARIS (0): Vou hoje iniciar uma nova série de posts, chamada "Recordações de Paris", cujo título me parece dispensar explicações. Já a seguir.

 
CORRENTES, O ELO MAIS FRACO 'R' US: No que toca a correntes blogosféricas, manda a tradição que eu agradeça a quem se lembrou de mim, que aceite o desafio reservando-me o direito de o subverter a meu gosto, e que não as passe a ninguém.

Não sou grande fã de séries, fundamentalmente porque são raríssimas as que acrescentam alguma coisa de verdadeiramente relevante à existência, sobretudo se comparadas com o cinema (mostrem-me séries de valor comparável a "La Dolce Vita", "Andrei Rubliov" ou "Francisca" e logo falaremos); e, se o objectivo é o entretenimento, existem alternativas que encontram mais graça aos meus olhos.

Limito-me a mencionar duas obras-primas de Dennis Potter: "The Singing Detective" e "Lipstick On Your Collar" (na imagem). Tudo o resto, desde então, soa-me a anticlímax.


Terça-feira, Maio 12, 2009

 
IMAGENS E PALAVRAS: A esta (muito completa) lista tenho a acrescentar outro filme de Desplechin, "La Vie des Morts". Nele é lido parte do poema "Le Voyage" (Baudelaire), por vários actores que se revezam, em particular Laurence Côte e Emmanuel Salinger. É uma das mais belas cenas de um filme onde elas são legião.

Segunda-feira, Maio 04, 2009

 
GUARDA-SOL AMARELO
uma criação colectiva
com encenação de Gonçalo Amorim
e dramaturgia de Ana Bigotte Vieira





O grupo de teatro da Associação de Residentes de Telheiras Teatroàparte apresenta uma Nova Peça em Maio de 2009.

No Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras.

Actuações a 15 Maio 22h 16 Maio 22h 22 Maio 22h (inserido na Mostra de Teatro do Lumiar) 23 Maio 16h e 22h 29 Maio 22h 30 Maio 22h

Reservas e Informações 96 55 77 545 teatroaparte@sapo.pt

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Há um guarda-sol amarelo na mitologia da Associação de Residentes de Telheiras, entretanto, tornado seu símbolo gráfico. Mas o mito do guarda-sol amarelo, difundido na pequena brochura, é também uma realidade materializada. Sempre que alguma coisa está para acontecer, há uma campanha em curso, ou se torna urgente gerar mobilização, os chapéus abrem-se nas esquinas de maior movimento.
[Ana Contumélias]
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Guarda-Sol Amarelo é uma meditação sobre a cidade feita por 30 cabeças, 60 mãos, algumas miniaturas, umas maquetas. É sobre estarmos aqui. E é uma espécie de construção em andares da nossa história recente (os 35 anos desta democracia) feita em cima dos mapas emotivos das ruas por onde andamos.
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O grupo teatroàparte (com o nome Pó de Palco até 2003) foi fundado em Novembro de 1997, no âmbito das actividades lúdicas e culturais da Associação de Residentes de Telheiras (ART), mas rapidamente a sua gestão se tornou autónoma. Actualmente é constituído por cerca de 24 elementos activos. O grupo foi orientado por Susana Graça Oliveira (1997/1998), Fernando Ascenção (1998/1999), Rui Catarino (1999/2000), Pedro Carmo (2000-2004) e Jorge Parente (2005-2007). Desde Fevereiro de 2008, tem vindo a ser orientado por Gonçalo Amorim. O teatroàparte está registado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

http://teatroaparte.no.sapo.pt/